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14 de nov. de 2012

Casamento entre tribos diferentes


Recebi a seguinte pergunta: "Quando eu, mulher da Igreja, me casar - serei adotada à tribo de meu marido independentemente de pertencer já a outra tribo de Israel?"

                Creio que a pergunta é sumamente pertinente para aqueles que compreendem um pouco das bênçãos de se pertencer à Casa de Israel. Portanto esforçar-me-ei para responder apropriadamente.
                Primeiro julgo ser importante entender o que é a Casa de Israel e como somos abençoados por pertencermos a uma das tribos.

Vida Pré-Mortal
                Tudo começa na vida pré-mortal.  Lá, foi a ocasião onde Abraão e muitos outros "mesmo antes de nascerem (...) receberam suas primeiras lições no mundo dos espíritos e foram preparados para nascer no devido tempo do Senhor, a fim de trabalharem em sua vinha para salvação da alma dos homens" (D&C 138:56). Eles eram os "nobres e grandes" que foram preordenados a missões especificas na mortalidade (Abraão 3:22-23). Nesse primeiro estado o Altíssimo distribuiu as heranças às nações e dividiu os filhos de Adão uns dos outros, estabelecendo os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel. Isso porque "a porção do SENHOR é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança."  (Deuteronômio 32:8-9).Em outras palavras, algumas bênção especiais estariam reservadas ao povo do Senhor, que no caso seria descendente de Jacó.
                Depois que a Terra foi criada e Adão e Eva foram expulsos do Jardim, Deus fez convênio com Adão e sua semente (Moisés 6:50-68). Esse convênio chamava-se Evangelho de Jesus Cristo e consistia no Plano de Salvação: por meio da fé em Jesus Cristo, do sincero arrependimento, do batismo pro imersão, do recebimento do Dom do Espírito Santo e da perseverança até o fim - os homens poderiam nascer de Deus - sendo santificados por meio da Expiação de Jesus Cristo. Isso esta muito bem explicado em Moisés 6 e outra escrituras.

Eleição
                Há um conceito que precisa ser entendido antes de prosseguirmos. É o da eleição. O Guia de Estudo Para as Escrituras (GEE) explica, no verbete "Eleição": "Baseando-se na dignidade pré-mortal, Deus escolheu os que seriam a descendência de Abraão e a casa de Israel e se tornariam o povo do convênio (Deut. 32:7–9; Ef. 1:4; Abr. 2:9–11). Tais pessoas recebem bênçãos e deveres especiais, a fim de abençoarem todas as nações do mundo (Rom. 11:5–7; I Ped. 1:2; Al. 13:1–5; D&C 84:99). Todavia, mesmo os eleitos devem ser chamados e escolhidos nesta vida, para que alcancem a salvação."
                Contudo, é preciso compreender que "houve muitos, antes dos dias de Abraão, que foram chamados segundo a ordem de Deus, sim, segundo a ordem de seu Filho" (Helamã 8:18). Adão, Enoque, Noé, o irmão de Jarede e muitíssimos mais foram "chamados e escolhidos" para serem herdeiros da salvação.
                Adão, pro exemplo, se tornou um eleito devido sua retidão - bem como sua semente (D&C 107:55). O que significa ser um eleito? Significa ser escolhido, significa ser separado. Refere-se a tornar-se filho de Cristo - e por meio da graça divina um herdeiro do Reino Celestial de Deus."Eleitos são aqueles que amam a Deus de todo o seu coração e vivem de maneira agradável aos olhos dele. Os que vivem como seus discípulos, um dia serão escolhidos pelo Senhor como seus filhos eleitos" (GEE "Eleitos"). Somos escolhido para salvação pelo Senhor quando recebemos a palavra mais segura de profecia (D&C 131:5). 
                Pode-se dizer que todos os homens que nasceram, nascem e nascerão nesta Terra são eleitos - porque escolheram seguir o Plano de Deus na vida pré-mortal. Não obstante, devemos confirmar nossa eleição nesse segundo estado (via terrena). De fato, "eis que agora é o tempo e o dia de vossa salvação" (Alma 34:31). Devemos procurar fazer cada vez mais firme o nosso chamado e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçaremos. Porque assim nos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." (II Pedro 1:10-11). O chamado e eleição significa obter "a certeza de exaltação" (GEE "Vocação e Eleição"). Para obter tal garantia precisamos ser justificados e santificados - ter mãos limpas e um coração puro - só assim adentraremos o lugar santíssimo, veremos a face de Deus e seremos a sua geração (Salmos 24:3-6; D&C). O processo pode demorar a vida inteira, pois é preciso abandonar todos os nossos pecados, ir à Cristo,  invocar Seu nome e obedecer a Sua voz, guardando os Seus mandamentos (D&C 93:1). Um homem precisa deixar as coisas desse mundo e buscar a de um melhor, e aprender a valiosa lição sobre os poderes do céu (D&C 121:34-46). Nesse processo não só deixamos de praticar o mal, mas vencemos (por meio do poder do Salvador) nossas fraquezas e o desejo de fazer o errado. Um homem que chega nesse nível não é perfeito, mas tem um "perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens" e recebeu a garantia do Pai de que terá Vida Eterna (2 Néfi 31:20). Essa garantia pode ser recebida no estado mortal. Lemos que Jacó, um jovem, foi "redimido por causa da justiça do teu Redentor" (2 Néfi 2:3). Lemos que Alma, um idoso, recebeu o convênio da vida eterna (Mosias 26:20). E se alguém argumentar que Jacó e Alma eram profetas, podemos lembrar de Êmer "viu o Filho da Retidão e regozijou-se e rejubilou-se em seu dia; e morreu em paz" (Éter 9:22). Na realidade, ao estudar as escrituras concluímos que "houve muitos, e grande foi o seu número, que foram purificados e entraram no descanso do Senhor seu Deus" (Alam 13:12).
                É possível que um homem caia da graça,após receber tal dádiva, sendo escolhido para Vida Eterna, e aparte-se do Deus vivo? (D&C 20:32) Sim! Caim foi um exemplo. (Moisés 5:24). Portanto, até os santificados (eleitos) devem ficar atentos (D&C 20:34).
                Deus quer salvar todos os seus filhos. Todos são, nesse sentido eleitos para salvação. A confirmação dessa eleição, todavia, nem sempre chegará na mortalidade. Alguns a receberão no mundo dos espíritos - porque apenas lá poderão se preparar adequadamente. Isso acontece porque nem todos ouvirão de Jesus Cristo e terão a oportunidade de segui-lo nesta esfera terrena.Daí a importância da obra vicária.

