Os bons pais são aqueles que amam seus filhos e procuram criá-los como Deus lhes ordenou. Néfi considerava seu pai Leí e sua mãe Saria bons. A palavra bom foi usada pelo próprio Deus durante a criação do mundo – quando Ele terminava uma etapa “via Deus que era bom [o que havia feito]” (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25, 31). Esse adjetivo era o melhor que Néfi podia usar para descrever Leí e Sarah (e o melhor que Joseph podia traduzir). Seu pai Leí era um santo profeta que foi descrito por Néfi como um homem corajoso, de visão, de ação, de grandes palavras e de poder espiritual. De fato, Néfi humildemente dizia ter adquirido “alguma instrução em todo conhecimento de sua pai” (1 Néfi 1:1).
Sua mãe era uma mulher que amava os filhos profundamente. Ela suportou as dificuldades da dura viagem a Terra da Promissão mesmo numa idade avançada. Néfi relatou que no Sonho da Árvore da Vida sua mãe come do fruto da árvore – que é um símbolo do amor de Deus – provando que ela era uma mulher eleita (1 Néfi 8:13-16).
O Pai Celestial é o maior exemplo de um bom pai. Ele é justo e é misericordioso. Para sermos bons pais devemos seguir seu exemplo divino. Os bons pais não são identificados pela retidão dos filhos. Por exemplo, Leí e Saria não podiam ser considerados maus pais por causa dos rebeldes Lamã e Lemuel. Os resultados do mau uso do arbítrio dos filhos não determinam se os pais são bons ou não. Deus era um bom pai, e continuou a sê-lo, mesmo com a rebelião de Lúcifer.
Um bom pai é aquele que mostra grande amor, mesmo pelos filhos rebeldes e desobedientes. Leí não deixava de advertir seus filhos “com todo sentimento de um terno pai” (1 Néfi 8:37). Há várias referencias onde Leí procura exortar seus filhos. Ele foi verdadeiramente um bom pai.
Em suma, um bom pai prepara seus filhos para um futuro glorioso. O Salvador falou sobre o princípio da preparação ao ensinar sobre a Segunda Vinda: “Mas sabei isto: Se o bom pai de família soubesse a que vigília viria o ladrão, teria vigiado e não teria deixado minar a sua casa, mas estaria preparado.” (Joseph Smith – Mateus 1:47), Para sermos bons pais devemos vigiar orar e preparar a nós e nossa casa para o retorno ao lar celestial.
Presidente James E. Faust: “Quem são bons pais? Aqueles que com amor, fervor e sinceridade procuraram ensinar seus filhos por exemplo e por preceito a “orar e a andar em retidão perante o Senhor” (“As Ovelhas Que Se Desgarraram São Amadas”, A Liahona, Maio de 2003, pg. 61)
“Embora poucos desafios humanos sejam maiores do que o de ser bons pais, poucas oportunidades oferecem maior potencial de alegria. Certamente não há trabalho mais importante a ser feito neste mundo do que preparar nossos filhos para serem tementes a Deus, felizes, honrados e produtivos. Os pais não encontrarão maior felicidade e realização do que a de serem honrados por seus filhos e vê-los seguir seus ensinamentos. Essa é a glória da paternidade. João testificou: “Não tenho maior gozo do que este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade” (III João 1:4).
Em minha opinião, ensinar, educar e treinar os filhos exige mais inteligência,compreensão intuitiva, humildade, força, sabedoria, espiritualidade, perseverança e trabalho árduo do que qualquer outro desafio na vida. (...)
