8 de fev. de 2011

Milagres

Um milagre é por definição um prodígio inexplicável. Entretanto, o entendimento de como ocorre um milagre e o porquê de ocorrer um milagre não exclui a maravilha e nem descaracteriza um milagre. Por exemplo, a avançada tecnologia de comunicação é um milagre. Mesmo aqueles que compreendem os pormenores da ciência ainda assim se fascinam com as realizações que observam dia-a-dia. Há vinte anos nem o mais utópico dos homens preveria o mundo com uma tecnologia tão difundida e prática – como, por exemplo, a tecnologia dos telefones celulares. Um milagre é, portanto, algo incrível, espantoso, grandioso e muitas vezes inesperado para maioria.
Quando falamos de milagre no meio religioso estamos se referindo a um evento ou fato incomum e especial: como um cego ser curado e passar a ver ou um coxo voltar a andar.

Porque há necessidade de milagres?
Há três razões principais para os milagres: (1º) abençoar, (2º) testificar e (3º) condenar.
Por vivermos pela fé e não pela visão, tendo passado pelo véu do esquecimento nosso Pai Celestial, em sua terna misericórdia e grande condescendência, não nós deixaria passar a vida mortal em solidão e incertezas. Por isso enviou anjos, profetas e escrituras. Eles eram milagres vivos aos homens que mostravam que os céus estavam perto para abençoar com paz, felicidade e cura, e por fim salvar aqueles que se arrependessem.
Como recompensa pela fé ativa (fé + ação), Deus prometeu uma prova, um testemunho ou um milagre. Esse milagre pode ser simples como um sentimento de confirmação de que o Pai Celestial existe, ou pode ser uma bênção do sacerdócio curando um câncer maligno. De qualquer forma a finita mente mortal não pode dar explicações completas sobre como o milagre acontece. Quando um justo é agraciado com um milagre – pois “sinais seguem os que crêem” – então sua esperança e fé crescem, bem como desejo de se aproximar de Deus e manter-se fiel. É impossível que milagres não aconteçam com os justos, pois o milagre é o resultado de uma vida obediente e consagrada.
Os milagres também servem para testificar a missão ou encargo de uma testemunha especial. Cristo realizou muitos milagres, como profetizado, para que o povo o reconhecesse como o Messias – suas obras eram um testemunho incontestável para o mundo que Ele era o Filho de Deus.
Entretanto o milagre pode ser uma maldição em vez de bênção. Se o sinal vier antes da fé não converte, mas afasta. O Faraó do Egito, por exemplo, viu todas as maravilhas que o Deus de Moisés realizava e mesmo assim endureceu o coração e não se converteu. Lamã e Lemuel viram um anjo, mas continuaram a murmurar a despeito da impressionante visão. Os fariseus atribuíram os milagres de Jesus ao poder do demônio – e por isso lhes foi imputado condenação. Um milagre dado a alguém despreparado e carente de fé torna-se uma pedra de tropeço e resulta em dúvida, orgulho, confusão, discórdia e até apostasia. É por isso que Maria não saia divulgando abertamente os milagres do nascimento de seu filho Jesus. Ela guardava tudo em seu coração, porque considerava sagrado aquele conhecimento.

Quais são alguns dos milagres mencionados nas escrituras?
São muitos: mortos revivendo, mortos ressuscitando, cegos vendo, surdos ouvindo, leprosos sendo curados, rebeldes sendo convertidos, visões de eventos futuros, etc.
Conta-se que um setenta estava dando um serão sobre Jonas. No final da mensagem uma irmã veio cumprimentá-lo e disse-lhe: “irmão, acredita mesmo que Jonas foi engolido por uma baleia?” Ele respondeu: “acredito”. Ela continuou: “mas como isso é possível: passar três dias no ventre do animal sem morrer?” O élder respondeu: “bem, quando eu chegar no céu vou perguntar a Jonas como foi.” “Mas se ele foi para o inferno?” quis saber ela. “Então” disse ele, “a senhora pergunte!” A moral é bem clara: se não temos fé para crer que os milagres das escrituras aconteceram não temos que esperar estar com Cristo e os profetas – por que eles acreditavam nesses milagres e também realizavam milagres.

Milagres acontecem hoje?
Sim. Milagres acontecem hoje talvez com mais freqüência do que aconteciam em épocas passadas. Como sei disso? Porque milagres aconteceram em minha vida e porque vi muitos milagres acontecerem na vida de outras pessoas. Entre os maiores milagres estão da conversão ao evangelho restaurado. Pessoas cheias de pecado e vícios são transformadas – como a água transformada em vinho. Mas os milagres mencionados nas escrituras também acontecem hoje: há dons de línguas, dons de cura, dons de visões e sonhos, etc.
Por serem sagrados os milagres não podem ser compartilhados a menos que o Espírito autorize. Como o Senhor ensinou: não devemos jogar as pérolas aos porcos. Mas quero prestar meu testemunho que os milagres são reais. Eu vi, eu senti, eu aprendi por mim mesmo. Sei que os milagres acontecem como sei que estou vivo.