Noé e seu filhos
                Adão e os patriarcas guardaram os mandamentos, mas nem todos os seus filhos os fizeram. Enoque e Sião foram transladados porque a iniquidade na Terra era tamanha que precisaram ser removidos para que o dilúvio purificasse o planeta. Quando Noé e sua família saíram da arca, Jafé, Sem e Cão (os três filhos de Noé, Gênesis 6:10) e suas respectivas famílias começaram a povoar novamente a Terra. A descendência de Noé foi abençoada e tinham o privilégio de tornarem-se eleitos. Todavia, em um acontecimento confuso (devido as más traduções), Noé abençoou Sem e Jafé e amaldiçoou Cão e sua semente: "Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo." (Gênesis 9:27).
                Genericamente podemos dizer que de Jafé provém os gentios: um povo grande em número; um povo que receberiam as bênçãos do evangelho pela descendência de Sem. Evidentemente esse não é o único sentido da palavra gentio. Mas basicamente gentil é quem não pertence ao povo do convênio. Sem e sua descendência se tornaram um povo eleito. Deus fez com que os profetas e santos preordenados nascessem na linhagem de Sem. Esses deveriam ajudar os outros homens a entrarem e habitarem nas "tendas" de Sião.
                Cão, especialmente seu filho Canaã, foi amaldiçoado. Para sua semente foram negadas as bênçãos do sacerdócio e da plenitude da Casa de Deus (Abraão 1:21-23, 25-27).

Abraão, Isaque e Jacó.
                Nos últimos dias, devido as chaves de Elias (não Elias, o profeta - D&C 110:12) - a maldição que recaiu sobre a descendência de Cão poderia ser removida e o evangelho mais uma vez poderia ser desfrutado em sua plenitude por todos os povos - independentemente da origem. Isso aconteceu especificamente devido a aparição de um mensageiro no Templo de Kirtland. Ele foi identificado como Elias. Todavia, sabemos que ele era Gabriel ou Noé - porque Elias muitas vezes é usado como um título e não um nome próprio (GEE "Elias"); e também por revelação.
                Noé abençoou Sem. Sem abençoou Abraão. Apesar de não ser confirmado, há muitas indicações de que Sem seja Melquisedeque (ver Manual do Aluno do Instituto Curso do Velho Testamento - Curso 301, pg. 65). Se for assim, o próprio Sem "era sacerdote do Deus Altíssimo" que "abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra!" (Gênesis 14:18-19). As promessas de eleição foram confirmadas, mais tarde pelo próprio Deus: "Meu nome é Jeová e conheço o fim desde o princípio; portanto minha mão estará sobre ti. E farei de ti uma grande nação e abençoar-te-ei sobremaneira e engrandecerei o teu nome entre todas as nações; e serás uma bênção para tua semente depois de ti, para que em suas mãos levem este ministério e Sacerdócio a todas as nações; E abençoá-las-ei por meio de teu nome; pois todos os que receberem este Evangelho serão chamados segundo o teu nome e contados como tua semente; e levantar-se-ão e abençoar-te-ão como seu pai; E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti (isto é, em teu Sacerdócio) e em tua semente (isto é, teu Sacerdócio), pois faço-te a promessa de que este direito continuará em ti e em tua semente depois de ti (isto quer dizer a semente literal, ou seja, a semente do corpo), serão abençoadas todas as famílias da Terra, sim, com as bênçãos do Evangelho, que são as bênçãos de salvação, sim, de vida eterna." (Abraão 2:8-11).
                O conjunto de promessas que Abraão fez e recebeu é chamado de Convênio Abraamico.Nada mais é que o Evangelho de Jesus Cristo em Sua Plenitude - contendo todos os convênios e ordenanças do sacerdócio - dês do batismo até o Casamento Eterno, como ensinando por Adão, Enoque e Noé. Todavia, Abraão recebeu deveres e promessas especiais - ele teria direito a determinadas porções de terra, seus filhos homens deveriam ser circuncidados no oitavo dia para seus pais se lembrassem que o convênio seria válido tão somente se houvesse cumprimento dos mandamentos - e o primeiro deveria ser o batismo aos oito anos de idade. (GEE "Circuncisão", ver também Tradução de Joseph Smith de Gênesis 17).
                Por motivos não completamente compreendidos por nós, Deus escolheu Isaque, em vez de Ismael (Isaque era filho de Sara, Ismael de Agar, uma serva) - e o convênio se perpetuou para semente de Isaque. De igual maneira, o convênio em sua plenitude foi renovado com Jacó, e não com Esaú (pois vendeu sua primogenitura e casou fora do convênio) - ambos filhos de Isaque. Os descendentes de Ismael receberam grandes bênçãos - assim como os descendentes de Esaú - e não sabemos se gozavam do sacerdócio, e se gozaram pro quanto tempo. O fato é que as bênçãos plenas permaneceram sobre a família de Jacó. Em outras palavras, o Convênio foi renovado com Jacó. Tanto é que o Senhor mudou o nome dele para Israel (GEE "Jacó", Israel").
                Jacó teve duas esposas e duas concubinas. Teve doze filhos homens. Seus filhos se multiplicaram e por isso, a descendência desses homens, é chamada de doze tribos de Israel. São estas as doze tribos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom (filhos de Jacó e Léia); Dã e Naftáli (filhos de Jacó e Bilha); Gade e Aser (filhos de Jacó e Zilpa); José e Benjamim (filhos de Jacó e Raquel) (Gên. 29:32–30:24; 35:16–18).
                A descendência de Jacó era a semente eleita. Eles seriam salvos e deveriam ajudar os outros filhos do Pai a serem salvos também.

