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1 de mar. de 2012

"Se não há Cristo, não há Deus"


                Néfi, após citar as palavras do discurso de seu irmão Jacó, sobre o Plano de Salvação, disse que se deleitava em comprovar a seu povo que sem a vinda de Cristo, todos os homens pereceriam. Então ele afirma: "Porque se não há Cristo não há Deus, e se não há Deus não existimos, porque não poderia ter havido criação" (2 Néfi 11:7). É uma declaração forte, especialmente para os que não são cristãos. Ponderei como Néfi chegou a essa conclusão e escrevi o que se segue.

                Muitos no mundo acreditam em um Deus Supremo. Alguns crêem que há um "Grande Espírito" que criou todas as coisas (Alma 18:4, 22:11), não obstante pensam que tudo que fazem é certo (Alma 18:5). Outros acreditam em muitos deuses (Juízes 2:12), sendo alguns deles mais poderosos que outros (I Reis 20:23) ou um deles o principal (Jeremias 11:13). Outros são agnósticos e outros ateus (Alma 30:36-37). Há ainda aqueles que acreditam em um Deus bondoso, perfeito e que é seu Pai Eterno - mas negam Cristo, dizendo que "não é razoável que venha alguém como um Cristo; se vier e ele for Filho de Deus, o Pai do céu e da Terra, conforme anunciado, porque não aparecerá a nós, assim como àqueles que [estiveram] em Jerusalém?" (Helamã 16:18).
                É evidente que para compreender a afirmação de Néfi deve-se ter na mente e no coração tudo o que ele escreveu ou fez com que fosse escrito em seus dois livros (1 Néfi e 2 Néfi) - afinal sua frase "se não há Cristo, não há Deus" é a conclusão de um pensamento que foi forjado dês do inicio e seu registro. Deve-se ler com sinceridade e desejo de aprender as coisas de Deus, deve-se mergulhar nas escrituras com coração sincero e real intenção. Não obstante, uma leitura secular (porém profunda) dos livros de Néfi já é suficiente, ao menos para provar, porque, para Néfi, sem Cristo não pode haver Deus.
1.       A existência de Deus. Deus vive. Esse conhecimento Néfi recebeu de seu pai Leí, que disse: "existe um Deus e ele criou todas as coisas, tanto os céus como a Terra e tudo que neles há, tanto as coisas que agem como as que recebem a ação." Leí também incutiu em seus filhos que "se não existe Deus, nós também não existimos nem a Terra; pois não poderia ter havido criação nem para agir nem para receber a ação; portanto, todas as coisas teriam desaparecido" (2 Néfi 2:13-14). Néfi não dependeu do testemunho de seu pai. Ele buscou aprender sobre Deus e seus mistérios. Ele contou: "E aconteceu que eu, Néfi, sendo muito jovem, embora de grande estatura, e tendo também grande desejo de saber dos mistérios de Deus, clamei, portanto, ao Senhor; e eis que ele me visitou e enterneceu meu coração, de maneira que acreditei em todas as palavras que meu pai dissera; por esta razão não me revoltei contra ele, como meus irmãos." (1 Néfi 2:16) Néfi aprendeu que o Deus de seu pai Leí não apenas era um ser real, glorioso e poderoso - sentado em um trono e rodeado de luz e anjos (1 Néfi 1:8) - mas que era Seu Pai Celestial que "criou a Terra para que fosse habitada; e criou seus filhos para que a habitassem" (1 Néfi 17:36), e que Ele amava "os que o tomam por Deus" (1 Néfi 17:40). A fé e confiança de Néfi em Deus era tão grande que ele realizava milagres pelo poder que havia recebido de Deus (1 Néfi 4, 1 Néfi 16-18), de fato ele disse: "Se Deus me tivesse ordenado que fizesse todas as coisas, poderia fazê-las. Se ele me ordenasse que dissesse a esta água: Converte-te em terra, ela se converteria; e se eu o dissesse, assim seria feito" (1 Néfi 17:50)
2.       O caráter de Deus. Néfi não apenas acreditava em um Ser Superior, mas entendia os atributos deste Ser. Ele aprendera algo muito importante sobre a condescendência de Deus (1 Néfi 11:16-22). Ele disse: "sei que Deus ama seus filhos" (1 Néfi 11:17). Depois ele registrou as palavras de seu profeta favorito: "Pois pode uma mulher esquecer o filho que está amamentando e deixar de sentir compaixão do filho de suas entranhas? Sim, pode esquecer; eu, porém, não te esquecerei, ó casa de Israel. Eis que te tenho gravada nas palmas de minhas mãos; teus muros estão continuamente diante de mim." (1 Néfi 21:15-16)
3.       O Plano de Salvação. Por amar seus filhos, Deus lhes dá mandamentos e faz com eles convênios (1 Néfi 17:40). Esses mandamentos e convênios permitem que os filhos de Deus recebem alegria nesta vida e felicidade eterna no mundo vindouro. O Plano de Salvação foi dado a Leí através de simbolismo - a famosa "Visão da Árvore da Vida" (1 Néfi 8) [1]. Néfi também teve essa visão e aprendeu o significado dos símbolos (1 Néfi 11-15). Ele aprendeu que a Árvore da Vida "é o amor de Deus, que se derrama nos corações dos filhos dos homens; é, portanto, a mais desejável de todas as coisas" (1 Néfi 11:22). Deus colocou Adão e Eva na Terra. Eles escolheram iniciar a mortalidade, em um evento que chamados de Queda, que tornou todos os homens decaídos.  "A queda veio em razão da transgressão [de Adão e Eva]; e porque os homens se tornaram decaídos, foram afastados da presença do Senhor (2 Néfi 9:6). Essa Queda fazia parte do Plano de Deus, porque se "Adão não houvesse transgredido, não teria caído, mas permanecido no jardim do Éden. E todas as coisas que foram criadas deveriam ter permanecido no mesmo estado em que estavam depois de haverem sido criadas; e deveriam permanecer para sempre e não ter fim. E [Adão e Eva] não teriam tido filhos; portanto teriam permanecido num estado de inocência, não sentindo alegria, por não conhecerem a miséria; não fazendo o bem, por não conhecerem o pecado. Mas eis que todas as coisas foram feitas pela sabedoria daquele que tudo conhece. Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria." (2 Néfi 2:22-25). A Queda de Adão e Eva trouxe a morte física ao mundo e também o pecado (porque Adão e Eva passaram a conhecer o mal). Mas felizmente o Messias veio "na plenitude dos tempos para redimir da queda os filhos dos homens. E porque foram redimidos da queda tornam-se livres para sempre, distinguindo o bem do mal; para agirem por si mesmos e não para receberem a ação, salvo se for pelo castigo da lei no grande e último dia, segundo os mandamentos dados por Deus. Portanto os homens são livres segundo a carne; e todas as coisas de que necessitam lhes são dadas. E são livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo; pois ele procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio" (2 Néfi 2:26-27). O Salvador Jesus Cristo é o Messias porque veio ao mundo e entregou sua vida para salvá-lo, conforte todos os profetas pregaram. O Sacrifício de Cristo chama-se Expiação. O irmão de Néfi explicou: "E ele [Jesus Cristo] vem ao mundo para salvar todos os homens, se eles derem ouvidos a sua voz; pois eis que ele sofre as dores dos homens, sim, as dores de toda criatura vivente, tanto homens como mulheres e crianças, que pertencem à família de Adão. E ele sofre isto para que todos os homens ressuscitem [ou seja, vençam a morte física], para que todos compareçam diante dele no grande dia do julgamento. E ordena a todos os homens que se arrependam e sejam batizados em seu nome, tendo perfeita fé no Santo de Israel, pois do contrário não poderão ser salvos no reino de Deus. E se não se arrependerem, não acreditarem em seu nome, não forem batizados em seu nome nem perseverarem até o fim, serão condenados, pois o Senhor Deus, o Santo de Israel, disse-o. Ele deu, portanto, uma lei (...)" (2Néfi 9:21-25). A expiação proporciona dois dons: um incondicional (que é a ressurreição), e outro condicional (que é o perdão, a remissão dos pecados, a santificação) Quando o Plano de Deus é considerado vemos "quão grandes são os convênios do Senhor e quão grande é sua condescendência para com os filhos dos homens" (2 Néfi 9:53). Na realidade, sentimo-nos amimados e felizes, porque percebemos que somos livres para agir por nós mesmos - para escolher o caminho da vida eterna. O que temos que fazer? Tão somente nós reconciliarmos com Deus, com a vontade de Deus (cumprindo suas leis) e lembrar que é somente pelo poder expiatório de Cristo que seremos salvos (2 Néfi 10:23-25). "Possa Deus, portanto, levantar-vos da morte pelo poder da ressurreição e também da morte eterna (que é o pecado), pelo poder da expiação, a fim de que sejais recebidos no eterno reino de Deus para louvá-lo pela graça divina" (2 Néfi 2:25). Expliquei brevemente sobre o plano de salvação na seguinte postagem: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/04/resumo-do-plano-eterno-de-deus.html (Ver também http://lucasmormon.blogspot.com/2010/05/expiacao.html)