Que os pais conscientes, carinhosos e dedicados, que vivem os princípios da retidão o melhor possível tenham o consolo de saber que são bons pais, apesar dos atos de alguns de seus filhos. Os filhos, por sua vez, têm a responsabilidade de ouvir, obedecer e aprender o que lhes é ensinado. Os pais não podem sempre responder pela má conduta dos filhos, porque não podem garantir que eles se comportem bem. Certos filhos poriam à prova até a sabedoria de Salomão e a paciência de Jó. (“Mil Laços de amor”, A Liahona, outubro de 2005, pg. 3, 5-6)
Élder L. Tom Perry: “Procurei ensinar à minha família que o mérito pelo sucesso que alcançamos na vida pertence, na verdade, a nossos pais que nos proporcionaram um maravilhoso início. Meu pai era trabalhador, um bom provedor e um grande exemplo de serviço, honra e integridade. Amava a família e reservava um tempo para nós em sua vida atarefada. Minha mãe sempre estava junto de nós para ensinar-nos e incentivar-nos. Era uma ótima dona de casa, muito cuidadosa, excelente administradora das finanças domésticas e uma cozinheira maravilhosa. Honro e amo muito meus pais.” (“Compartilhar o Legado da Família”, A Liahona, setembro de 2006, pg. 14).
Sharon G. Larsen, que foi Segunda Conselheira da Presidência Geral das Moças: “É preciso despender muito tempo e energia a fim de sermos bons pais. Seria mais fácil deixar que meus filhos adormecessem diante da televisão enquanto arrumo a casa de noite e depois colocá-los na cama, em vez de ler as escrituras e as histórias para eles e fazer as orações, para a seguir acomodá-los na cama. Eles, de fato, aguardam ansiosamente esse ritual noturno, e eu sei que esse investimento, mesmo quando estou muito cansada, terá conseqüências eternas”. (“Não Temas; Porque Mais São os Que Estão Conosco”, A Liahona, janeiro de 2002, pg. 14).
Presidente Gordon B. Hinckley: “O que o Senhor espera dos santos dos últimos dias? O que Ele espera que façamos? Ele espera que sejamos pessoas boas, que sejamos bons pais que amam sua esposa, que amam seus filhos, que honram o sacerdócio, que procuram fazer as coisas de um modo um pouco melhor, que procuram ser um pouco mais íntegros na vida — homens bons, fiéis e maravilhosos. (...). Para vocês mulheres e mães, sejam boas esposas. Apóiem seu marido. Tratem-no com bondade. (...) Ajudem-no em tudo que ele fizer. Sejam boas mães para seus filhos. (...) Criem-nos com amor. Vocês, filhos, considerem seus pais os seus melhores amigos. Ouçam o que eles dizem. Façam o que eles pedem, pois é isto que o Senhor pediu a Seu povo: Que os filhos sejam criados em luz e verdade e amor.” (Reunião, Nouméa, Nova Caledônia, 17 de junho de 2000; publicado na A Liahona, Junho de 2004, pg. 5)
Presidente Brigham Young: “Vivamos de modo que o espírito de nossa religião esteja sempre conosco; assim teremos paz, alegria, felicidade e contentamento. Isso dá origem a bons pais, boas mães, bons filhos, bons lares, vizinhos, comunidades e cidades. Vale a pena viver por ele e creio sinceramente que os santos dos últimos dias devem esforçar-se para alcançar esse objetivo.” (“Ensinar a Família”, Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, Brigham Young, pg. 171)
Irmão Marion D. Hanks: “Suponhamos que você vá dar uma aula ou um discurso para um grupo de jovens santos dos últimos dias sobre o tema das primeiras palavras do Livro de Mórmon: “Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais (...) (1 Néfi 1:1). Não seria muito difícil, não é? Além do mais, provavelmente não existe fato mais universalmente aceito: de que é uma vantagem maravilhosa ter nascido de bons pais e num lar onde a criança é desejada e será amada, treinada, ensinada e receberá bons exemplos.
Suponhamos, contudo, que você esteja bem familiarizada com o grupo para o qual dará sua aula e saiba que entre eles há alguns jovens a quem esta lição, se ensinada da maneira usual, causaria sofrimento, desconforto e embaraço. Lá está João, cujos pais deram-lhe maus exemplos e separaram-se ou divorciaram-se, após constantes e amargas controvérsias, até mesmo trágicas deslealdades. João está tentando levar uma vida normal, ansioso e determinado a ser alguém e a preparar-se para ter seu próprio lar feliz. Vemos Patrícia, cujos familiares escolheram um curso diretamente oposto ao que uma vez seguiram e que ela própria deseja viver. Do outro lado da sala está Roberto, que ama o pai, mas está confuso porque este considera a caça, pesca e futebol, talvez até o álcool e o fumo, mais importantes do que suas oportunidades no sacerdócio. Como ensinará você esta lição tendo esses jovens no grupo?