Três conceitos: todos, retidão e adoção.
                Nesse ponto é importante compreender três conceitos.
                Todos. Como o Senhor "convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e todos são iguais perante Deus, tanto judeus como gentios" (2 Néfi 26:33, itálico adicionado) deseja salvar todos. Esse foi, afinal, o propósito da Expiação: "E ele [Cristo] vem ao mundo para salvar todos os homens, se eles derem ouvidos a sua voz; pois eis que ele sofre as dores dos homens, sim, as dores de toda criatura vivente, tanto homens como mulheres e crianças, que pertencem à família de Adão. E ele sofre isto para que todos os homens ressuscitem, para que todos compareçam diante dele no grande dia do julgamento. E ordena a todos os homens que se arrependam e sejam batizados em seu nome, tendo perfeita fé no Santo de Israel, pois do contrário não poderão ser salvos no reino de Deus. E se não se arrependerem, não acreditarem em seu nome, não forem batizados em seu nome nem perseverarem até o fim, serão condenados, pois o Senhor Deus, o Santo de Israel, disse-o." (2 Néfi 9:21-24, itálicos adicionados). O Senhor quer todos, e não uns poucos.
                Em Apocalipse 7:9-15, João viu uma multidão de santificados. Essa multidão de eleitos "ninguém a podia contar" devido a seu grande número. Tal fato destrói todo argumento pessimista que Deus salvará apenas uns poucos homens em seu reino. E acaba com a errônea ideia deque há apenas uma estirpe eleita para salvação, porque a multidão que João viu era composta de homens e mulheres, de todas as nações, tribos, povos e línguas."
                É verdade que nas dispensações do passado o proselitismo era bem restrito (pelo que lemos). Mas Quando Cristo veio a Terra deixou o claro mandamento: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Marcos 16:15-16). O Senhor permitiu que as bênçãos plenas fossem estendidas ao gentios na época de Pedro (Atos 10), e a todos os homens em nossa época (ver Declaração Oficial 2). A salvação esta ao alcance de todos.
                Retidão. As condições da salvação no Reino Celestial - da eleição, portanto - são simples: viver de toda palavra que provém da boca de Deus. O Senhor ordenou-nos que guardássemos seus mandamentos. Ele explicou quais eram esse mandamentos: "Acontecerá que aquele que se arrepender e for batizado em meu nome será satisfeito; e, se perseverar até o fim, eis que eu o terei por inocente perante meu Pai no dia em que eu me levantar para julgar o mundo. E aquele que não perseverar até o fim será cortado e lançado no fogo, de onde não mais voltará, em virtude da justiça do Pai. E esta é a palavra que ele deu aos filhos dos homens. E por esta razão ele cumpre as palavras que proferiu; e não mente, mas cumpre todas as suas palavras. E nada que seja imundo pode entrar em seu reino; portanto, nada entra em seu descanso, a não ser aqueles que tenham lavado suas vestes em meu sangue, por causa de sua fé e do arrependimento de todos os seus pecados e de sua fidelidade até o fim. Ora, este é o mandamento: Arrependei-vos todos vós, confins da terra; vinde a mim e sede batizados em meu nome, a fim de que sejais santificados, recebendo o Espírito Santo, para comparecerdes sem mancha perante mim no último dia. Em verdade, em verdade vos digo que este é o meu evangelho; e sabeis o que deveis fazer em minha igreja; pois as obras que me vistes fazer, essas também fareis; porque aquilo que me vistes fazer, isso fareis; Portanto, se fizerdes essas coisas, bem-aventurados sois, porque sereis levantados no último dia." (3 Néfi 27:16-22).
                Se formos retos seremos contatos com o povo Dele, mas se não formos retos, não sermos contados. Néfi foi quem melhor explicou isso: "Pois eis que vos digo que todos os gentios que se arrependerem são o povo do convênio do Senhor; e todos os judeus que não se arrependerem serão lançados fora, porque o Senhor não faz convênios a não ser com os que se arrependem e acreditam em seu Filho, que é o Santo de Israel." (2 Néfi 30:2). Assim, se o povo de Israel pecar, será destituído.
                Adoção. Aqueles que não são descendentes de Abraão, ainda sim são filhos de Deus. Para que sejam merecedores das bênçãos do evangelho e venham a ser exaltados precisam guardar os mandamentos. O GEE explica no verbete "Adoção": "A pessoa que não é da linhagem israelita torna-se membro da família de Abraão e da casa de Israel tendo fé em Jesus Cristo, arrependendo-se, sendo batizada por imersão e recebendo o Espírito Santo (2 Né. 31:17–18; D&C 84:73–74; Abr. 2:6, 11)."
                Aprendemos que quando uma pessoa que não é descente de Abraão se batiza é como se seu próprio sangue mudasse - e ela se torna coligada a Israel e herdeira das promessas de salvação da Casa de Abraão.
                Os descendentes literais de Abraão precisam guardar os mandamentos. Sua ascendência peculiar de nada lhes servirá se suas obras forem más. Isso deixou claro João Batista ao confrontar os orgulhosos fariseus (Mateus 3:9).