4.       Oposição. Néfi sabia que havia uma oposição ao bem e ao justo. Essa oposição, no caso de Néfi, se manifestava no seio de sua própria família. Seus irmãos procuram em diversas ocasiões matá-lo. A oposição ao bem e a verdade é um prova de que existe um Deus e um Salvador: "Porque é necessário que haja uma oposição em todas as coisas. Se assim não fosse (...) não haveria retidão, nem iniqüidade, nem santidade, nem miséria, nem bem, nem mal. Portanto é preciso que todas as coisas sejam reunidas em uma; pois se fossem um só corpo, deveriam permanecer como mortas, não tendo vida nem morte, nem corrupção nem incorrupção, nem felicidade nem miséria, nem sensibilidade nem insensibilidade. Portanto teriam sido criadas em vão; portanto não haveria propósito na sua criação. Portanto isso destruiria a sabedoria de Deus e seus eternos propósitos, assim como o poder e a misericórdia e a justiça de Deus. E se disserdes que não há lei, direis também que não há pecado. E se disserdes que não há pecado, direis também que não há retidão. E não havendo retidão não há felicidade. E não havendo retidão nem felicidade não haverá castigo nem miséria. E se estas coisas não existem, não existe Deus. E se não existe Deus, nós também não existimos nem a terra; pois não poderia ter havido criação, nem para agir nem para receber a ação; portanto, todas as coisas inevitavelmente teriam desaparecido" (2 Néfi 2:11-13). A realidade da oposição nos faz perceber a necessidade de buscarmos Deus e o poder expiatório de Jesus Cristo. Néfi fez isso. De maneira poética ele disse:  "Eis que minha alma se deleita nas coisas do Senhor; e meu coração medita continuamente nas coisas que vi e ouvi. Não obstante, apesar da grande bondade do Senhor, mostrando-me suas grandes e maravilhosas obras, meu coração exclama: Oh! Que homem miserável sou! Sim, meu coração se entristece por causa de minha carne; minha alma se angustia por causa de minhas iniqüidades. Estou cercado por causa das tentações e pecados que tão facilmente me envolvem!  E quando desejo alegrar-me, meu coração geme por causa de meus pecados; não obstante, sei em quem confiei. Meu Deus tem sido meu apoio; guiou-me através de minhas aflições no deserto e salvou-me das águas do grande abismo. Encheu-me com seu amor até consumir-me a carne. Confundiu meus inimigos, fazendo-os tremer diante de mim. Eis que ele ouviu meu clamor durante o dia, e deu-me conhecimento por meio de visões, durante a noite. Durante o dia eu ousadamente lhe dirigi fervorosa oração; sim, elevei minha voz; e anjos desceram e serviram-me. E sobre as asas de seu Espírito meu corpo foi arrebatado até montanhas muito altas. E meus olhos contemplaram grandes coisas, sim, demasiadamente grandes para o homem; fui, portanto, proibido de escrevê-las. Oh! Então se vi coisas tão grandes, e se o Senhor, em sua benevolência para com os filhos dos homens, visitou os homens com tanta misericórdia, por que, pois, deveria meu coração chorar e minha alma padecer no vale da tristeza e minha carne definhar e minhas forças diminuírem por causa de minhas aflições? E por que eu cederia ao pecado por causa de minha carne? Sim, por que sucumbiria a tentações, para que o maligno tivesse lugar em meu coração a fim de destruir minha paz e afligir minha alma? Por que estou irado por causa de meu inimigo? Desperta, minha alma! Não te deixes abater pelo pecado. Regozija-te, ó meu coração, e já não dês lugar ao inimigo de minha alma. Não te ires outra vez por causa de meus inimigos. Não enfraqueças minhas forças por causa de minhas aflições. Regozija-te, ó meu coração; e clama ao Senhor, dizendo: O' Senhor, eu te louvarei para sempre! Sim, minha alma se regozijará em ti, meu Deus e rocha de minha salvação. Ó Senhor, redimirás minha alma? Livrar-me-ás das mãos de meus inimigos? Far-me-ás tremer à vista do pecado? Que as portas do inferno estejam constantemente fechadas diante de mim, porque meu coração está quebrantado e contrito o meu espírito. O' Senhor, não me feches as portas da tua justiça, para que eu ande na senda do vale profundo, para que eu seja firme no caminho plano. Ó Senhor, rodeia-me com o manto da tua justiça! Ó Senhor, prepara um caminho para a minha fuga diante de meus inimigos! Endireita a minha vereda diante de mim. Não ponhas em meu caminho uma pedra de tropeço, mas limpa-o e não obstruas o meu caminho, mas sim os caminhos de meus inimigos. Ó Senhor, confiei em ti e em ti confiarei sempre. Não porei minha confiança no braço de carne, pois sei que aquele que confia no braço de carne é maldito. Sim, maldito é aquele que confia no homem, ou seja, que faz de carne o seu braço. Sim, sei que Deus dará com liberalidade ao que pedir. Sim, meu Deus dar-me-á se eu não pedir impropriamente; portanto levantarei minha voz a ti; sim, clamarei a ti, meu Deus, rocha de minha retidão. Eis que minha voz eternamente ascenderá a ti, minha rocha e meu Eterno Deus. Amém" (2 Néfi 4:16-35). (ver também: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/05/busca-arbitrio-e-justica-de-deus.html)
5.       As testemunhas. Néfi explicou que Deus estabelece sua palavra por pelo menos três testemunhas. "Não obstante, Deus envia mais testemunhas e ele confirma todas as suas palavras" (1 Néfi 1:3). Assim uma das maiores provas da existência de Deus é a declaração de vários profetas do passado e da modernidade (Alma 30:44). Essas testemunhas especiais conhecem o Salvador. Néfi viu seu Redentor, assim como seu irmão Jacó e o profeta Isaías (1 Néfi 11:2-3). Graças ao testemunho dos profetas podemos adquirir nosso próprio testemunho, invocar o nome do Senhor e ser salvos (Romanos 10:13-17, D&C 46:13-14). (Ver também: http://lucasmormon.blogspot.com/2012/01/o-que-e-um-apostolo.html, http://lucasmormon.blogspot.com/2010/05/o-dom-de-crer-e-saber-que-jesus-e-o.html)
6.       A lei de Moisés e outros símbolos. Néfi declarou: "Eis que minha alma se regozija em confirmar a meu povo a veracidade da vinda de Cristo; pois para este fim foi dada a lei de Moisés; e todas as coisas que foram dadas por Deus aos homens, desde o começo do mundo, são símbolos dele" (2 Néfi 11:4). O próprio Salvador disse: "E eis que todas as coisas têm sua semelhança e todas as coisas são criadas e feitas para prestar testemunho de mim, tanto as coisas materiais como as coisas que são espirituais; coisas que estão acima nos céus e coisas que estão na Terra e coisas que estão dentro da terra e coisas que estão embaixo da terra, tanto acima como abaixo: todas as coisas prestam testemunho de mim." (Moisés 6:63). Abinádi explicou a um grup ode sacerdotes iníquos: "E agora, dissestes que a salvação se alcança pela lei de Moisés. Digo-vos que ainda é preciso que guardeis a lei de Moisés; mas digo-vos que chegará o tempo em que não mais será necessário guardar a lei de Moisés. E digo-vos mais ainda, que a salvação não se alcança somente pela lei; e, se não fosse pela expiação que o próprio Deus fará pelos pecados e iniqüidades dos de seu povo, eles inevitavelmente pereceriam, apesar da lei de Moisés. E agora vos digo que foi necessário dar uma lei aos filhos de Israel, sim, uma lei muito severa; porque eram um povo obstinado, rápido para cometer iniqüidades e vagaroso para lembrar-se do Senhor seu Deus. Portanto uma lei lhes foi dada, sim, uma lei de ritos e de ordenanças, uma lei que deveriam observar rigorosamente, dia a dia, para conservarem viva a lembrança de Deus e de seu dever para com ele. Mas eis que vos digo que todas essas coisas eram símbolos de coisas futuras. Ora, entendiam eles a lei? Digo-vos que não; nem todos entendiam a lei; e isso por causa da dureza de seus corações; porque não compreendiam que ninguém poderia ser salvo, a não ser pela redenção de Deus. Pois eis que não lhes profetizou Moisés acerca da vinda do Messias e que Deus redimiria o seu povo? Sim, e mesmo todos os profetas que profetizaram desde o princípio do mundo - não falaram eles mais ou menos a respeito destas coisas? Não disseram eles que o próprio Deus desceria entre os filhos dos homens e tomaria a forma de homem e andaria com grande poder sobre a face da terra? Sim, e não disseram também que ele proporcionaria a ressurreição aos mortos e que ele próprio seria oprimido e afligido?" (Mosias 13:26-35). (Ver também http://lucasmormon.blogspot.com/2010/04/moises-659-60-nascer-de-novo.html e http://lucasmormon.blogspot.com/2010/11/hermeneutica-teologica.html)
7.       O Espírito Santo. Néfi aprendeu por experiência própria que Deus concede um dom a todos os que buscarem com fervor: "Pois aquele que procurar diligentemente, achará; e os mistérios de Deus ser-lhe-ão desvendados pelo poder do Espírito Santo, tanto agora como no passado e tanto no passado como no futuro; portanto, o caminho do Senhor é um círculo eterno" (1 Néfi 10:19). Mais tarde em seu registro ele adverte: " Portanto, agora que vos disse estas palavras, se não as compreenderdes será porque não pedis nem bateis; de modo que não sereis levados para a luz, mas perecereis na escuridão. Pois eis que vos digo novamente que se entrardes pelo caminho e receberdes o Espírito Santo, ele vos mostrará todas as coisas que deveis fazer." O Espírito Santo. O Senhor explicou: "E esta é minha doutrina e é a doutrina que o Pai me deu; e dou testemunho do Pai e o Pai dá testemunho de mim e o Espírito Santo dá testemunho do Pai e de mim; e eu dou testemunho de que o Pai ordena a todos os homens, em todos os lugares, que se arrependam e creiam em mim." (3 Néfi 11:32). (Ver também: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/12/o-mais-importante-conhecimento.html, http://lucasmormon.blogspot.com/2010/10/1-nefi-222-espirito-de-revelacao.html, e http://lucasmormon.blogspot.com/2010/07/revelacao.html)

