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25 de mar. de 2014

Por que a passagem de Mateus 7:1–2, da Tradução de Joseph Smith, difere das passagens correspondentes do Novo Testamento e do Livro de Mórmon?

Um rapaz que não conheço pessoalmente, mas que é de minha fé, me questionou a respeito de uma aparente contradição de passagens escriturísticas. Ele disse que buscou a resposta, mas não a encontrou. Com a esperança de ajuda-lo escrevi esta postagem[1].


Entendendo a pergunta
Em Mateus 7:1-2, o Salvador, como parte de seu extraordinário Sermão da Montanha, ensinou que os homens não deviam julgar:
Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

Semelhante ensinamento encontra-se em outros evangelhos (Lucas 6:37, João 7:24). Encontra-se, inclusive, no Livro de Mórmon, onde o Salvador ressurreto ensinou princípios muito parecidos com o que ensinou no Velho Mundo:
E então aconteceu que após ter dito estas palavras, Jesus de novo se voltou para a multidão e, tornando a abrir a boca, disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados e com a medida com que medirdes vos hão de medir a vós. (3 Néfi 14:1-2)

Quando Joseph Smith traduziu algumas passagens da Bíblia[2], modificou Mateus 7:1-2, deixando o texto da seguinte maneira:
Ora, estas são as palavras que Jesus ensinou a seus discípulos para que dissessem ao povo.
Não julgueis injustamente, para que não sejais julgados; mas julgai com um julgamento justo.

Comparando as passagens temos:

Passagens
MATEUS 7:1-2
3 NÉFI 14:1-2
TJS MATEUS 7:1-2
Público
-
E então aconteceu que após ter dito estas palavras, Jesus de novo se voltou para a multidão e, tornando a abrir a boca, disse-lhes
Ora, estas são as palavras que Jesus ensinou a seus discípulos para que dissessem ao povo.
Mandamento
Não julgueis,
Em verdade, em verdade vos digo: Não julgueis,
Não julgueis injustamente,
Explicação do motivo pelo qual devemos guardar o mandamento
para que não sejais julgados.

para que não sejais julgados.
para que não sejais julgados;
Explicação mais detalhada sobre o motivo do mandamento (consequência de julgar).
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados e com a medida com que medirdes vos hão de medir a vós.
-
Como devemos julgar
-
-
mas julgai com um julgamento justo.

Entendi que o questionador desejava não apenas uma explicação sobre o motivo pelo qual as passagens diferiam – mas especialmente se teria o Profeta Joseph Smith errado ao traduzir de forma diferenciada Mateus 7:1-2. Afinal, ele, Joseph Smith, é quem fizera a tradução do Livro de Mórmon, alguns anos antes de traduzir a Bíblia. Se o Livro de Mórmon contém uma tradução mais correta dos ensinamentos do Mestre – pois não foi submetido por dezenas de copistas e interpretes nos séculos de escuridão espiritual, como a Bíblia – não deveria conter o mesmo ensinamento original – o qual só teria sido restituído na Tradução de Joseph Smith da Bíblia? Em outra palavras: não deveria o texto de 3 Néfi 14:1-2 ser idêntico ou muito parecido com a Tradução de Joseph Smith de Mateus 7:1-2? Essa divergência não demonstra um equivoco – e talvez até uma falta de inspiração?

Claro que não!


Pressuposto
Há, todavia, um pressuposto (um conhecimento preliminar) necessário para que minha explicação seja adequada e faça pleno sentido. E este pressuposto é o testemunho (conhecimento espiritual) de que Joseph Smith foi um profeta de Deus.

Eu sei que Joseph Smith foi um profeta de Deus, pois pelos seus frutos o reconheci como tal (Mateus 7:15-20). E também sei que ele foi um profeta porque pelo poder e dom do Espírito Santo adquirir este conhecimento (Morôni 10:5). Convido a todos que não receberam esta certeza a perguntarem a Deus se Joseph não foi um profeta. A resposta seguramente vira ao que pedirem com fé, no devido tempo e no modo que Deus achar devido.

Os que estão relutantes, hesitantes, duvidosos e temerosos – precisam de um fortalecimento sobre o chamado divino do Profeta da Restauração – portanto, devem buscar ler e compreender quem foi este homem e depois orar a Deus. O próprio Senhor prestou testemunho de seu servo escolhido nesses últimos dias: “Portanto eu, o Senhor, conhecendo as calamidades que adviriam aos habitantes da Terra, chamei meu servo Joseph Smith Júnior e falei-lhe do céu e dei-lhe mandamentos” (D&C 1:17).