A Dispersão e a Coligação de Israel
                Quando Israel saiu do Egito, por intermédio do profeta Moisés e adentrou na Terra Prometida, com Josué - as tribos receberam porções especificas de herança. O mapa ao lado demonstra as fronteiras de cada tribo. Com o passar dos anos, devido a iniquidade, os israelitas se dividiram em dois reinos: o Reino do Norte (que passou a ser chamado Israel ou Efraim) e o Reino do Sul (que foi chamado de Judá, por que era a principal tribo). Vários homens e mulheres do Reino do Norte migraram para o Reino do Sul, porque o Reino do Norte entrou em declínio espiritual (II Crônicas 11:12-17, 15:9). O Reino de Israel acabou sendo destruído e 10 tribos foram levadas cativas para o norte. Elas se tornaram perdidas.
                Como bem lembrou Neemias, Moisés havia profetizado: "Se vós transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos" (Neemias 1:8, ver também Deuteronômios 28:25, 37 e 64).O Senhor sacudiu a Casa de Israel entre todas as nações (Amós 9:9).
                O GEE informa: "O Senhor dispersou e fez padecer as doze tribos de Israel, em virtude de sua iniquidade e rebeldia. Entretanto o Senhor também usou esta dispersão do povo escolhido entre as nações de todo o mundo para abençoar essas nações." (Israel - Dispersão de Israel). Lá também é explicado: "A casa de Israel será coligada nos últimos dias, antes da vinda de Cristo. O Senhor reúne os de seu povo, Israel, quando estes o aceitam e guardam os seus mandamentos" (Israel - Coligação de Israel).
                A obra missionária é a obra de coligação. Quando um converso aceita o batismo aceita entrar na família de Abraão e receber às bênçãos de Abraão. No momento do batismo esse converso ratifica sua descendência ou é adotado à família de Abraão, e portanto, é Coligado. O converso também é reconhecido como herdeiro de uma das tribos de Israel. Normalmente é através de uma bênção patriarcal (ver GEE "Benção Patriarcal) que a linhagem é revelada.
                Cada tribo possui bênçãos e deveres comuns e específicos. Os comuns são: guardar os mandamentos, e os específicos são revelados nas escrituras (talvez esse artigo seja de interesse: http://lucasmormon.blogspot.com.br/2012/03/as-tribos-de-israel.html), bênçãos patriarcais e por revelação pessoal. Sabemos que Efraim e Manassés possuem um papel importante nos últimos dias. A eles cabe pregar o evangelho e liderar a Coligação de Israel, primeiro entre os gentios, depois entre os judeus. Mais sobre esse assunto poderá ser tratado adiante. Para não me alongar passemos ao cerne da questão: o casamento entre as tribos.
                O Manual do Aluno do Instituto do Curso do Velho Testamento (Curso 301) possui uma ótima citação, a qual reproduzo: "Ao iniciar o estudo da expansão da linha do convênio, lembre-se de uma coisa. Muitas vezes temos a tendência de generalizar o conceito do que significa um povo do convênio e da herança religiosa recebida por certos grupos de pessoas . Por exemplo, nossa tendência é pensar que os árabes são descendentes de Ismael e Esaú , os judeus descendentes de Judá, os índios americanos e do Pacífico Sul descendentes de Lamã, e assim por diante . De certa forma tais declarações são verdadeiras, porém , através de séculos de casamentos inter-raciais e de conversão ao convênio , a " linhagem sanguínea pura" (um termo impossível de corresponder à realidade) dos diversos ancestrais misturou-se amplamente. Sem dúvida, durante um período de cerca de quatro mil anos, os descendentes de Isaque contraíram matrimônio com os descendentes de Ismael e de outras raças da linhagem de Abraão . Temos conhecimento de que, depois que as dez tribos foram levadas ao cativeiro ,o termo judeu foi usado num sentido nacionalista (com o significado de ser um membro do reino de Judá) e não apenas no sentido tribal (com a conotação de ser um descendente de Judá, filho de Jacó) . Por conseguinte, Leí, que era da tribo de Manassés (Alma 1 0:3), e Ismael e suas filhas , que eram de Efraim, eram judeus, isto é, viviam em Judá.
                No Livro de Mórmon, o termo lamanita é usado no sentido espiritual (significando alguém que apostatou da verdade), bem como para designar os descendentes de Lamã (4 Néfi 1 :38). Um exemplo mais recente de miscigenação sanguínea ocorreu na época em que uma nação inteira, no oitavo século D. C., se converteu ao judaísmo . A maior parte do reino dos khazars, no que conhecemos como Rússia, adotou a religião judaica (veja Encyclopedia Judaica, verbete "Khazars " , Vol . X, pp . 944-47). Muitos judeus modernos da Europa, traçam sua linhagem até os khazars, que antes de 740 D. C. eram gentios .
                Os negros africanos da Etiópia afirmam ser descendentes de Davi , devido ao casamento do rei Salomão com a rainha de Sabá (veja I Reis 10:1-1 3; Encydopedia Judaica, verbete "Etiópia" , VaI. V I , p . 943). Assim sendo, é provável que o sangue de Israel tenha-se espalhado até mesmo pela África.
                Embora hoje em dia existam grupos raciais que poderiam ser considerados predominantemente membros da casa de Israel, ou gentios, é quase certo que o sangue dessas duas linhas possa ser encontrado na maioria dos povos da terra. O mais importante é que o fato de se pertencer ao povo de Israel , ou de ser uma pessoa do convênio, envolve tanto a fidelidade como a linhagem sanguínea. Portanto , como Néfi declarou, são o arrependimento e fé no Unigênito de Israel que determinam se o indivíduo pertence ao convênio (2 Néfi 30:2), um conceito que também foi ensinado por Paulo (Romanos 2:28-29). Em outras palavras, embora a linhagem sanguínea seja um fator significativo, em um indivíduo, a fidelidade ou a falta dela, é o que realmente conta." ("O Convênio continua com Isaque e Jacó", pg. 81)

A Israel Primitiva
                Na Antiga Israel Moisés não proibiu o casamento de um homem que pertencesse a uma tribo com uma mulher que pertencesse a outro, mas criou uma legislação que não o incentivava (Números 36). Isso aconteceu especialmente por razões possessórias. Diferente era o caso de casamentos com pessoas não-israelitas - esse era proibido por questões espirituais (Deuteronômios 7:3-4).
                Explicando sobre Números 36, capítulo que fala sobre o casamento entre as tribos o Manual do Aluno do Instituto do Curso do Velho Testamento (Curso 301), na página 211, diz: "Aqui Moisés trata de um problema prático com que Israel se defrontaria ao iniciar a conquista de Canaã. Tão logo fosse determinada a divisão da terra segundo as tribos, as famílias de cada uma delas deveriam obter uma terra de herança. Se fosse concedido um pedaço de terra a uma mulher solteira, e ela se casasse com um membro de outra tribo, o que provavelmente era bastante comum, então a sua propriedade também passaria a ser de seu marido. Desse modo, outra tribo obteria um pedaço da terra designada pelo Senhor e Moisés à tribo original. Tal situação não ocorreria quando os homens se casassem fora de suas tribos, pois a propriedade ainda permaneceria com a mesma tribo. Moisés e os anciãos previram os problemas potenciais que surgiriam , e criaram uma legislação estabelecendo que as terras de herança não poderiam passar de uma tribo para outra."
                Mais adiante na História de Israel vemos que os israelitas se misturam bastante. Dois exemplos: (1) os filhos de Leí (descendentes de Manassés) casaram-se com as filhas de Ismael (descendentes de Manassés); (2) os filhos de Elimeleque  e Noemi, que eram judeus, casaram-se com Rute e Orfa - moabitas (Rute 1:2-4).
                Devido a um desentendimento (narrado em Juízes 20), as tribos de Israel evitaram casar-se com os descendentes de Benjamim. Essa proibição caiu por terra em 15 de Av de 2487 (na contagem judia). Essa data é comemorada até hoje entre os judeus como se fosse um "dia dos namorados" - embora essa não seja a melhor expressão, pois nesse dia também são lembrados outros episódios de Israel (como a destruição do Templo).

A Israel Moderna e no Milênio
                A Israel de hoje consiste em um povo que preparará o Reino do Messias. Quando Cristo voltar a pedra que esta rolando, vista por Daniel, encherá toda a Terra. Israel será estabelecida não só na Palestina, mas em toda a Terra. Assim, cada tribo será distribuída no mundo inteiro.
                A Coligação espiritual prossegue sem necessidade de uma coligação física em um único lugar. O mandamento de "estender bem as tuas estacas" (Isaías 54:2) esta em vigor - e a Terra inteira será abençoada com representantes da Casa de Israel. No final a Terra inteira será um Reino Celestial (GEE "Terra") - e a herança dos eleitos.

Porque somos adotados ou reconhecidos em uma tribo especifica de Israel?
                Como já falei recebemos certas responsabilidades e certos privilégios ao adentrarmos em uma tribo da Casa de Israel. A maioria dos membros da Igreja hoje são descendentes de Efraim e Manassés  - ou são adotados a uma dessas duas tribos. Isso porque Efraim recebeu a responsabilidade de conduzir ou presidir a Coligação em ambos os lados do véu.
                Efraim recebeu a primogenitura de Israel (I Crôn. 5:1–2; Jer. 31:9). Nos últimos dias essa tribo tem o privilégio e responsabilidade de portar o sacerdócio, levar ao mundo a mensagem do evangelho restaurado e levantar um estandarte a fim de reunir a Israel dispersa (Isa. 11:12–13; 2 Né. 21:12–13). Os filhos de Efraim coroarão de glória os que retornarem dos países do norte nos últimos dias (D&C 133:26–34).Manassés ajudará neste trabalho.
                Encontrar pessoas de outras tribos é raro. Esse é um dos motivos porque as escrituras que dispomos falam mais de Efraim e Manassés - e de sua missão de coligar e construir Sião.
                Se um membro da Igreja pertencer a outra tribo que não seja Efraim e Manassés possui a responsabilidade de, obedecendo Efraim (que estará sempre a testa nesta dispensação) ajudar na coligação de Israel.
                Outras bênçãos especificas são compreendidas, como já falei, por revelação pessoal.