Conclusão.
                Para Néfi não há como conceber a existência de um Ser Superior - que é Nosso Pai Celestial, sem pensar que exista alguma poder, algum caminho, para que o homem decaído seja redimido, e possa voltar a presença do Pai. Para alguém que entende a realidade da Queda, os perigos das tentações do diabo e as consequências do mal - tristeza, dor e ignorância - um poder expiatório não é apenas desejável, é vital! Por isso sem um Salvador Deus não existe - pelo menos, não um Deus bondoso, não um Pai Celestial - pois um pai terreno, ainda que imperfeito, cuida, protege e guia seus filhos. Como, pois, um Pai Perfeito e Glorificado, ignoraria seus filhos, deixando-os apodrecer em desespero? Como diz a escritura: Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? (Mateus 7:11). E como esta registrado em Lucas 11:13: "Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?"
                Existe um Deus. Néfi sabia disso, e eu sei também. Existe um Cristo. Néfi sabia disso, e eu sei também. Se alguém prega que não há Cristo, esta pessoa não acredita em Deus - não em um Deus pessoal, bondoso - que é um Pai no pleno sentido da palavra. Para àqueles que desafiam as escrituras, e negam a Cristo, ou para àqueles que são fracos na fé, tímidos na esperança e inertes nas boas obras, convido-os a examinar as escrituras pois elas testificam de Cristo (João 5:39, 2 Néfi 33:10-11). O Espírito esta pronto a testificar a nós, tão longo nos dispormos a ouvir e aprender.
                Jesus Cristo é o Filho de Deus. Ele é Deus. Ele é nosso Deus. Ele morreu por nós.