Comece por encarar a situação honestamente, reconhecendo que embora todos nós entendamos que gozo de uma herança desejável é uma grande bênção, muitos pais e lares não são o que deveriam ser. Freqüentemente, jovens dedicados e corajosos exercem boa influência sobre os pais e o lar, o que é elogiável; mas muitas vezes, infelizmente, é muito pouco o que os filhos podem fazer para mudar os pais, mesmo que esses jovens estejam tentando resolutamente melhorar sua herança. O que podemos e devemos ensinar é que embora não tenhamos condições de fazer muito para melhorar os pais, podemos fazer tudo para melhorar a nós mesmos e escolher que tipo de pais nossos filhos terão! Utilizando a grande afirmação da escritura: “Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais (...)” podemos ensinar com sinceridade e com a devida ênfase: “Eu, João, desejando sinceramente tornar-me um dia um bom pai (...)”
Alguém disse: “é muito bom ser de boa descendência, mas a glória é dos antepassados.”
Tornar-se um bom pai ou mãe é um desafio e meta adequada aos jovens mais fortes e determinados, e o cumprimento desta meta repousa diretamente sobre os ombros do indivíduo. A pessoa pode tornar-se o que sinceramente deseja e quer ser (...) Os jovens têm dentro de si agora as sementes do futuro. Sob circunstâncias e expectativas normais, chegará o dia em que alguém os chamará de “pai” ou “mãe” e será tremendamente influenciado pelo tipo de pais que eles são. Como pais em perspectiva, os jovens precisam aprender a importância maravilhosa da boa herança, mas podem ser ensinados sobre esse assunto pelas escrituras, numa forma estimulante e inspiradora que lhes proporcionará o desafio e o incentivo de se tornarem “bons pais”. (“I, Johnny, Parent-to-Be...”, “Eu, João, que um Dia Serei Pai...”, Improvement Era, fevereiro de 1961, pp. 97, 113. – citado no Manual das Moças, Volume 3, “Herança” lição 19, pg. 68-69).
24 de jun. de 2010
7 de jun. de 2010
Os Mistérios de Deus e a Doutrina Profunda
Gostaria de sugerir uma diferença entre os Mistérios de Deus e a doutrina profunda. Nas aulas da Igreja, e nas conversas sobre o evangelho às vezes encontramos a expressão doutrina profunda. Ela sempre esta associada há algo pouco conhecido, pouco citado nos discursos das autoridades gerais, e bem pouco mencionado nas obras-padrão. Não encontramos a expressão doutrina profunda nas escrituras. Mas encontramos mistérios de Deus (1 Néfi 10:19) ou segredo de Deus (Amós 3:7).
O Guia de Estudo das Escrituras define mistérios de Deus como “verdades espirituais que só podem ser conhecidas por revelação” (GEE Mistérios de Deus). A doutrina profunda pode ser entendida como os dogmas ocultos e secretos que poucos conhecem ou entendem.
Qual a diferença entre mistérios de Deus e Doutrina profunda?
Os mistérios de Deus só são conhecidos por revelação. A doutrina profunda é encontrada por especulação. Não é fácil conhecer os mistérios de Deus – há necessidade de limpeza de mãos e pureza de coração (tanto as obras da fé quanto as intenções do coração devem ser justas).