Respondendo a questão.
                Falei tudo isso para responder a uma questão tão curta! Pois é, o contexto era importante. Agora permita-me resumir:
1- Deus ama seus filhos e quer abençoá-los
2- Ele escolheu um povo para derramar suas preciosas bênçãos
3- Esse povo precisa ser fiel, e ajudar outros povos a receberem as mesmas bênçãos
4- O povo escolhido é a descendência de Abraão, através de Isaque e Jacó
5- Jacó teve 12 filhos, as 12 tribos de Israel
6- Quando uma pessoa aceita o evangelho e se batiza passa a fazer parte da família de Abraão - e é adotada ou reconhecida como membro de uma das tribos de Israel.
7- Descobrimos qual tribo pertencemos quando recebemos nossa bênção patriarcal
8- Pertencer a uma tribo significa ter direito a certas bênçãos e receber certas responsabilidades.
                Agora a resposta: Como a questão do casamento era uma regra pontual e especifica da Israel Antiga, essa regra não prevalece hoje (primeiro, porque Israel esta dispersa e não coligada como na antiguidade -e nem restrita a Palestina; segundo, a lei de Moisés foi cumprida no Meridiano dos Tempos).
                Como, no Milênio herdaremos (ou seja, nós, os filhos de Abraão) toda a Terra, não há de se falar em legislação territorial para o casamento entre as tribos. Além disso, sentimentos mesquinhos e de superioridade racial ou tribal não estarão presentes no Milênio, pelo que se faz desnecessário uma regulamentação como existia na lei mosaica.
                A tribo de seu marido é a tribo do seu marido - e ele receberá promessas e bênçãos da tribo a qual pertence. Se a sua tribo for diversa, você receberá deveres e direitos de sua respectiva tribo - a fim de cumprir seu papel na mortalidade.
                Meu pai é de Manassés, minha mãe de Efraim. É razoável que minha mãe deixe de ser efraimita para ser "transferida" para Manassés, por ter escolhido se casar com meu pai? E se ela se cassasse com outro homem da mesma tribo - Efraim? Então não haveria problema? Mas há algum problema afinal? Estamos nós nos tempos de Moisés? Vivemos nos na Palestina? Estamos coligados em um único lugar e recebemos nossa propriedade como herança perpétua na terra da Promissão?
                Minha mãe entrou (seja por adoção ou não) para Efraim quando foi batizada - e o Patriarca, algum tempo depois, lhe abençoou. Nessa ocasião ele, o Patriarca, reconheceu e declarou qual tribo minha mãe já fora adotada. Uma mudança na tribo só seria possível, no meu entendimento, por uma nova ordenança do evangelho. Alguns pensam que o casamento no Templo é essa ordenança. Mas não conheço escritura ou revelação que sustente tal tese. O casamento no templo não tem o condão de alterar a tribo.
                Acredito que recebemos certos deveres e talentos segundo a presciência de Deus que não serão alterados a menos que haja iniquidade. Ademais, uma bênção dada (e adentrar numa tribo de Israel é uma grande bênção) não pode ser revogada - salvo se for por iniquidade.Isso esta de acordo com a Justiça de Deus (D&C 130:20-21).
                A Casa de Deus é uma casa de ordem (D&C 88:119). Quando um patriarca declara a tribo, a pessoa é reconhecida como parte daquela tribo e não perde tal privilégio (salvo se pecar gravemente). Enquanto estivermos na Terra "temos uma obra a executar" (Morôni 9:6), e por isso mesmo precisamos das responsabilidades e direitos de uma tribo especifica. Mas quando nosso trabalho cessar o mesmo não será verdade.
                Evidentemente quando formos exaltados seremos todos participantes do dom celestial e as distinções (inclusive tribais) cessarão. Na realidade isso acontecerá quando Sião for plenamente estabelecida (4 Néfi 1:3).
                Tem também outra coisa: ao ressuscitarmos o sangue deixará de existir, e consequentemente nossa ligação sanguínea, mesmo a ligação por adoção a alguma tribo, cessará. Resistirão, porém, os convênios e os laços familiares selados no Templo pelo Santo Espírito da Promessa. Uma linha de eleitos de Adão até o último homem justo será formada e uma corrente familiar será estabelecida. Todos serão como o Pai - e herdarão tudo o que Ele possui.
                No Reino Celestial - e a propósito, no Casamento Celestial - homem e mulher são sempre iguais, ou em outras palavra, homem e mulher terão deixado sua ascendência mortal e serão "ambos uma só carne" (Gênesis 2:24).

                Finalmente: os eleitos são eleitos, não importando as tribos a qual pertencem enquanto vivem no breve período mortal; os eleitos são eleitos, não importando as diversidades de ministério e as diferentes responsabilidades na Vinha do Senhor que recebam nesta vida; os eleitos são eleitos - e continuarão a sê-lo mesmo que membros próximos de sua própria família sejam de tribos diferentes - porque isso no final não importará (é algo que importa para este tempo, sob certas circunstâncias que comentei).
                Assim a resposta a pergunta - "quando eu, mulher da Igreja, me casar - serei adotada à tribo de meu marido independentemente de pertencer já a outra tribo de Israel?" - é NÃO.