[1] Nesta Visão, Leí esta seguindo um homem, em um escuro e triste deserto. Após caminhar por muitas horas nas trevas, ele começa a orar ao Senhor para que tenha compaixão de sua alma, segundo as ternas e infinitas misericórdias de Deus. Ele vê então um campo largo e espaçoso e uma bela árvore. Ele se aproxima da árvore e come do seu branco fruto. Ele então sente a alma encher se imensa alegria e começa a desejar que sua família também coma deste fruto. Ao olhar ao redor ele vê sua família. Ele acena e grita. Parte de sua família aceita ir comer do fruto. Outra parte não. Leí repara que para se chegar a árvore há um caminho estreito e apertado. Uma barra de ferro acompanha o caminho. Do outro lado, em oposição a árvore, há um grande e espaçosos edifício. Há multidões espalhadas pelo campo. Muitos se esforçam para chegar ao edifício, que parece estar flutuando no ar. Outros avançam com esforço, continuamente agarradas à barra de ferro, até que chegam, prostram-se e comem do fruto preciso da Árvore da Vida. Há obstáculos a serem superados, todavia, antes de se provar do fruto. Um rio feroz margeia o caminho - e quem cai no rio se afoga. Há também um "névoa de escuridão", que cega os olhos das pessoas. O relato contém ainda outros detalhes, como o empenho dos que estão no grande edifício de zombar dos que chegam na árvore, e a vergonha que alguns que experimentaram do fruto sentem devido a zombaria do que apontam o dedo do outro lado do rio. Néfi explicou o significado do sonho. Ele disse que a árvore da vida é um símbolo do amor de Deus. Disse que o edifício simboliza o mundo de iniquidades. O caminho estreito e apertado não os convênios, a barra de ferro é a palavra de Deus. A névoa são as tentações, o rio é o inferno. A conclusão é de que estamos numa jornada. Há uma oposição, podemos escolher comer da árvore da vida ou entrar no grande e espaçoso edifício. Escolher comer do fruto requer coragem. O caminho é estreito e apertado, mas segue em linha reta. Haverá grande oposição, mas a recompensa vale qualquer sacrifício. Escolher entrar ou permanecer no edifício é uma decisão ruim a longo prazo, pois o edifício cairá, e grande será sua queda. Essas pessoas desfrutam de um riso temporário, e seu divorcio com a felicidade tem prazo certo.

25 de out. de 2010

TUDO: A história de 4 Néfi em um palavra.

O livro de 4 Néfi abrange quase 300 anos de história (em apenas um capítulo) – o que é dez vezes mais do que todo período abrangido pelo livro de 3 Néfi (que tem 30 capítulos) e também oito vezes mais que todo período abrangido pelo livro de Alma (que tem 63 capítulos). Mórmon fez um “resumão” desse período. Ao estudar esse pequeno livro, notei que podíamos descrevê-lo em uma única palavra. Essa palavra, com suas variantes é mencionada 22 vezes nos 49 versículos (Em média, a cada dois versículos essa palavra aparece uma vez). A palavra é TUDO (todos, toda, todo, todas).


Os discípulos organizaram uma Igreja em todas as terras, e todos os homens se arrependiam (v 1). Todo povo acabou sendo convertido (v. 2). E tinham todas as coisas em comum, e eram todos livres (v. 3). Toda sorte de milagres era realizado (v. 5). Nesta época maravilhosa, onde Sião fora estabelecida, todo povo, de toda terra não contendia (v. 13). Os apóstolos primitivos todos haviam morrido, exceto três (v. 14). Não havia povo mais feliz de todos os criados por Deus (v.16), porque, conforme diz a escritura, eram abençoados em tudo que faziam – portanto, não podia haver contendas em toda a terra (v. 18). Depois de 200 anos toda a segunda geração após a visita de Cristo havia morrido, exceto uns poucos (v. 22). O povo se multiplicara muito e se espalhara por toda a face da terra (v. 23). Ficaram tão ricos, que tinham toda sorte de pérolas finas e de coisas luxuosas do mundo (v. 24). Infelizmente isso os levou a toda sorte de iniqüidades (v. 27). Mesmo com todos os milagres realizados pelos apóstolos o povo se tornou mal endurecendo o coração (v. 31). Os líderes desse povo se tornaram corruptos e instigavam o povo a toda sorte de pecados (v. 34). Suas Igrejas eram adornadas com toda espécie de objetos preciosos – refletindo o orgulho do povo (v. 41). Surgiram combinações secretas e os ladrões se espalharam por toda terra ,as práticas iníquas eram preponderantes, inclusive toda sorte de comércio iníquo (v. 46). O profeta Amaron, compelido pelo espírito escondeu todos os registros de Deus (v. 48).