É razoavelmente fácil desvendar-se as doutrinas profundas – basta curiosidade, imaginação e extremo anseio por algo misterioso. Os mistérios de Deus sempre edificam (D&C 6:11), as doutrinas profundas sempre causam contendas e divergências de opiniões (Helamã 11:22-23). Os mistérios de Deus emanam, como o nome sugere, de Deus. Mas as doutrinas profundas são quase sempre meias-verdades – escrituras puras corrompidas com filosofias de homens. A doutrina profunda é motivada por Satanás, porque causa erro (3 Néfi 11:28-29). É uma das ferramentas de quem pratica artimanha sacerdotal (2 Néfi 26:29). Os mistérios de Deus são essenciais para exaltação. Eles são conhecidos somente se Deus permitir ao que exercita fé, faz boas obras sem cessar, se arrepende e ora com real intenção (Alma 26:22). Eles são revelados pelo Santo Espírito de Deus (D&C 90:14, D&C 121:45-46) – raramente são mencionados nas escrituras e na fala dos profetas – porque estes são instrumentos para se obter os mistérios. Eles não estão disponíveis no mundo (Jacó 4:8, D&C 42:65, Mateus 13:11). Entretanto muito desses mistérios são reservados aos santos que sobem à Casa de Deus (D&C 105:12, 18; 110). Lá é ensinado o caminho para perfeição, o mistério da Divindade (D&C 19:10; 84:19-22).
Quero dar alguns exemplos de doutrina profunda: “O que vem a ser, e qual a diferença entre curelons e cumons?”; “Qual a temperatura de um corpo celestial?”; “Adão tinha umbigo?”; “Onde esta a espada de Labão?”
Embora essas perguntas sejam interessantes e até instigantes, as repostas não são essenciais para exaltação, nem edificarão os atributos de Cristo necessários para viver com Deus. Os mistérios de Deus são verdades preciosas muito mais recompensadoras, por exemplo:
“Como posso assegurar minha vida eterna ao lado de Deus?”; “Qual o significado dos símbolos do sacerdócio?”; “Como a Expiação pode ajudar-me neste momento de extrema dificuldade?”; “Quem é o Espírito Santo e como ele pode revelar-me tal verdade?”
Os mistérios de Deus sempre conduzem a ação justa. Eles sempre nos tornam mais parecidos com Deus. Devemos buscá-los. Mas não é útil buscar conhecer doutrinas profundas que causarão bagunça na mente e apostasia no coração.
Gosto muito da história da conversa entre Cristo e a mulher Samaritana em João 4. Lá há uma clara distinção entre uma doutrina profunda e um mistério de Deus. A mulher, reconhecendo que Jesus tinha dons especiais quis saber onde ela deveria adorar: se em Jerusalém ou em sua própria terra (João 4:19-20). Aquela questão já causara muitos alardes e confusão entre judeus e samaritanos. Cristo propôs algo muito mais importante: o Pai estava buscando os verdadeiros adoradores. Este mistério ele viera revelar. Tão logo Jesus falou sobre o Pai, que era Espírito, ou se importava com as coisas do Espírito – era espiritual (João 4:21-24), ela disse: “Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier nos ensinará tudo” (João 4:25). Jesus Cristo revelou que ele era Jeová e o messias prometido (João 4:26). A revelação daquele mistério gerou a conversão e não a contenda. Os mistérios levam às águas vivas (João 4:14). E aquele tipo de mistério podia ser divulgado. Há outros que não o devem.
Como aprender os mistérios de Deus e qual sua importância?
“É dado a muitos conhecer os mistérios de Deus; é-lhes, porém, absolutamente proibido divulgá-los, a não ser a parte de sua palavra que ele concede aos filhos dos homens de acordo com a atenção e diligência que lhe dedicam. E, portanto, aquele que endurecer o coração receberá a parte menor da palavra; e o que não endurecer o coração, a ele será dada a parte maior da palavra, até que lhe seja dado conhecer os mistérios de Deus, até que os conheça na sua plenitude. E aos que endurecerem os corações, a eles será dada a menor parte da palavra, até que nada saibam a respeito de seus mistérios; e serão daí escravizados pelo diabo e levados por sua vontade à destruição. Ora, é isto o que significam as correntes do inferno” (Alma 12:9-11).
Os mistérios de Deus levam a vida eterna (D&C 6:7). Deixar de aprendê-los é o mesmo que deixar-se ser amarrado por Satanás (2 Néfi 1:21-27).