12 de set. de 2012

A Árvore da Vida


               Quando Deus criou a Terra, plantou um Jardim à oriente do Éden para que o homem e a mulher desfrutassem do privilégio de sua presença por um tempo. Neste Jardim animais de todo tipo foram trazidos a Adão e ele os nomeou (Gênesis 2:20). Também havia todo tipo de vegetação, pelo qual deduzimos que Adão também as denominou. Duas árvores especiais foram colocadas no Jardim. Deus chamou uma de árvore do conhecimento do bem e do mal, e outra de árvore da vida (Gênesis 2:8-9). Leí ensinou que às duas árvores eram vitais para que o homem exercesse arbítrio e iniciasse a mortalidade (2 Néfi 2:15-16). A árvore da vida, como o próprio nome sugere concedia imortalidade. E a árvore do conhecimento do bem e do mal possuía um fruto proibido, que se comido, transformaria os corpos vivificados pelo espírito em corpos mortais, de sangue. Adão e Eva podiam comer livremente da árvore da vida, mas não podiam comer da Árvore do bem e do mal. Eles desobedeceram a Deus e se tornaram mortais. Se comessem do fruto da árvore da vida na ocasião de sua transgressão se tornariam imortais, mas impuros - e seriam afastados para sempre da presença de Deus, sem possibilidade de redenção. É por isso que Deus colocou querubins e uma espada flamejante para impedir que Adão e Eva estendessem a mão e vivessem para sempre em seus pecados. Foi concedido um tempo de arrependimento. Quando o homem estivesse pronto, poderia provar do fruto da Árvore da Vida e desfrutar, com um corpo imortal, da presença de Deus (Alma 42:5, 8 - a leitura do capítulo todo é fortemente recomendada).
                Quando Leí teve uma visão do Plano de Salvação viu uma árvore a qual Néfi chamou de Árvore da Vida (1 Néfi 15:36). Essa Árvore possuía frutos brancos e deliciosos que enchiam o corpo e o espírito de alegria intensa (1 Néfi 8:11-12). Néfi, que teve a mesma visão que Leí (seu pai), aprendeu que o significado dessa árvore era o amor de Deus (1 Néfi 11:21-22, 25). A Árvore da Vida portanto é símbolo da Expiação de Jesus Cristo.
                Assim, a Árvore da Vida representa a santificação advinda do poder do Salvador, porque é pelo sangue de Cristo que somos santificados (Moisés 6:60). Essa santificação elimina a culpa e a dor, enche a alma de alegria e salva e exalta os filhos de Deus (Helamã 3:35). É possível, porém, que aqueles que provaram desse fruto se envergonhem de Cristo e caiam da graça e apertem-se do Deus vivo, por caminhos desconhecidos (1 Néfi 8:28, 33).
                Por todas essas considerações verificamos que só comemos o fruto da árvore da vida quando vencemos. E só vencemos depois de ter percorrido o caminho estreito e apertado, no meio da névoa de escuridão (1 Néfi 8:23-24, 30). Comer o fruto é receber a palavra mais segura de profecia - que é ter a exaltação confirmada (D&C 131:5). Como a barra de ferro é a palavra de Deus (1 Néfi 11:25) e o caminho estreito e apertado são os convênios e ordenanças[1], nosso empenho em agarrar com firmeza a barra de ferro e caminhar com resolução nos conduz tão somente ao chamado e eleição (GEE "Vocação e Eleição"). Isso deixa claro o que João quis dizer em Apocalipse 2:7: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus."



[1] O caminho estreito e apertado é o casamento, disse o Presidente Harold B. Lee (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Harold B. Lee, pg. 111). Antes do casamento no Templo, entretanto, há outros convênios e ordenanças. O primeiro é o batismo. Por isso chamamos o batismos de primeiro convênio ou a porta (2 Néfi 31:17). Podemos resumir os requisitos para salvação, que formam o caminho estreito e apertado, da seguinte maneira: (1) fé em Jesus Cristo e (2) arrependimento, (3) batismo, (4) recebimento do dom do Espírito Santo (batismo de fogo) e perseverança até o fim. Perseverar até o fim é (5) receber o sacerdócio (somente os homens), (6) casar-se no Templo e (7) continuar a guardar os mandamentos até que o Senhor nos justifique, santifique e nos sele para exaltação. O casamento sem a perseverança é vão, pois o Santo Espírito da Promessa retirará o selo aprovador e não haverá validade por conta da iniquidade.

27 de abr. de 2011

Pobreza e Riqueza

O Senhor disse que nunca deixaria de haver pobres na Terra (Deuteronômio 15:11). Para inteligências que tem o potencial de se tornarem iguais ao Pai Celestial, um ser Supremo que possui todas as coisas (João 17:10), a provação mortal inclui privações físicas e materiais. Uma das definições de Vida Eterna é a de possuir tudo o que o Pai possui (D&C 84:38). Para estar preparado para tão grande bênção seus filhos devem aprender o verdadeiro valor das coisas, bem como a dependência ou confiança que se precisa ter em Deus (Sofonias 3:12). A pobreza material ensina essas e outras preciosas lições, que de outro modo seriam difíceis de serem compreendidas. O próprio Salvador foi um homem pobre quanto as coisas do mundo. Ele advertiu seus seguidores contra o apego aos bens materiais e disse que não se podia desejar as riquezas mundanas e ao mesmo tempo amar a Deus (Mateus 6:24). O tesouro do Senhor não é ouro nem prata (Mateus 10:9). É antes uma bênção tal que não há lugar suficiente para recebê-la (Malaquias 3:10). Um pobre humilde que vem a Deus tem a promessa de herdar o reino dos céus. Por isso é rico.
                Evidentemente a pobreza material não é atributo intrínseco dos discípulos de Cristo. Nem a riqueza caracteriza sempre os que não amam a Deus. Abraão, Jacó, José, Jó, Leí, Isaías, Amuleque, Paulo e muitos outros profetas e homens santos das escrituras eram ricos e influentes na sociedade. Todavia seu coração não estava nas riquezas, eles amavam a Deus de todo o coração - e se Deus exigisse que se despojassem de todo sua fortuna eles o fariam sem demora - inclusive muitos deles o fizeram, consagrando tudo o que tinham (por exemplo, Leí em 1 Néfi 1-2).
                A riqueza pode ampliar o serviço cristão em muitos sentidos. Mas pode ser uma pedra de tropeço se estiver aliada ao orgulho. A nação nefita caiu porque era orgulhosa, e se tornou orgulhosa devido a sua prosperidade imensa (4 Néfi 24-40; Morôni 8:27).
                Assim, pode ter acontecido com a Igreja de Esmirna (Apocalipse 2), que o Senhor os tenha provado na pobreza para que se tornassem humildes (Alma 32:6). As aflições podem nos convidar, e comumente nos convidam, para mais perto do Senhor. Os que são humildes qualificam-se para entrar e permanecer no caminho que leva a Vida Eterna, o maior dom de Deus (D&C 6:13) - que vale infinitamente mais do que todos os tesouros da Terra.

29 de dez. de 2010

Vida pré-mortal: Eternidade e Inteligências

Não começamos a existir com o nascimento. E também não terminaremos a vida com a morte. O Senhor explicou isso a Abraão: “[os espíritos] não tiveram princípio; eles existiam antes, eles não terão fim, eles existirão depois, pois são gnolaum, ou seja, eternos” (Abraão 3:18).