O que aprendemos com isso. Aprendemos que o que Leí e Samuel, o lamanita, disseram são verdades:

“Mas eis que quando chegar o tempo em que degenerarem, caindo na incredulidade, depois de haverem recebido tão grandes bênçãos das mãos do Senhor---tendo conhecimento da criação da terra e de todos os homens, conhecendo as grandes e maravilhosas obras do Senhor desde a criação do mundo; tendo recebido o poder de fazer todas as coisas pela fé; possuindo todos os mandamentos desde o princípio e tendo sido trazidos para esta preciosa terra de promissão pela sua infinita bondade---eis que digo: se chegar o dia em que rejeitarem o Santo de Israel, o verdadeiro Messias, seu Redentor e seu Deus, eis que sobre eles recairão os julgamentos daquele que é justo” (2 Néfi 1:10).

“Sim, e vemos que é justamente quando ele faz prosperar seu povo, sim, aumentando seus campos, seu gado e seus rebanhos e ouro e prata e toda sorte de coisas preciosas de todo tipo e de todo estilo, preservando-lhes a vida e livrando-os das mãos de seus inimigos, abrandando o coração dos inimigos para que não lhes façam guerra; sim, e, em resumo, fazendo tudo para o bem e a felicidade de seu povo; sim, então é quando endurecem os corações, esquecendo-se do Senhor seu Deus e pisando o Santíssimo---sim, e isto em virtude de seu conforto e de sua enorme prosperidade” (Helamã 12:2).

Os nefitas tinham tudo, mas perderam tudo. Eles eram o povo mais feliz, e se tornaram os mais triste. 4 Néfi trás uma advertência: quanto mais somos abençoados, mais somos responsáveis por essas bênçãos e se não as usarmos bem, maior será nossa condenação. “Porque a quem muito é dado, muito é exigido; e o que pecar contra a luz maior receberá a condenação maior” (D&C 82:3).

13 de out. de 2010

1 Néfi 22:2 – Espírito de Revelação

Temos um esclarecimento maravilhoso feito por Néfi neste versículo. O Espírito Santo é o ser que revela aos profetas “todas as coisas que acontecerão aos filhos dos homens”. Essas palavras sintonizam-se com as palavras de Morôni, que de forma mais abrangente, se referem a todas as pessoas que lerem o Livro de Mórmon, sem necessidade de terem o ofício de profetas: “E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas” (Morôni 10:5). Ou seja: temos a mesma garantia de receber revelação de Deus que os profetas têm – o mesmo canal deles é o nosso. Lamã e Lemuel viviam dizendo que o Senhor não lhes revelava coisa alguma, pelo que Néfi lamentou chamando-os de duros de coração (1 Néfi 15:7-11).

Todo livro de primeiro Néfi ensina como buscar e obter revelação. Néfi mostra que a humildade e o desejo guiam a fé necessária para pedir e acreditar que receberemos (acreditar que Deus tem poder para responder). Ele explica ainda que devemos continuar guardando os mandamentos (agindo corretamente segundo o que sabemos) e ponderando a questão no coração (coração é símbolo do desejo e vontade do homem). Então promete ele: certamente receberemos revelação (1 Néfi 4:6; 1 Néfi 10:17; 1 Néfi 11:1; 1 Néfi 15:11; 1 Néfi 22:2).
Uma das abordagens para se receber revelação mais eficazes é a de orar pelo próximo. Foi só quando Leí orou de todo coração a favor de seu povo que a revelação veio (1 Néfi 1:5). Foi só quando Néfi rogou ao Senhor por seus irmãos que a revelação lhe chegou (1 Néfi 2:18). Acho que isso acontece porque o Senhor percebe nossa disposição de servi-lo e dá a revelação como recompensa por nosso desejo e incentivo para que façamos bem aquilo que devemos fazer.

Ver também: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/07/revelacao-em-nefi.html

28 de jul. de 2010

BONS PAIS

Os bons pais são aqueles que amam seus filhos e procuram criá-los como Deus lhes ordenou. Néfi considerava seu pai Leí e sua mãe Saria bons. A palavra bom foi usada pelo próprio Deus durante a criação do mundo – quando Ele terminava uma etapa “via Deus que era bom [o que havia feito]” (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25, 31). Esse adjetivo era o melhor que Néfi podia usar para descrever Leí e Sarah (e o melhor que Joseph podia traduzir). Seu pai Leí era um santo profeta que foi descrito por Néfi como um homem corajoso, de visão, de ação, de grandes palavras e de poder espiritual. De fato, Néfi humildemente dizia ter adquirido “alguma instrução em todo conhecimento de sua pai” (1 Néfi 1:1).

Sua mãe era uma mulher que amava os filhos profundamente. Ela suportou as dificuldades da dura viagem a Terra da Promissão mesmo numa idade avançada. Néfi relatou que no Sonho da Árvore da Vida sua mãe come do fruto da árvore – que é um símbolo do amor de Deus – provando que ela era uma mulher eleita (1 Néfi 8:13-16).

O Pai Celestial é o maior exemplo de um bom pai. Ele é justo e é misericordioso. Para sermos bons pais devemos seguir seu exemplo divino. Os bons pais não são identificados pela retidão dos filhos. Por exemplo, Leí e Saria não podiam ser considerados maus pais por causa dos rebeldes Lamã e Lemuel. Os resultados do mau uso do arbítrio dos filhos não determinam se os pais são bons ou não. Deus era um bom pai, e continuou a sê-lo, mesmo com a rebelião de Lúcifer.

Um bom pai é aquele que, embora mostra grande amor, mesmo pelos filhos rebeldes e desobedientes. Leí não deixava de advertir seus filhos “com todo sentimento de um terno pai” (1 Néfi 8:37). Há várias referencias onde Leí procura exortar seus filhos. Ele foi verdadeiramente um bom pai.