É preciso ter a confiança de Deus. Ele é misericordioso e deseja revelar seus mistérios a seus filhos (D&C 76:5-10). De fato, ele o faz abundantemente. Todavia há requisitos. Se um mistério for revelado sem que os requisitos sejam atingidos não há benção – há maldição (Jacó 4:14). Se recebêssemos todos os mistérios com nossa mente finita, neste instante, apostataríamos – pois não podemos suportar tudo agora (D&C 50:40, 78:18, 136:37). O Senhor se revela linha sobre linha, preceito sobre preceito (2 Néfi 28:30). Quando ele o faz exige que seu segredo seja mantido em sigilo (Alma 12:9). Isso para que haja salvação, em vez de condenação (João 16:12). Seu segredo é para os que o temem (Provérbios 3:32). Esse conhecimento é essencial para vida eterna e felicidade sem fim (D&C 11:7, 42:61; 2 Néfi 9:43).
Aprendemos esses mistérios tendo um desejo forte (Alma 29:4, Salmos 37:4, 1 Néfi 10:19). Pedindo com real intenção (Moroni 10:3-5). Guardando os mandamentos (D&C 63:23). Tendo paciência para aguardar a resposta e esperança de que um dia receberemos o entendimento. Vigiando e orando (3 Néfi 18:15), ou em outras palavras, prestando atenção à revelação, estando em espírito de oração. Freqüentando lugares santos. Sendo gratos e humildes. Pedindo mais. Examinando com diligência as obras-padrão (João 3:39, Alma 17:2-3) e palavras dos profetas vivos (Mosias 2:9). Também atentar para as interações com as pessoas e com a Criação. Não revelando o que já recebemos a menos que o Espírito indique (ver também D&C 88: 49-86).
“Que poder deterá os céus? Seria tão inútil o homem estender seu braço débil para deter o rio Missouri em seu curso ou fazê-lo ir correnteza acima, como o seria impedir que o Todo-Poderoso derramasse conhecimento do céu sobre a cabeça dos santos dos últimos dias” (D&C 121:33).
A vida eterna é conhecer a Deus e a Jesus Cristo (João 17:3). Esse conhecimento vem por revelação. Satanás esforçasse muito para que a comunicação sagrada seja interrompida. Ele cria desvios e distrações para que os mistérios não nós sejam revelados. Se não entendermos a verdade seremos aprisionadas por ele. Se nos contentarmos em conclusões especulativas pecaremos. É muito melhor, como Joseph Smith disse, olhar para o céu e compreender em cinco minutos, mais do que tudo o que foi escrito sobre o assunto.
Eu sei que há mistérios ocultos e sagrados.Sei disso, porque já recebi alguns deles. Evidentemente eu não os revelo neste blog! Nem ouso comentar sobre eles nas aulas e conversas. Às vezes, por inspiração de Deus eu os compartilho – e eles sempre edificam. Nessas ocasiões freqüentemente recebo mais deles. Sei como recebê-los. Não há nada que o Senhor não saiba. Tão logo eu esteja pronto compreenderei tudo, tal como Ele. E nessa ocasião terei Vida Eterna. Sei disso.
O Guia de Estudo das Escrituras define mistérios de Deus como “verdades espirituais que só podem ser conhecidas por revelação” (GEE Mistérios de Deus). A doutrina profunda pode ser entendida como os dogmas ocultos e secretos que poucos conhecem ou entendem.
Qual a diferença entre mistérios de Deus e Doutrina profunda?
Os mistérios de Deus só são conhecidos por revelação. A doutrina profunda é encontrada por especulação. Não é fácil conhecer os mistérios de Deus – há necessidade de limpeza de mãos e pureza de coração (tanto as obras da fé quanto as intenções do coração devem ser justas).