O profeta Joseph Smith representou a eternidade dos espíritos de maneira brilhante: “Tiro meu anel do dedo e o comparo à mente do homem: a parte imortal, porque não tem princípio. Suponham que o cortemos em dois; então ele passa a ter um princípio e um fim; mas se os unirmos de novo ele volta a ser um círculo eterno. O mesmo acontece com o espírito do homem. Tal como vive o Senhor, se ele tivesse um princípio, teria um fim. Todos os homens tolos, instruídos e sábios desde o princípio da criação que dizem que o espírito do homem teve um princípio provam que ele deve ter um fim; e se essa doutrina é verdadeira, então a doutrina da aniquilação também seria verdadeira. (...) Todas as mentes e espíritos que Deus enviou ao mundo são capazes de progredir. Os primeiros princípios do homem são auto-existentes com Deus” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja – Joseph Smith, capítulo 17 – “O Grande plano de Salvação”, pg. 219).
Quando as escrituras falam “no princípio” ou “antes da fundação do mundo” ou mesmo “fundação do mundo” estão referindo-se a vida pré-mortal. Muitos eventos sumamente importantes aconteceram naquele primeiro estado.
Sabemos que éramos inteligências e que fomos gerados por Deus, ganhando um corpo espiritual. Devo ser cuidadoso agora para explicar claramente essa frase: “éramos inteligências...” Primeiro por que muitos têm especulado sobre o assunto criando mais confusão do que entendimento. Quando falo Inteligência não estou falando, obvio, somente de capacidade intelectual. Estou falando da luz e verdade de Deus (D&C 93:29). Nas escrituras há três significados mais relevantes para o termo inteligência: (1) a luz de Cristo – que dá vida a todas as cosias; (2) os filhos espirituais de Deus; (3) “elemento-espírito espírito que existia antes de sermos gerados como filhos espirituais” (GEE “Inteligência(s)”).
Para ser franco, mesmo com todas as escrituras que temos disponíveis pouco nos foi revelado do que realmente consistem as inteligências no terceiro sentido apontado acima. Eu e você somos inteligências. Os animais do campo e as árvores também são inteligências. Essa Terra e tudo que nela há são inteligências. Todos éramos um elemento-espírito antes de ganharmos um corpo espiritual. Ainda somos todos inteligências por sermos eternos e termos direito a luz de Cristo.
O Senhor reina sobre todas as inteligências (Abraão 3:21). E as inteligências não podem ser criadas nem feitas (D&C 93:29). Em sua esfera (isto é, dentro de certos parâmetros ou limites) toda inteligência é independente para agir, pois sem isso não há existência (D&C 93:30). Sobre isso o profeta Joseph Smith ensinou mais: “(...) Posso proclamar com destemor do alto dos telhados que Deus nunca teve de maneira alguma o poder para criar o espírito do homem. O próprio Deus não poderia criar a Si mesmo. A inteligência é eterna e baseia-se em um princípio auto-existente. É um espírito de era em era, e não houve uma criação envolvida. (...) O próprio Deus, vendo que estava em meio a espíritos e glória, porque era mais inteligente, considerou adequado instituir leis por meio das quais eles poderiam ter o privilégio de progredir como Ele próprio. O relacionamento que temos com Deus nos coloca em condições de avançar em conhecimento. Ele tem poder para instituir leis para instruir as inteligências mais fracas, para que possam ser exaltadas com Ele mesmo, de modo a terem glória sobre glória e todo o conhecimento, poder, glória e inteligência exigidos para salvá-las (...).”
Inteligência é luz e verdade – essa é a definição das escrituras (D&C 93:29, 36). Verdade é o conhecimento do que foi, do que é e do que será. Luz é a energia, poder ou influência divina (GEE “Luz, Luz de Cristo”). Quanto mais luz e verdade obtemos mais inteligentes ficamos. A Glória de Deus é inteligência (D&C 93: 36). Glória é quantum de luz e verdade: quanto mais glória, mais inteligência há. Deus é cheio de glória – é cheio de luz e verdade. De fato, Ele é o mais inteligente entre todas as inteligências (Abraão 3:19). Ele conhece todas as coisas e tem todo poder (2 Néfi 2:24, D&C 19:3). Quanto mais nos aproximamos de Deus mais luz e verdade recebemos, mais inteligentes nos tornamos.
Neste ponto, alguns poderiam se perguntar: se Deus tem todo poder, como o Profeta Joseph Smith ensinou que Deus não pode “criar” inteligências – não seria essa uma contradição?
Tratarei do assunto dos atributos de Deus no futuro. Entretanto tanto para a resposta que darei, quanto para o assunto das inteligências quanto para vários outros temas que o Senhor, em sabedoria decidiu não nos revelar completamente, advirto: somos, enquanto na mortalidade, seres finitos e não podemos compreender o infinito a menos que nossos olhos sejam abertos – como dos antigos profetas. De fato, se entendêssemos tudo na condição frágil que estamos isso seria uma prova que Deus é frágil como nós.

7 de jun. de 2010

Os Mistérios de Deus e a Doutrina Profunda

Gostaria de sugerir uma diferença entre os Mistérios de Deus e a doutrina profunda. Nas aulas da Igreja, e nas conversas sobre o evangelho às vezes encontramos a expressão doutrina profunda. Ela sempre esta associada há algo pouco conhecido, pouco citado nos discursos das autoridades gerais, e bem pouco mencionado nas obras-padrão. Não encontramos a expressão doutrina profunda nas escrituras. Mas encontramos mistérios de Deus (1 Néfi 10:19) ou segredo de Deus (Amós 3:7).
O Guia de Estudo das Escrituras define mistérios de Deus como “verdades espirituais que só podem ser conhecidas por revelação” (GEE Mistérios de Deus). A doutrina profunda pode ser entendida como os dogmas ocultos e secretos que poucos conhecem ou entendem.

