12 de set. de 2012

A Árvore da Vida


               Quando Deus criou a Terra, plantou um Jardim à oriente do Éden para que o homem e a mulher desfrutassem do privilégio de sua presença por um tempo. Neste Jardim animais de todo tipo foram trazidos a Adão e ele os nomeou (Gênesis 2:20). Também havia todo tipo de vegetação, pelo qual deduzimos que Adão também as denominou. Duas árvores especiais foram colocadas no Jardim. Deus chamou uma de árvore do conhecimento do bem e do mal, e outra de árvore da vida (Gênesis 2:8-9). Leí ensinou que às duas árvores eram vitais para que o homem exercesse arbítrio e iniciasse a mortalidade (2 Néfi 2:15-16). A árvore da vida, como o próprio nome sugere concedia imortalidade. E a árvore do conhecimento do bem e do mal possuía um fruto proibido, que se comido, transformaria os corpos vivificados pelo espírito em corpos mortais, de sangue. Adão e Eva podiam comer livremente da árvore da vida, mas não podiam comer da Árvore do bem e do mal. Eles desobedeceram a Deus e se tornaram mortais. Se comessem do fruto da árvore da vida na ocasião de sua transgressão se tornariam imortais, mas impuros - e seriam afastados para sempre da presença de Deus, sem possibilidade de redenção. É por isso que Deus colocou querubins e uma espada flamejante para impedir que Adão e Eva estendessem a mão e vivessem para sempre em seus pecados. Foi concedido um tempo de arrependimento. Quando o homem estivesse pronto, poderia provar do fruto da Árvore da Vida e desfrutar, com um corpo imortal, da presença de Deus (Alma 42:5, 8 - a leitura do capítulo todo é fortemente recomendada).
                Quando Leí teve uma visão do Plano de Salvação viu uma árvore a qual Néfi chamou de Árvore da Vida (1 Néfi 15:36). Essa Árvore possuía frutos brancos e deliciosos que enchiam o corpo e o espírito de alegria intensa (1 Néfi 8:11-12). Néfi, que teve a mesma visão que Leí (seu pai), aprendeu que o significado dessa árvore era o amor de Deus (1 Néfi 11:21-22, 25). A Árvore da Vida portanto é símbolo da Expiação de Jesus Cristo.
                Assim, a Árvore da Vida representa a santificação advinda do poder do Salvador, porque é pelo sangue de Cristo que somos santificados (Moisés 6:60). Essa santificação elimina a culpa e a dor, enche a alma de alegria e salva e exalta os filhos de Deus (Helamã 3:35). É possível, porém, que aqueles que provaram desse fruto se envergonhem de Cristo e caiam da graça e apertem-se do Deus vivo, por caminhos desconhecidos (1 Néfi 8:28, 33).
                Por todas essas considerações verificamos que só comemos o fruto da árvore da vida quando vencemos. E só vencemos depois de ter percorrido o caminho estreito e apertado, no meio da névoa de escuridão (1 Néfi 8:23-24, 30). Comer o fruto é receber a palavra mais segura de profecia - que é ter a exaltação confirmada (D&C 131:5). Como a barra de ferro é a palavra de Deus (1 Néfi 11:25) e o caminho estreito e apertado são os convênios e ordenanças[1], nosso empenho em agarrar com firmeza a barra de ferro e caminhar com resolução nos conduz tão somente ao chamado e eleição (GEE "Vocação e Eleição"). Isso deixa claro o que João quis dizer em Apocalipse 2:7: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus."



[1] O caminho estreito e apertado é o casamento, disse o Presidente Harold B. Lee (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Harold B. Lee, pg. 111). Antes do casamento no Templo, entretanto, há outros convênios e ordenanças. O primeiro é o batismo. Por isso chamamos o batismos de primeiro convênio ou a porta (2 Néfi 31:17). Podemos resumir os requisitos para salvação, que formam o caminho estreito e apertado, da seguinte maneira: (1) fé em Jesus Cristo e (2) arrependimento, (3) batismo, (4) recebimento do dom do Espírito Santo (batismo de fogo) e perseverança até o fim. Perseverar até o fim é (5) receber o sacerdócio (somente os homens), (6) casar-se no Templo e (7) continuar a guardar os mandamentos até que o Senhor nos justifique, santifique e nos sele para exaltação. O casamento sem a perseverança é vão, pois o Santo Espírito da Promessa retirará o selo aprovador e não haverá validade por conta da iniquidade.

5 de set. de 2012

Anjos do Diabo


               Satanás e um terço dos espíritos que eram filhos de Deus e nasceriam nesta Terra foram expulsos, por cometerem o pecado imperdoável. Eles tornaram-se Filhos da Perdição. Neste Segundo Estado, os homens que pecarem para morte também se tornam filhos da Perdição. Vemos alguns casos nas escrituras. Por exemplo, Caim recebeu o título de Perdição e foi expulso para sempre (Moisés 5).
                Nas obras-padrão, espíritos imundos (espíritos malignos) e demônios são termos sinônimos. Significam a mesma coisa: "E expulsará demônios, ou seja, os espíritos malignos que habitam nos corações dos filhos dos homens." (Mosias 3:6).  Excepcionalmente, porém, apresentam-se distintos. Alguns poderão entender que quando essa distinção é apontada trata-se de mera retórica. Outros que "espíritos imundos referem-se a sentimentos e desejos negativos e pecaminosos. Todavia, não penso assim, e não me parece ser isso que as escrituras ensinam.
               O Livro de Mórmon ensina que há "demônios" e "espíritos imundos" (1 Néfi 11:31, 3 Néfi 7:19). Sugiro que os demônios se referem a Satanás e os espíritos pré-mortais que não receberam um corpo físico; e que os espíritos imundos indiquem os homens que, ao decaírem da graça durante e provação mortal, vão para o inferno e tornam-se servos do diabo.
               Assim, os anjos do diabo são: (1) os espíritos pré-mortais que nunca tiveram um corpo físico (demônios); (2) os homens que, enquanto na vida mortal, adquirem luz e conhecimento divinos, mas depois crucificam Cristo em seu coração - e tornado-se servos do diabo (iníquos que morrem espiritualmente); (3) àqueles que ao morrerem, permanecem do lado do diabo no mundo espiritual (espíritos imundos).
                Sabemos que o diabo tem poder sobre os elementos decaídos desta Terra (por exemplo: Moisés 1:21 - Satanás faz a terra tremer), e que pode aparecer como "anjo de luz" (II Coríntios 11:14, 2 Néfi 9:9). O Élder James E. Faust disse: " Satanás é o grande imitador, o grande enganador, o mestre da mentira, o maior falsificador da história do mundo. Ele entra em nossa vida como o ladrão no meio da noite. Seu disfarce é tão perfeito que fica difícil reconhecê-lo ou reconhecer seus métodos. Ele é um lobo em pele de cordeiro." ("A Garganta do Diabo", A Liahona, Maio de 2003, pg. 51).
                É por isso que o Senhor nos deu algumas chaves para identificar o diabo (ver D&C 129). Temos que vigiar orar para não cair em tentação (Mateus 26:41) - para vencer Satanás e seus servos que apoiam seu trabalho perverso (D&C 10:5). "Temos que lutar (...) contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais." (Efésios 6:12). Será, porém, apenas no último dia, que Miguel e suas hostes vencerão terminantemente o diabo e seus seguidores (D&C 88:113-115). O que não significa que não podemos, agora mesmo, sujeitar-nos, pois, a Deus, e resistir ao diabo, pois assim ele fugirá de nós (Tiago 4:7).