É razoavelmente fácil desvendar-se as doutrinas profundas – basta curiosidade, imaginação e extremo anseio por algo misterioso. Os mistérios de Deus sempre edificam (D&C 6:11), as doutrinas profundas sempre causam contendas e divergências de opiniões (Helamã 11:22-23). Os mistérios de Deus emanam, como o nome sugere, de Deus. Mas as doutrinas profundas são quase sempre meias-verdades – escrituras puras corrompidas com filosofias de homens. A doutrina profunda é motivada por Satanás, porque causa erro (3 Néfi 11:28-29). É uma das ferramentas de quem pratica artimanha sacerdotal (2 Néfi 26:29). Os mistérios de Deus são essenciais para exaltação. Eles são conhecidos somente se Deus permitir ao que exercita fé, faz boas obras sem cessar, se arrepende e ora com real intenção (Alma 26:22). Eles são revelados pelo Santo Espírito de Deus (D&C 90:14, D&C 121:45-46) – raramente são mencionados nas escrituras e na fala dos profetas – porque estes são instrumentos para se obter os mistérios. Eles não estão disponíveis no mundo (Jacó 4:8, D&C 42:65, Mateus 13:11). Entretanto muito desses mistérios são reservados aos santos que sobem à Casa de Deus (D&C 105:12, 18; 110). Lá é ensinado o caminho para perfeição, o mistério da Divindade (D&C 19:10; 84:19-22).
Quero dar alguns exemplos de doutrina profunda: “O que vem a ser, e qual a diferença entre curelons e cumons?”; “Qual a temperatura de um corpo celestial?”; “Adão tinha umbigo?”; “Onde esta a espada de Labão?”
Embora essas perguntas sejam interessantes e até instigantes, as repostas não são essenciais para exaltação, nem edificarão os atributos de Cristo necessários para viver com Deus. Os mistérios de Deus são verdades preciosas muito mais recompensadoras, por exemplo:
“Como posso assegurar minha vida eterna ao lado de Deus?”; “Qual o significado dos símbolos do sacerdócio?”; “Como a Expiação pode ajudar-me neste momento de extrema dificuldade?”; “Quem é o Espírito Santo e como ele pode revelar-me tal verdade?”
Os mistérios de Deus sempre conduzem a ação justa. Eles sempre nos tornam mais parecidos com Deus. Devemos buscá-los. Mas não é útil buscar conhecer doutrinas profundas que causarão bagunça na mente e apostasia no coração.
Gosto muito da história da conversa entre Cristo e a mulher Samaritana em João 4. Lá há uma clara distinção entre uma doutrina profunda e um mistério de Deus. A mulher, reconhecendo que Jesus tinha dons especiais quis saber onde ela deveria adorar: se em Jerusalém ou em sua própria terra (João 4:19-20). Aquela questão já causara muitos alardes e confusão entre judeus e samaritanos. Cristo propôs algo muito mais importante: o Pai estava buscando os verdadeiros adoradores. Este mistério ele viera revelar. Tão logo Jesus falou sobre o Pai, que era Espírito, ou se importava com as coisas do Espírito – era espiritual (João 4:21-24), ela disse: “Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier nos ensinará tudo” (João 4:25). Jesus Cristo revelou que ele era Jeová e o messias prometido (João 4:26). A revelação daquele mistério gerou a conversão e não a contenda. Os mistérios levam às águas vivas (João 4:14). E aquele tipo de mistério podia ser divulgado. Há outros que não o devem.
Como aprender os mistérios de Deus e qual sua importância?
“É dado a muitos conhecer os mistérios de Deus; é-lhes, porém, absolutamente proibido divulgá-los, a não ser a parte de sua palavra que ele concede aos filhos dos homens de acordo com a atenção e diligência que lhe dedicam. E, portanto, aquele que endurecer o coração receberá a parte menor da palavra; e o que não endurecer o coração, a ele será dada a parte maior da palavra, até que lhe seja dado conhecer os mistérios de Deus, até que os conheça na sua plenitude. E aos que endurecerem os corações, a eles será dada a menor parte da palavra, até que nada saibam a respeito de seus mistérios; e serão daí escravizados pelo diabo e levados por sua vontade à destruição. Ora, é isto o que significam as correntes do inferno” (Alma 12:9-11).