Resposta
Já que Joseph Smith foi um profeta, e sabemos que o Senhor o ordenou traduzir partes da Bíblia, não há como pensar que ele tenha se equivocado ao revisar Mateus 7:1-2. Então a pergunta é: qual o motivo de serem as passagens – do novo testamento, Livro de Mórmon e Tradução de Joseph Smith diferentes?

Primeiro vejamos se as passagens são contraditórias. Em sentido, não o são. De fato, são complementares. Usando apenas o Novo Testamento temos o ensinamento de “não julgar” (em Mateus 7:1-2) e o mandamento de “julgar segundo a reta justiça” (João 7:24). O primeiro mandamento refere-se a não julgar terminantemente – pois o juízo final pertence a Deus (Salmos 7:11, 88:2, João 5:22). O segundo, diz que devemos usar nosso arbítrio para escolher, avaliar, discernir, examinar, mensurar, classificar e determinar para nosso bem. “O Senhor não estava dizendo que nunca devemos julgar ninguém. Alguns oficiais da Igreja, como os bispos e presidentes de Estaca, são chamados para serem juízes em Israel, e deles se espera que julguem. Temos que julgar ao escolher amigos e pessoas com que nos associamos” (“Fazer a Vontade do Pai”, Manual do Aluno do Seminário, 1984, pg. 43).

O Élder Dallin H. Oaks disse: “Eu já fiquei intrigado ao ver que algumas escrituras nos ensinam a não julgar enquanto outras ensinam que devemos julgar e até nos dizem como fazê-lo. Ao estudar essas passagens, porém, concluí que essas orientações aparentemente contraditórias são bastante coerentes quando vistas de uma perspectiva eterna.
A chave é compreender que existem dois tipos de julgamentos: julgamentos finais, que nos são proibidos e julgamentos intermediários, que somos instruídos a fazer, mas de acordo com princípios justos. (…)
Primeiro, um julgamento justo precisa, por definição, ser intermediário (…)
Segundo, para fazermos um julgamento precisamos ser orientados pelo Espírito do Senhor e não levados pela raiva, desejo de vingança, inveja, ciúmes ou interesses pessoais. (…)
Terceiro para ser justo, qualquer julgamento intermediário que fizermos precisa ser quanto a algo dentro de nossa esfera de responsabilidade. (…)
Quarto, se possível, devemos abster-nos de julgar até que o nosso conhecimento dos fatos seja adequado” (“‘Judge Not’ and Judging”, Ensign, agosto de 1999, pp. 7, 9–10).

Segundo analisemos a diferença entre a passagem no Livro de Mórmon e a do Novo Testamento (conforme traduzido por Joseph Smith).

No novo Testamento, o Senhor está ensinado “seus discípulos” (conforme a Tradução de Joseph Smith de Mateus 7:1-2). Embora grande parte do Sermão tenha sido dirigido ao povo em geral,  sabemos que houve ocasiões em que Jesus se dirigiu especialmente para aqueles que se tornariam os líderes da Igreja. Assim a passagem de Mateus 7:1-2, conforme esclarecida por Joseph Smith, se aplica aos líderes da Igreja (pois a eles Cristo se dirigiu): eles deveriam julgar – mas com justiça. Outras passagens corroboram esta explicação. Por exemplo: Jesus disse que Pedro e os outros apóstolos O ajudariam a julgar a casa de Israel (Lucas 22:30). O Livro de Mórmon ensina que os Doze Apóstolos Nefitas julgarão o povo de Néfi – e estes serão julgados pelos Doze que Cristo escolheu em seu ministério mortal (1 Néfi 12:7-10). Aos doze nefitas o Senhor Ressurreto disse: “E sabei vós que sereis os juízes deste povo, de acordo com o julgamento que vos darei, que será justo (...)” (3 Néfi 27:27).
Esses líderes deveriam também ensinar essas palavras ao povo.
No Livro de Mórmon, ao contrário do que ocorreu no Velho Mundo, o Senhor, nesta parte de seu discurso, “se voltou para a multidão” (3 Néfi 14:1). Ele ensinou ao povo em geral diretamente que não deveriam fazer julgamentos.

Terceiro.  Há uma outra pequena diferença, entre as circunstancias exteriores das passagens.Mateus, como escritor, estava dirigindo suas palavras especialmente aos judeus[3]. Ele realçou profecias e ensinamentos que mais impactariam os judeus. Portanto, Mateus selecionou partes do Sermão da montanha e outros ensinamentos do Salvador que entendia serem mais pertinentes aos judeus. Mórmon também tinha um povo em mente: nós. E por isso registrou o que registrou.