O diabo pode realizar milagres?
Sim. Os magos do Faraó imitaram Moisés e transformaram cabos de madeira em cobras. Eles não agiram pelo poder de Deus. Homens e demônios têm certo poder e podem por meio de truques e poder demoníaco simular os dons de Deus. Satanás é um ótimo imitador e quase se transforma num anjo de luz para iludir e desencaminhar. Esta ai parte da resposta porque muitas igrejas que não possuem o sacerdócio verdadeiro realizam milagres. É verdade que os milagres não estão restritos ao povo da Igreja verdadeira. Deus ama todos. E todos que tem fé recebem milagres. Mas a bruxaria, o satanismo, o espiritismo e todo tipo de filosofia e religião que faz milagres não o fazem pelo poder de Deus. E com isso concluímos que seus milagres não são para o bem e para conduzir a felicidade – mas são para satisfazer o orgulho, a ambição, exercer domínio ou coação sobre os homens e levá-los ao inferno.

Qual efeito um milagre pode ter na minha vida?
Um milagre, que acontece após a fé ativa, vai elevar e trazer felicidade a alma. Não devemos buscar sinais – que vem antes da fé – mas depois de exercermos fé devemos confiar em Deus e esperar ver milagres. Na realidade se estivermos procurando milagres o Espírito pode abrir nossa visão para que vejamos e abrir nossos ouvidos para que ouçamos. Os milagres levarão a Cristo por que os milagres são bons, e tudo que é bom conduz a Cristo.

4 de fev. de 2011

Tudo o que pedirmos ser-nos-á dado!

Em 3 Néfi 18:20 lemos uma promessa incrível: "E tudo quando pedirdes ao Pai em meu nome, que seja justo, acreditando que recebereis, eis que vós será dado." A primeira palavra que me chamou atenção foi "tudo". Tudo o que pedirmos a Deus ele nos dará! Claro, os requisitos são: ser um pedido justo e acreditar que se vai receber. Mas tão logo cumprirmos esses requisitos teremos a dádiva anelada! Sobre isso quero fazer algumas considerações.
Vamos supor que você não tenha um carro e deseje muito um. Você ora a Deus solicitando um carro. Você pediu em nome de Cristo. Agora precisa saber se o pedido é justo. O que é um pedido justo? Felizmente as escrituras esclarecem um pouco mais do assunto para que o subjetivismo diversificado dos homens não definisse equivocadamente o que vem a ser "justo". Morôni ensina que "tudo que é bom, é justo e verdadeiro; portanto nada que é bom nega o Cristo, mas reconhece que ele é" (Morôni 10:6). O pedido justo é o pedido que é bom, que é cristão - em outras palavras é o pedido que conduz ao bem e à Cristo. O Salvador é o caminho, a verdade e a vida. Se pedirmos com "inquebrantável firmeza" algo que leva ao evangelho, a paz, ao amor, a fé, a esperança, aos mandamentos, ao batismo, ao serviço a Deus e ao próximo, etc., e não algo para "satisfazer [nossas] concupiscências" (Mórmon 9:28) então é mais provável que nosso pedido será justo. Como todos temos a capacidade de discernir, por causa da luz de Cristo, todos podem aprender a diferenciar um pedido justo de um pedido não justo. Evidentemente o Espírito Santo amplia a capacidade de pedirmos o que devemos pedir - de fato, por meio do Espírito Santo somos justificados e santificados e nossa mente se concentra em Deus, de modo que andamos com Ele - e passamos a agir como Ele agiria, a ser um com Deus - a pedir o que Ele pediria em nosso lugar. Nosso arbítrio é voluntariamente consagrado e como recompensa andamos em justiça. E como Isaías descreveu "aquele que anda em justiça, e fala com retidão; aquele que rejeita o ganho da opressão; que sacode as mãos para não receber peitas; o que tapa os ouvidos para não ouvir falar do derramamento de sangue, e fecha os olhos para não ver o mal; este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio; dar-se-lhe-á o seu pão; as suas águas serão certas. Os teus olhos verão o rei na sua formosura, e verão a terra que se estende em amplidão" (Isaías 33:15-17).
Em seguida precisamos acreditar que receberemos. A fé é necessária. E para que ela seja expressa, ou provada, comumente um tempo nos é dado para agirmos. Pedimos, agimos com fé e então recebemos. Vamos voltar ao exemplo do carro. Você pediu um carro. Depois de pedir, por mais fervorosa que tenha parecido sua oração, ela será carente de fé verdadeira a menos que haja uma obra. A fé sem obras é morta! Ou seja, se pediu um carro, deve planejar como obter um carro, poupar dinheiro, trabalhar duro e realizar tudo mais. Devemos orar (pedir) como se tudo dependesse de Deus e depois agir como se tudo dependesse de nós.
Há duas advertências importantes sobre esse ensinamento: primeiro, não vamos receber tudo o que queremos mesmo que pedirmos com fé, e, segundo, se insistirmos em um desejo que não é justo o Senhor respeitará nosso arbítrio e nos dará o que pedimos, mesmo que seja para nossa condenação.
O motivo pelo qual não recebemos tudo o que queremos é simples: Deus nos ama. Se um carro trará dor ou tentação maior do que podemos suportar, por exemplo - Deus - que é nosso amado Pai - não nos dará. Às vezes Ele quer que aprendamos paciência, às vezes humildade, às vezes não precisamos realmente do que estamos pedindo - ou ainda, já recebemos o que pedíamos mas não percebemos.
Alma escreveu que sabia que Deus concedia "aos homens segundo os seus desejos, sejam estes para a morte ou para a vida; sim, sei que ele concede aos homens, sim, dá-lhes decretos inalteráveis segundo seus desejos, sejam eles para salvação ou para destruição." (Alma 29:4).
Portanto, uma das chaves para se pedir algo justo e com fé - e não pedir algo para condenação - é o de procurar o Espírito para pedir o que Deus quer que peçamos (D&C 124:97). Como Paulo explicou: "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Romanos 8:26).
Concluindo, tudo o que pedirmos a Deus nós será dado, no devido tempo, de maneira Dele. Será o melhor para nós. A menos que insistamos em usar nossa vontade para seguir o demônio. Então antes de pedirmos qualquer coisa, até algo ordinário e, às vezes trivial, como um carro, do exemplo, devemos procurar saber se realmente devemos pedir tal coisa.
Nem sempre teremos certeza se nosso pedido é justo ou se será o melhor para nós. No processo de revelação é exigido fé, e fé não é um perfeito conhecimento. Mas se fizermos o nosso melhor a graça de Cristo nós santificará e Deus pôde não só responder nossas orações de acordo com o que queremos, mas principalmente de acordo com o que precisamos.
Esforcemo-nos portanto para conhecer Cristo, lembrar Dele, ter o Espírito conosco, ser cheio de luz e verdade e depois, mesmo que andando no escuro sem perfeito conhecimento, façamos o melhor que pudermos - nosso desejos se tornaram os desejos Dele e teremos Vidas Eternas.