Os mistérios de Deus levam a vida eterna (D&C 6:7). Deixar de aprendê-los é o mesmo que deixar-se ser amarrado por Satanás (2 Néfi 1:21-27).
É preciso ter a confiança de Deus. Ele é misericordioso e deseja revelar seus mistérios a seus filhos (D&C 76:5-10). De fato, ele o faz abundantemente. Todavia há requisitos. Se um mistério for revelado sem que os requisitos sejam atingidos não há benção – há maldição (Jacó 4:14). Se recebêssemos todos os mistérios com nossa mente finita, neste instante, apostataríamos – pois não podemos suportar tudo agora (D&C 50:40, 78:18, 136:37). O Senhor se revela linha sobre linha, preceito sobre preceito (2 Néfi 28:30). Quando ele o faz exige que seu segredo seja mantido em sigilo (Alma 12:9). Isso para que haja salvação, em vez de condenação (João 16:12). Seu segredo é para os que o temem (Provérbios 3:32). Esse conhecimento é essencial para vida eterna e felicidade sem fim (D&C 11:7, 42:61; 2 Néfi 9:43).
Aprendemos esses mistérios tendo um desejo forte (Alma 29:4, Salmos 37:4, 1 Néfi 10:19). Pedindo com real intenção (Moroni 10:3-5). Guardando os mandamentos (D&C 63:23). Tendo paciência para aguardar a resposta e esperança de que um dia receberemos o entendimento. Vigiando e orando (3 Néfi 18:15), ou em outras palavras, prestando atenção à revelação, estando em espírito de oração. Freqüentando lugares santos. Sendo gratos e humildes. Pedindo mais. Examinando com diligência as obras-padrão (João 3:39, Alma 17:2-3) e palavras dos profetas vivos (Mosias 2:9). Também atentar para as interações com as pessoas e com a Criação. Não revelando o que já recebemos a menos que o Espírito indique (ver também D&C 88: 49-86).
“Que poder deterá os céus? Seria tão inútil o homem estender seu braço débil para deter o rio Missouri em seu curso ou fazê-lo ir correnteza acima, como o seria impedir que o Todo-Poderoso derramasse conhecimento do céu sobre a cabeça dos santos dos últimos dias” (D&C 121:33).
A vida eterna é conhecer a Deus e a Jesus Cristo (João 17:3). Esse conhecimento vem por revelação. Satanás esforçasse muito para que a comunicação sagrada seja interrompida. Ele cria desvios e distrações para que os mistérios não nós sejam revelados. Se não entendermos a verdade seremos aprisionadas por ele. Se nos contentarmos em conclusões especulativas pecaremos. É muito melhor, como Joseph Smith disse, olhar para o céu e compreender em cinco minutos, mais do que tudo o que foi escrito sobre o assunto.
Eu sei que há mistérios ocultos e sagrados.Sei disso, porque já recebi alguns deles. Evidentemente eu não os revelo neste blog! Nem ouso comentar sobre eles nas aulas e conversas. Às vezes, por inspiração de Deus eu os compartilho – e eles sempre edificam. Nessas ocasiões freqüentemente recebo mais deles. Sei como recebê-los. Não há nada que o Senhor não saiba. Tão logo eu esteja pronto compreenderei tudo, tal como Ele. E nessa ocasião terei Vida Eterna. Sei disso.
4 de jun. de 2010
Morôni 7:3 – Para quem foi dirigido as palavras de Mórmon
Esse discurso de Mórmon é para os membros da Igreja. Na verdade ele fala a um grupo especifico de membros da Igreja: aqueles que receberam esperança suficiente para entrar no descanso do Senhor “de agora em diante”. Parece que ele fez esse discurso na sinagoga, para os que haviam acabado de receber a certeza de exaltação ou para aqueles que estavam próximos de serem considerados “filhos de Cristo”. Ele então descreve o que é esperado dos filhos de Cristo.
Havia pouco justos na época de Mórmon e Morôni, é verdade, mas havia alguns...
Havia pouco justos na época de Mórmon e Morôni, é verdade, mas havia alguns...
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