Quarto. Na época que Joseph Smith traduziu o Livro de Mórmon, embora não tenha copiado o texto Bíblico, certamente achou nele inspiração, entendimento e compreensão – que facilitaram a tradução do Livro de Mórmon. A linguagem bíblia serviu de parâmetro para a escolha de termos e expressões linguísticas. Afinal, toda pessoa que traduz um texto faz mais do que meramente substituir uma palavra por outra, de novo idioma. Deve-se interpretar – e passar o verdadeiro sentido do texto original, ou o mais próximo disso. Para ser um eficiente interprete é preciso conhecer muito mais do que a língua em si. Embora Joseph contasse com a ajuda celeste – com mensageiros do céu, objetos especiais e o com o maravilhoso poder do Espírito Santo – certamente precisou dedicar-se o máximo na leitura do texto bíblico que tinha disponível – pois tal esforço mostraria a Deus, que ele, Joseph, estava disposto a receber mais (Mateus 25:29). Mesmo que ele não tivesse a bíblia teria conseguido realizar a tradução – pois para Deus “nada é impossível”. Mas a Bíblia certamente foi uma bênção na vida do Jovem Profeta.

Agora, o fato de ter a Bíblia na equação não desqualifica o milagre da tradução. Há muitas evidencias que atestam a divindade da obra[4]. Joseph não apenas lia o “egípcio reformado” das placas de ouro e escolhia uma palavra em inglês que a representasse. Ele tinha que fazer algo além de pedir a Deus compreensão. Devia, com relação ao texto a ser traduzido, “estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo [perguntar a Deus] e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto sentirás que está certo.” (D&C 9:7-8). Sobre a tradução do Livro de Mórmon recomendo os seguintes textos: O Milagre da Tradução do Livro de Mórmon, Tradução e Publicação do Livro de Mórmon – que mostram que Joseph precisou se esforçar muito para traduzir o Livro de Mórmon – e que sua tradução representou um grande milagre.

O Senhor aprovou a milagrosa e tradução e disse que ele “contém a verdade e a palavra de Deus— que é minha palavra aos gentios; para que logo seja levado aos judeus, de quem os lamanitas são remanescentes, para que creiam no evangelho e não mais esperem que venha um Messias já vindo.” (D&C 19:26-27).

Além de traduzir Joseph precisou interpretar o que traduzira. Ele foi ficando mais e mais experiente nisso (prova disso é que ele deixou de usar a Pedra do Vidente e Urim e Tumim - que eram auxílios enviados pelos céus para ajudar o iletrado rapaz). Na época da tradução de Mateus 7, Joseph já tinha suficiente maturidade como interprete para explicar e dar um sentido mais evidente a certas passagens, para o leitor moderno.

Quinto. As palavras são menos importantes que a mensagem que elas visam transmitir. Ou seja, o espírito da lei é maior que a lei em si. Para fomentar ou realçar alguns ensinamentos o Senhor e seus profetas podem alterar as palavras de uma passagem de escritura. Um exemplo é Malaquias 4:5-6. Lá o Senhor diz que “converterá o coração dos pais aos filhos”. Em 3 Néfi 25:5-6 lemos que o poder de Elias “voltará o coração dos pais aos filhos”. E em Doutrina e Convênios 2:2-3 o Senhor utiliza a palavra plantar: “ele plantará no coração dos filhos as promessas feitas aos pais”. Há algum erro nessas passagem? Claro que não! Elas querem todas dizer a mesma coisa: mas cada uma transmite a mensagem através de um significante diverso.

Nossa linguagem mortal é imperfeita – e para se transmitir a verdade vez por outra é necessário, devido a uma situação concreta, usar sinônimos, figuras de linguagem e até paráfrases.

Sexto. Alguns estudiosos do Livro de Mórmon afirmam que tanto a versão inspirada de Joseph Smith de Mateus 7 quanto a tradução de 3 Néfi 14 querem dizer a mesma coisa (mesma finalidade). Mas a tradução de Mateus 7 seria mais clara para nós, povo dos últimos dias, porque a forma de colocação das palavras transmitiria o significado da passagem de maneira mais óbvia; enquanto o relato de 3 Néfi seria uma tradução mais literal do original (do Hebraico) [5].