Em suma, um bom pai prepara seus filhos para um futuro glorioso. O Salvador falou sobre o princípio da preparação ao ensinar sobre a Segunda Vinda: “Mas sabei isto: Se o bom pai de família soubesse a que vigília viria o ladrão, teria vigiado e não teria deixado minar a sua casa, mas estaria preparado.” (Joseph Smith – Mateus 1:47), Para sermos bons pais devemos vigiar orar e preparar a nós e nossa casa para o retorno ao lar celestial.

Presidente James E. Faust: “Quem são bons pais? Aqueles que com amor, fervor e sinceridade procuraram ensinar seus filhos por exemplo e por preceito a “orar e a andar em retidão perante o Senhor” (“As Ovelhas Que Se Desgarraram São Amadas”, A Liahona, Maio de 2003, pg. 61)

23 de jul. de 2010

Ensinamentos de 1 e 2 Néfi: O que é Revelação?

Néfi não dá um conceito de revelação, mas ensina tanto em seu registro sobre ela, que podemos extrair uma definição simples e clara: revelação é a comunicação sagrada que Deus tem com seus filhos. Neste sentido quando precisamos falar com Deus oramos, e quando Deus quer falar conosco revela sua vontade.
A oração e a revelação estão claramente expressas no seguinte versículo:
“E aconteceu que eu, Néfi, sendo muito jovem, embora de grande estatura, e tendo também grande desejo de saber dos mistérios de Deus, clamei, portanto, ao Senhor; e eis que ele me visitou e enterneceu meu coração, de maneira que acreditei em todas as palavras que meu pai dissera; por esta razão não me revoltei contra ele, como meus irmãos” (1 Néfi 2:16). Nesta ocasião, Néfi estava orando numa situação critica: que determinaria o futuro seu e de sua família – ele precisava saber se seu pai tinha razão em sair de Jerusalém, de sua confortável e bela casa, deixando amigos e parentes, para adentrar um deserto perigoso e cruel. Comumente buscamos revelação em momentos de necessidade. Felizmente o Senhor sempre esta disponível – sempre ouve nossas orações. Como falou o Presidente Boyd K. Packer: “Aprenda a orar. Ore sempre. Ore na mente e no coração. Ore de joelhos. A oração é sua chave pessoal para o céu. A fechadura está do seu lado do véu” (“Oração e Inspiração”, Conferência Geral, outubro de 2009).
Quando Néfi mostrou “grande desejo” de conhecer os mistérios de Deus e depois clamou, era como se usasse a chave da qual falou o Presidente Packer e permitisse que Deus lhe revelasse algo. Os mistérios de Deus são verdades espirituais dadas por revelação (GEE “Mistério de Deus”). Aprendemos muito com esse versículo. Primeiro que a revelação pode ser dada aos inexperientes – Néfi era jovem. Aprendemos sobre o desejo sincero – o qual indica a fé necessária para que a comunicação aconteça. Também verificamos que quando Deus nos visita com uma revelação ele o faz, na maior parte das vezes, com um enternecimento de coração – a revelação é mais sentida do que apercebida pelos sentidos físicos – como a visão ou a audição. Esse sentimento é um fruto do Espírito Santo, que, no caso de Néfi o ajudou a não se revoltar e murmurar como faziam seus irmãos mais velhos. Também o permitiu compartilhar seu testemunho com sua família (1 Néfi 2:17).
A revelação pode vir de muitas maneiras. Néfi cita diversas. Ele começa seu registro contando sobre duas grandes revelações que seu pai teve. Na primeira, Leí viu um grande pilar de fogo (1 Néfi 1:6). Essa manifestação extraordinária é semelhante ao evento em que Moisés viu a Sarça Ardente e Joseph Smith viu um pilar de Luz. É uma manifestação típica, podemos dizer, daqueles que são chamados para grandiosos trabalhos de salvação no inicio de uma dispensação. Depois Leí foi para casa. Curiosamente foi para cama (1 Néfi 1:7). Ensinando-nos que as visões da eternidade retiram a força – causam fadiga física. Então Leí teve uma outra revelação, um sonho, pois estava “dominado pelo Espírito” (1 Néfi 1:8). Com esse sonho Leí entendeu as coisas que os profetas entendem muito bem: a verdade do que era, do que foi e do que será. E com investidura, não só de conhecimento, mas de autoridade, começou a pregar e a profetizar – a sua família e a seu povo (1 Néfi 1:16, 18). Como Leí era um profeta, a revelação de Deus fluía através dele. Ele se tornara um canal vivo de revelação – um oráculo da vontade de Deus. Todavia, o iníquo povo de Jerusalém não lhe deu ouvidos (1 Néfi 1:19).
Até aqui aprendemos pelo menos três formas de revelação: a visão, o sonho e os ensinamentos dos profetas vivos. A visão ocorre quando nossos sentidos físicos estão despertos, e os sonhos quando estamos inconsciente. Às vezes a manifestação não permite distinguir se é um sonho ou visão (1 Néfi 8:2) – se no corpo ou fora do corpo (II Coríntios 12:2-3) – pois a revelação é tão real e tangível que a distinção se torna obsoleta.
Um profeta é um homem chamado por Deus, que tem a devida autoridade para pregar. Tal profeta prega sempre a respeito de Cristo e sempre adverte com relação à iniqüidade. Reconhecemos um profeta pelos seus frutos (Mateus 7:15-20). Os frutos são os resultados que se mostram. Se o profeta é uma testemunha especial do Salvador e se ele fala a verdade, e não mente, então é um profeta verdadeiro. Todavia não é apenas e somente por observação que verificamos se um profeta é verdadeiro. A melhor maneira é orar a respeito do profeta, perguntando a Deus se ele é um profeta verdadeiro. Creio que assim é a melhor forma, por que aprendemos pelas escrituras que muitos viram os profetas fazendo milagres, e não os reconheceram como servos de Deus (Helamã 10:13). E se os reconheceram não quiseram segui-los, porque preferiam a luz ás trevas.
A revelação pode vir ainda por meio de ministração de anjos. Néfi recebeu tal dádiva (1 Néfi 1:14). Objetos sagrados podem conceder revelação – como a Liahona, no caso da família de Leí, (1 Néfi 16:10) ou o Urim e Tumim, no caso de Joseph Smith. A revelação pode vir por uma voz apercebida pelos ouvidos físicos ou uma voz na mente. Ela pode vir no coração, sendo um sentimento e impressão que indicarão uma ação.