3 de fev. de 2011

Corpo Mortal, uma bênção

O corpo mortal é uma dádiva muito especial. Ele é um Templo, um lugar sagrado, onde o Espírito de Deus habita. O corpo físico ainda não é nosso. Mas por meio da expiação de Cristo ele um dia será.


O corpo se desenvolve no útero materno. Ele é fundido com o espírito pré-mortal no devido tempo. O recém-nascido cresce e se desenvolve até a idade a adulta, onde, depois, passa a envelhecer. O corpo mortal, como o próprio nome deduz, um dia morre.

O corpo mortal é a imagem e semelhança dos pais biológicos. Entretanto o espírito pré-mortal é a imagem e semelhança dos pais celestiais. Embora o espírito seja parecido com o corpo mortal – possui braços, pernas, dois olhos, uma boca, etc. certamente não é idêntico.

Na ressurreição o corpo físico se unirá mais uma vez ao espírito – desta vez para nunca mais se separar. O corpo será vivificado por espírito e não por sangue – daí dizemos que será um corpo espiritual. Esse corpo será a imagem e semelhança da condição espiritual. O que significa que os que ressuscitaram para a glória teleste terão aspectos semelhantes entre si, que serão diferentes dos que ressuscitarem para glória terrestre e celeste. Mas explicarei melhor isso mais para frente.

Deus em sua infinita sabedoria deu e esta dando a oportunidade para que todos os seus filhos, que aceitaram o Salvador, ganhassem um corpo. Alguns experimentam a mortalidade por uns poucos segundos. Outros vivem muito tempo. Alguns têm restrições físicas, outros mentais. Todavia todos serão provados na medida necessária para alcançarem a exaltação.

A grande misericórdia do Senhor consiste em enviar-nos a Terra numa certa época, num certo lugar, com certas oportunidades, privilégios e restrições, para que usássemos nosso arbítrio por um tempo, a fim de nos provarmos dignos da exaltação.