Qual a diferença entre mistérios de Deus e Doutrina profunda?
Os mistérios de Deus só são conhecidos por revelação. A doutrina profunda é encontrada por especulação. Não é fácil conhecer os mistérios de Deus – há necessidade de limpeza de mãos e pureza de coração (tanto as obras da fé quanto as intenções do coração devem ser justas).
É razoavelmente fácil desvendar-se as doutrinas profundas – basta curiosidade, imaginação e extremo anseio por algo misterioso. Os mistérios de Deus sempre edificam (D&C 6:11), as doutrinas profundas sempre causam contendas e divergências de opiniões (Helamã 11:22-23). Os mistérios de Deus emanam, como o nome sugere, de Deus. Mas as doutrinas profundas são quase sempre meias-verdades – escrituras puras corrompidas com filosofias de homens. A doutrina profunda é motivada por Satanás, porque causa erro (3 Néfi 11:28-29). É uma das ferramentas de quem pratica artimanha sacerdotal (2 Néfi 26:29). Os mistérios de Deus são essenciais para exaltação. Eles são conhecidos somente se Deus permitir ao que exercita fé, faz boas obras sem cessar, se arrepende e ora com real intenção (Alma 26:22). Eles são revelados pelo Santo Espírito de Deus (D&C 90:14, D&C 121:45-46) – raramente são mencionados nas escrituras e na fala dos profetas – porque estes são instrumentos para se obter os mistérios. Eles não estão disponíveis no mundo (Jacó 4:8, D&C 42:65, Mateus 13:11). Entretanto muito desses mistérios são reservados aos santos que sobem à Casa de Deus (D&C 105:12, 18; 110). Lá é ensinado o caminho para perfeição, o mistério da Divindade (D&C 19:10; 84:19-22).
Quero dar alguns exemplos de doutrina profunda: “O que vem a ser, e qual a diferença entre curelons e cumons?”; “Qual a temperatura de um corpo celestial?”; “Adão tinha umbigo?”; “Onde esta a espada de Labão?”
Embora essas perguntas sejam interessantes e até instigantes, as repostas não são essenciais para exaltação, nem edificarão os atributos de Cristo necessários para viver com Deus. Os mistérios de Deus são verdades preciosas muito mais recompensadoras, por exemplo:
“Como posso assegurar minha vida eterna ao lado de Deus?”; “Qual o significado dos símbolos do sacerdócio?”; “Como a Expiação pode ajudar-me neste momento de extrema dificuldade?”; “Quem é o Espírito Santo e como ele pode revelar-me tal verdade?”
Os mistérios de Deus sempre conduzem a ação justa. Eles sempre nos tornam mais parecidos com Deus. Devemos buscá-los. Mas não é útil buscar conhecer doutrinas profundas que causarão bagunça na mente e apostasia no coração.
Gosto muito da história da conversa entre Cristo e a mulher Samaritana em João 4. Lá há uma clara distinção entre uma doutrina profunda e um mistério de Deus. A mulher, reconhecendo que Jesus tinha dons especiais quis saber onde ela deveria adorar: se em Jerusalém ou em sua própria terra (João 4:19-20). Aquela questão já causara muitos alardes e confusão entre judeus e samaritanos. Cristo propôs algo muito mais importante: o Pai estava buscando os verdadeiros adoradores. Este mistério ele viera revelar. Tão logo Jesus falou sobre o Pai, que era Espírito, ou se importava com as coisas do Espírito – era espiritual (João 4:21-24), ela disse: “Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier nos ensinará tudo” (João 4:25). Jesus Cristo revelou que ele era Jeová e o messias prometido (João 4:26). A revelação daquele mistério gerou a conversão e não a contenda. Os mistérios levam às águas vivas (João 4:14). E aquele tipo de mistério podia ser divulgado. Há outros que não o devem.

Como aprender os mistérios de Deus e qual sua importância?
“É dado a muitos conhecer os mistérios de Deus; é-lhes, porém, absolutamente proibido divulgá-los, a não ser a parte de sua palavra que ele concede aos filhos dos homens de acordo com a atenção e diligência que lhe dedicam. E, portanto, aquele que endurecer o coração receberá a parte menor da palavra; e o que não endurecer o coração, a ele será dada a parte maior da palavra, até que lhe seja dado conhecer os mistérios de Deus, até que os conheça na sua plenitude. E aos que endurecerem os corações, a eles será dada a menor parte da palavra, até que nada saibam a respeito de seus mistérios; e serão daí escravizados pelo diabo e levados por sua vontade à destruição. Ora, é isto o que significam as correntes do inferno” (Alma 12:9-11).
Os mistérios de Deus levam a vida eterna (D&C 6:7). Deixar de aprendê-los é o mesmo que deixar-se ser amarrado por Satanás (2 Néfi 1:21-27).
É preciso ter a confiança de Deus. Ele é misericordioso e deseja revelar seus mistérios a seus filhos (D&C 76:5-10). De fato, ele o faz abundantemente. Todavia há requisitos. Se um mistério for revelado sem que os requisitos sejam atingidos não há benção – há maldição (Jacó 4:14). Se recebêssemos todos os mistérios com nossa mente finita, neste instante, apostataríamos – pois não podemos suportar tudo agora (D&C 50:40, 78:18, 136:37). O Senhor se revela linha sobre linha, preceito sobre preceito (2 Néfi 28:30). Quando ele o faz exige que seu segredo seja mantido em sigilo (Alma 12:9). Isso para que haja salvação, em vez de condenação (João 16:12). Seu segredo é para os que o temem (Provérbios 3:32). Esse conhecimento é essencial para vida eterna e felicidade sem fim (D&C 11:7, 42:61; 2 Néfi 9:43).
Aprendemos esses mistérios tendo um desejo forte (Alma 29:4, Salmos 37:4, 1 Néfi 10:19). Pedindo com real intenção (Moroni 10:3-5). Guardando os mandamentos (D&C 63:23). Tendo paciência para aguardar a resposta e esperança de que um dia receberemos o entendimento. Vigiando e orando (3 Néfi 18:15), ou em outras palavras, prestando atenção à revelação, estando em espírito de oração. Freqüentando lugares santos. Sendo gratos e humildes. Pedindo mais. Examinando com diligência as obras-padrão (João 3:39, Alma 17:2-3) e palavras dos profetas vivos (Mosias 2:9). Também atentar para as interações com as pessoas e com a Criação. Não revelando o que já recebemos a menos que o Espírito indique (ver também D&C 88: 49-86).

“Que poder deterá os céus? Seria tão inútil o homem estender seu braço débil para deter o rio Missouri em seu curso ou fazê-lo ir correnteza acima, como o seria impedir que o Todo-Poderoso derramasse conhecimento do céu sobre a cabeça dos santos dos últimos dias” (D&C 121:33).
A vida eterna é conhecer a Deus e a Jesus Cristo (João 17:3). Esse conhecimento vem por revelação. Satanás esforçasse muito para que a comunicação sagrada seja interrompida. Ele cria desvios e distrações para que os mistérios não nós sejam revelados. Se não entendermos a verdade seremos aprisionadas por ele. Se nos contentarmos em conclusões especulativas pecaremos. É muito melhor, como Joseph Smith disse, olhar para o céu e compreender em cinco minutos, mais do que tudo o que foi escrito sobre o assunto.
Eu sei que há mistérios ocultos e sagrados.Sei disso, porque já recebi alguns deles. Evidentemente eu não os revelo neste blog! Nem ouso comentar sobre eles nas aulas e conversas. Às vezes, por inspiração de Deus eu os compartilho – e eles sempre edificam. Nessas ocasiões freqüentemente recebo mais deles. Sei como recebê-los. Não há nada que o Senhor não saiba. Tão logo eu esteja pronto compreenderei tudo, tal como Ele. E nessa ocasião terei Vida Eterna. Sei disso.