Revelação em Néfi

Néfi, filho de Leí, um dos principais escritores do Livro de Mórmon, inicia seu registro dizendo que foi “altamente favorecido pelo Senhor” e que adquiriu “um grande conhecimento da bondade e dos mistérios de Deus”. Parece claro que um dos propósitos dos escritos de Néfi que chegaram até nós, que são as placas menores, é o de ensinar sobre revelação. Lemos que neste registro Néfi usou o espaço das placas para “escrever as coisas de Deus” – coisas essas que “não agradam ao mundo, mas (...) agradam a Deus e aos que não são do mundo.” De fato, Néfi confessou que tudo o que desejava era “persuadir os homens a virem a Deus (...) e serem salvos (1 Néfi 6:3-5). Entre as coisas de valor do registro feito por Néfi estão ensinamentos sobre a Expiação, o plano de salvação, a coligação e a restauração do evangelho nos últimos dias.
Entretanto todos esses e outros ensinamentos só foram recebidos e registrados por meio da revelação. Néfi não apenas indica diversos tipos de revelação, mas esclarece como ela é recebida – o que devemos fazer para merecê-la constantemente. Creio que á assim, por que no final de seu registro ele diz, um pouco frustrado com nossa lentidão em entender o processo de revelação: “E agora eis que, meus amados irmãos, suponho que ainda meditais em vosso coração sobre o que deveis fazer, depois de haverdes entrado no caminho. Mas porque ponderais sobre essas coisas em vosso coração? (...) Vos disse estas palavras [e] se não a puderdes compreender será porque não pedis nem bateis; de modo que não sereis levados para luz, mas perecereis na escuridão. Pois eis que vos digo novamente que, se entrardes pelo caminho e receberdes o Espírito Santo, ele vós mostrará todas as coisas que deveis fazer (...) E agora, eu Néfi, não posso dizer mais; o Espírito encerra minha fala e só me resta lamentar a incredulidade e a iniqüidade e a ignorância e a obstinação dos homens; porque não procuram conhecimento nem compreendem grande conhecimento quando lhes é dado com clareza, sim, tão claramente quanto podem ser as palavras. E agora meus amados irmãos, percebo que ainda meditais em vosso coração; e é-me doloroso falar-vos sobre isso. Porque, se désseis ouvidos ao Espírito que ensina o homem a orar, saberíeis que deveis orar ” (2 Néfi 32:1, 4-5, 7-8).

24 de jun. de 2010

1 Néfi 1:1 BONS PAIS

Os bons pais são aqueles que amam seus filhos e procuram criá-los como Deus lhes ordenou. Néfi considerava seu pai Leí e sua mãe Saria bons. A palavra bom foi usada pelo próprio Deus durante a criação do mundo – quando Ele terminava uma etapa “via Deus que era bom [o que havia feito]” (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25, 31). Esse adjetivo era o melhor que Néfi podia usar para descrever Leí e Sarah (e o melhor que Joseph podia traduzir). Seu pai Leí era um santo profeta que foi descrito por Néfi como um homem corajoso, de visão, de ação, de grandes palavras e de poder espiritual. De fato, Néfi humildemente dizia ter adquirido “alguma instrução em todo conhecimento de sua pai” (1 Néfi 1:1).

Sua mãe era uma mulher que amava os filhos profundamente. Ela suportou as dificuldades da dura viagem a Terra da Promissão mesmo numa idade avançada. Néfi relatou que no Sonho da Árvore da Vida sua mãe come do fruto da árvore – que é um símbolo do amor de Deus – provando que ela era uma mulher eleita (1 Néfi 8:13-16).

O Pai Celestial é o maior exemplo de um bom pai. Ele é justo e é misericordioso. Para sermos bons pais devemos seguir seu exemplo divino. Os bons pais não são identificados pela retidão dos filhos. Por exemplo, Leí e Saria não podiam ser considerados maus pais por causa dos rebeldes Lamã e Lemuel. Os resultados do mau uso do arbítrio dos filhos não determinam se os pais são bons ou não. Deus era um bom pai, e continuou a sê-lo, mesmo com a rebelião de Lúcifer.

Um bom pai é aquele que mostra grande amor, mesmo pelos filhos rebeldes e desobedientes. Leí não deixava de advertir seus filhos “com todo sentimento de um terno pai” (1 Néfi 8:37). Há várias referencias onde Leí procura exortar seus filhos. Ele foi verdadeiramente um bom pai.

Em suma, um bom pai prepara seus filhos para um futuro glorioso. O Salvador falou sobre o princípio da preparação ao ensinar sobre a Segunda Vinda: “Mas sabei isto: Se o bom pai de família soubesse a que vigília viria o ladrão, teria vigiado e não teria deixado minar a sua casa, mas estaria preparado.” (Joseph Smith – Mateus 1:47), Para sermos bons pais devemos vigiar orar e preparar a nós e nossa casa para o retorno ao lar celestial.

Presidente James E. Faust: “Quem são bons pais? Aqueles que com amor, fervor e sinceridade procuraram ensinar seus filhos por exemplo e por preceito a “orar e a andar em retidão perante o Senhor” (“As Ovelhas Que Se Desgarraram São Amadas”, A Liahona, Maio de 2003, pg. 61)

“Embora poucos desafios humanos sejam maiores do que o de ser bons pais, poucas oportunidades oferecem maior potencial de alegria. Certamente não há trabalho mais importante a ser feito neste mundo do que preparar nossos filhos para serem tementes a Deus, felizes, honrados e produtivos. Os pais não encontrarão maior felicidade e realização do que a de serem honrados por seus filhos e vê-los seguir seus ensinamentos. Essa é a glória da paternidade. João testificou: “Não tenho maior gozo do que este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade” (III João 1:4).

Em minha opinião, ensinar, educar e treinar os filhos exige mais inteligência,compreensão intuitiva, humildade, força, sabedoria, espiritualidade, perseverança e trabalho árduo do que qualquer outro desafio na vida. (...)