Sem um corpo, que é o instrumento do espírito, não poderíamos usar o arbítrio de maneira plena e completa. Nunca poderíamos, por exemplo, ter a alegria de um relacionamento familiar. É verdade que com um corpo as responsabilidades aumentam. Sem um corpo seria impossível quebrar a lei da castidade ou experimentar drogas. Mas tendo um tabernáculo mortal tais pecados são possíveis.

Poucos entendem o quão maravilhoso é ter um corpo físico. Quando morrermos entenderemos melhor o valor desse corpo. E talvez esse seja uma das bênçãos principais de precisarmos provar a morte. Mesmo os espíritos no paraíso consideram-se numa prisão – e aguardam ansiosamente a ressurreição, onde serão libertados das cadeias da morte.

Embora progredíamos na presença de Deus, progredimos muito mais rapidamente com um corpo na provação mortal. Porque aqui fazemos escolhas com conseqüências eternas.

Satanás esta bem consciente da importância do Segundo Estado e do poder que um corpo físico trás. Ele não tem um corpo, e nem terá – bem como seus seguidores. Ele nunca poderá ter prole. E sem família não poderá ter Vidas Eternas.

O Profeta Joseph Smith disse: “Viemos a este mundo com o objetivo de obter um corpo e poder apresentá-lo puro diante de Deus no reino celestial. O grande plano de felicidade consiste em ter um corpo. O diabo não tem corpo, e esse é seu castigo. Ele fica contente quando pode obter o tabernáculo de um homem e, quando foi expulso pelo Salvador, pediu para entrar numa manada de porcos, mostrando que preferia o corpo de um suíno a não ter corpo algum. Todos os seres com corpos possuem domínio sobre os que não os têm” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja – Joseph Smith, capítulo 17 – “O Grande Plano de Salvação”, pg. 220).

O élder David A. Bednar, do Quorum dos Doze, ensinou: “Uma vez que o corpo físico é um elemento tão importante no plano de felicidade do Pai e em nosso desenvolvimento espiritual, não admira que Lúcifer procure frustrar nosso progresso tentando-nos a usar nosso corpo de modo impróprio. Uma das maiores ironias da eternidade é a de que o adversário, que é miserável justamente por não ter um corpo físico, procure seduzir-nos e tentar-nos a partilhar de sua miséria utilizando nosso corpo de modo impróprio. A própria ferramenta que ele não tem e não pode usar torna-se, assim, o alvo principal de seu empenho em levar-nos à destruição física e espiritual. O adversário tenta influenciar-nos tanto a fazer mau uso de nosso corpo físico como a subestimar a importância desse nosso corpo. É importante que reconheçamos e combatamos esses dois métodos de ataque.”

O élder Bednar na mesma ocasião também advertiu que Satanás procura não só tentar-nos a fazer algo errado com o corpo, mas a não utiliza-lo para fazer coisas boas: “Ergo hoje a voz apostólica de advertência para a possível influência asfixiante, sufocante, anulante e restritiva que alguns tipos de interações e experiências realizadas no mundo virtual podem ter sobre nossa alma. Essa preocupação não é algo novo, mas aplica-se igualmente a outros meios de comunicação como a televisão, o cinema e a música. No mundo virtual, porém, esses desafios são mais difundidos e intensos. Rogo que tomem cuidado com a influência entorpecente e espiritualmente destrutiva das tecnologias do ciberespaço que são

usadas para produzir alta fidelidade e promover propósitos degradantes e malignos. Se o adversário não conseguir persuadir-nos a fazer mau uso de nosso corpo físico, então uma de suas táticas mais eficazes é induzir-nos — nós que somos espíritos com corpo — a desligar-nos gradual e fisicamente das coisas como realmente são. Em essência, ele nos incentiva a pensar e agir como se estivéssemos em nosso estado pré-mortal, sem um corpo. Se permitirmos, ele pode astutamente empregar alguns aspectos da tecnologia moderna para atingir seus objetivos. Peço-lhes que tomem muito cuidado para não ficarem tão imersos e concentrados nos pixéis, textos, fones de ouvidos, torpedos, redes sociais on-line e usos potencialmente viciantes da mídia e da Internet, a ponto de deixarem de reconhecer a importância de seu corpo físico e de perderem a riqueza da verdadeira comunicação face-a-face. Tomem cuidado com as representações e informações digitais encontradas nas diversas formas de interação computadorizada que podem exibir toda a gama de capacidades e experiências físicas” (“As Coisas como Realmente São”, Serão do SEI para Jovens Adultos; 3 de maio de 2009 – Universidade Brigham Young–Idaho, texto integral em português no site da Igreja Oficial: http://lds.org/library/page/display/0,7098,5344-1-2783-1,00.html, item “CES Addresses”, 2009).