Que os pais conscientes, carinhosos e dedicados, que vivem os princípios da retidão o melhor possível tenham o consolo de saber que são bons pais, apesar dos atos de alguns de seus filhos. Os filhos, por sua vez, têm a responsabilidade de ouvir, obedecer e aprender o que lhes é ensinado. Os pais não podem sempre responder pela má conduta dos filhos, porque não podem garantir que eles se comportem bem. Certos filhos poriam à prova até a sabedoria de Salomão e a paciência de Jó. (“Mil Laços de amor”, A Liahona, outubro de 2005, pg. 3, 5-6)

Élder L. Tom Perry: “Procurei ensinar à minha família que o mérito pelo sucesso que alcançamos na vida pertence, na verdade, a nossos pais que nos proporcionaram um maravilhoso início. Meu pai era trabalhador, um bom provedor e um grande exemplo de serviço, honra e integridade. Amava a família e reservava um tempo para nós em sua vida atarefada. Minha mãe sempre estava junto de nós para ensinar-nos e incentivar-nos. Era uma ótima dona de casa, muito cuidadosa, excelente administradora das finanças domésticas e uma cozinheira maravilhosa. Honro e amo muito meus pais.” (“Compartilhar o Legado da Família”, A Liahona, setembro de 2006, pg. 14).

Sharon G. Larsen, que foi Segunda Conselheira da Presidência Geral das Moças: “É preciso despender muito tempo e energia a fim de sermos bons pais. Seria mais fácil deixar que meus filhos adormecessem diante da televisão enquanto arrumo a casa de noite e depois colocá-los na cama, em vez de ler as escrituras e as histórias para eles e fazer as orações, para a seguir acomodá-los na cama. Eles, de fato, aguardam ansiosamente esse ritual noturno, e eu sei que esse investimento, mesmo quando estou muito cansada, terá conseqüências eternas”. (“Não Temas; Porque Mais São os Que Estão Conosco”, A Liahona, janeiro de 2002, pg. 14).

Presidente Gordon B. Hinckley: “O que o Senhor espera dos santos dos últimos dias? O que Ele espera que façamos? Ele espera que sejamos pessoas boas, que sejamos bons pais que amam sua esposa, que amam seus filhos, que honram o sacerdócio, que procuram fazer as coisas de um modo um pouco melhor, que procuram ser um pouco mais íntegros na vida — homens bons, fiéis e maravilhosos. (...). Para vocês mulheres e mães, sejam boas esposas. Apóiem seu marido. Tratem-no com bondade. (...) Ajudem-no em tudo que ele fizer. Sejam boas mães para seus filhos. (...) Criem-nos com amor. Vocês, filhos, considerem seus pais os seus melhores amigos. Ouçam o que eles dizem. Façam o que eles pedem, pois é isto que o Senhor pediu a Seu povo: Que os filhos sejam criados em luz e verdade e amor.” (Reunião, Nouméa, Nova Caledônia, 17 de junho de 2000; publicado na A Liahona, Junho de 2004, pg. 5)

Presidente Brigham Young: “Vivamos de modo que o espírito de nossa religião esteja sempre conosco; assim teremos paz, alegria, felicidade e contentamento. Isso dá origem a bons pais, boas mães, bons filhos, bons lares, vizinhos, comunidades e cidades. Vale a pena viver por ele e creio sinceramente que os santos dos últimos dias devem esforçar-se para alcançar esse objetivo.” (“Ensinar a Família”, Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, Brigham Young, pg. 171)

Irmão Marion D. Hanks: “Suponhamos que você vá dar uma aula ou um discurso para um grupo de jovens santos dos últimos dias sobre o tema das primeiras palavras do Livro de Mórmon: “Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais (...) (1 Néfi 1:1). Não seria muito difícil, não é? Além do mais, provavelmente não existe fato mais universalmente aceito: de que é uma vantagem maravilhosa ter nascido de bons pais e num lar onde a criança é desejada e será amada, treinada, ensinada e receberá bons exemplos.

Suponhamos, contudo, que você esteja bem familiarizada com o grupo para o qual dará sua aula e saiba que entre eles há alguns jovens a quem esta lição, se ensinada da maneira usual, causaria sofrimento, desconforto e embaraço. Lá está João, cujos pais deram-lhe maus exemplos e separaram-se ou divorciaram-se, após constantes e amargas controvérsias, até mesmo trágicas deslealdades. João está tentando levar uma vida normal, ansioso e determinado a ser alguém e a preparar-se para ter seu próprio lar feliz. Vemos Patrícia, cujos familiares escolheram um curso diretamente oposto ao que uma vez seguiram e que ela própria deseja viver. Do outro lado da sala está Roberto, que ama o pai, mas está confuso porque este considera a caça, pesca e futebol, talvez até o álcool e o fumo, mais importantes do que suas oportunidades no sacerdócio. Como ensinará você esta lição tendo esses jovens no grupo?

Comece por encarar a situação honestamente, reconhecendo que embora todos nós entendamos que gozo de uma herança desejável é uma grande bênção, muitos pais e lares não são o que deveriam ser. Freqüentemente, jovens dedicados e corajosos exercem boa influência sobre os pais e o lar, o que é elogiável; mas muitas vezes, infelizmente, é muito pouco o que os filhos podem fazer para mudar os pais, mesmo que esses jovens estejam tentando resolutamente melhorar sua herança. O que podemos e devemos ensinar é que embora não tenhamos condições de fazer muito para melhorar os pais, podemos fazer tudo para melhorar a nós mesmos e escolher que tipo de pais nossos filhos terão! Utilizando a grande afirmação da escritura: “Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais (...)” podemos ensinar com sinceridade e com a devida ênfase: “Eu, João, desejando sinceramente tornar-me um dia um bom pai (...)”

Alguém disse: “é muito bom ser de boa descendência, mas a glória é dos antepassados.”

Tornar-se um bom pai ou mãe é um desafio e meta adequada aos jovens mais fortes e determinados, e o cumprimento desta meta repousa diretamente sobre os ombros do indivíduo. A pessoa pode tornar-se o que sinceramente deseja e quer ser (...) Os jovens têm dentro de si agora as sementes do futuro. Sob circunstâncias e expectativas normais, chegará o dia em que alguém os chamará de “pai” ou “mãe” e será tremendamente influenciado pelo tipo de pais que eles são. Como pais em perspectiva, os jovens precisam aprender a importância maravilhosa da boa herança, mas podem ser ensinados sobre esse assunto pelas escrituras, numa forma estimulante e inspiradora que lhes proporcionará o desafio e o incentivo de se tornarem “bons pais”. (“I, Johnny, Parent-to-Be...”, “Eu, João, que um Dia Serei Pai...”, Improvement Era, fevereiro de 1961, pp. 97, 113. – citado no Manual das Moças, Volume 3, “Herança” lição 19, pg. 68-69).