Breves considerações sobre as Tradução de Joseph Smith da Bíblia
“O Senhor inspirou o Profeta a restituir ao texto bíblico as verdades que haviam sido perdidas ou alteradas desde que o original fora escrito. Essas verdades restauradas esclareceram doutrinas e melhoraram a compreensão das escrituras. (...) Por ter o Senhor revelado a Joseph algumas verdades que os autores haviam registrado, a Tradução de Joseph Smith é diferente de qualquer tradução da Bíblia. Nesse sentido, a palavra tradução é usada em um sentido mais amplo e de forma diferente da habitual, posto que a tradução de Joseph foi mais revelação que uma tradução literal de um idioma para outro.” (Introdução aos Trechos Selecionados da Tradução de Joseph Smith).

“Tradução ou revisão da versão da Bíblia em inglês, conhecida como a Versão do rei Jaime, que o Profeta começou a fazer em junho de 1830. O Senhor ordenou a Joseph que fizesse a tradução, e este a considerava como parte de seu chamado como profeta.
Embora em julho de 1833 Joseph tivesse completado a maior parte da tradução, ele continuou a fazer modificações enquanto preparava um manuscrito para publicação, até sua morte em 1844. Embora ele tenha publicado algumas partes da tradução enquanto vivia, provavelmente teria feito outras modificações se tivesse vivido para publicar toda a obra. A Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias publicou em 1867 a primeira edição da versão inspirada de Joseph Smith, da qual, desde aquela época, publicaram diversas edições.
O Profeta aprendeu muitas coisas no processo da tradução. Algumas seções de Doutrina e Convênios foram recebidas em virtude de seu trabalho na tradução (como as seções 76, 77, 91 e 132). Além disso, o Senhor deu a Joseph instruções específicas para a tradução, que foram registradas em Doutrina e Convênios (D&C 37:1; 45:60–61; 76:15–18; 90:13; 91; 94:10; 104:58; 124:89). O Livro de Moisés e Joseph Smith—Mateus, hoje incluídos na Pérola de Grande Valor, foram extraídos diretamente da Tradução de Joseph Smith.
A Tradução de Joseph Smith restaurou algumas coisas claras e preciosas que foram perdidas da Bíblia (1 Né. 13). Embora ela não seja a Bíblia oficial da Igreja, essa tradução fornece muitos esclarecimentos interessantes e é um recurso valioso para entendermos a Bíblia. Ela é também um testemunho do divino chamado e do ministério do Profeta Joseph Smith.” (“Tradução de Joseph Smith (TJS)”, Guia Para Estudo das Escrituras)

“O Livro de Mórmon nos proporcionou iluminação sem par com referência a muitos assuntos do evangelho, mas dá poucos detalhes a respeito de outros temas, tais como a existência pré-mortal, os graus de glória, casamento celestial, Sião, a lei de consagração e a organização dos quóruns do sacerdócio. Muitas dessas doutrinas foram reveladas ao Profeta à medida que ele traduzia a Bíblia. Vê-se que um dos propósitos da Tradução de Joseph Smith (TJS) era ade servir como “professor” de Joseph Smith, pois quando o Senhor ordenou que ele começasse a fazer a tradução do Novo Testamento, disse: “E agora, eis que vos digo que nada mais vos será dado saber concernente a este capítulo, até que o Novo Testamento seja traduzido; e nele todas estas coisas serão dadas a conhecer; portanto agora vos permito traduzi-lo, para que estejais preparados para as coisas que hão de vir” (D&C 45:60-61).
Não será difícil entendermos a contribuição doutrinária da TJS, se virmos às revelações de Joseph Smith em ordem cronológica. Os primeiros exemplares do Livro de Mórmon se tornaram disponíveis durante a semana de 26 de março de 1830. Dentro de poucos dias, no dia 6 de abril, a Igreja foi organizada. Poucas semanas depois, em junho de 1830, constatamos a primeira revelação concernente à TJS. Nós a conhecemos como o livro de Moisés, capítulo 1, da Pérola de Grande Valor. Ao compararmos a cronologia da Nova Tradução com a de Doutrina e Convênios, notamos que alguns conceitos foram apresentados à mente do Profeta durante a tradução da Bíblia na qual foram, de fato, primeiramente registrados. Mais tarde alguns destes assuntos foram elaborados e elucidados por revelações subsequentes que hoje aparecem nas seções de Doutrina e Convênios. Poderíamos adquirir um entendimento mais completo, mais rico e mais claro da forma que a doutrina se desdobrava se colocássemos as passagens reveladas do Novo Testamento na sua devida ordem cronológica entre as seções correspondentes de Doutrina e Convênios. Por exemplo, Moisés 1 da TJS ficaria logo antes da seção 25; Moisés 2-5 apareceria um pouco antes da seção 29; Moisés 6 logo antes da seção 35 e Moisés 7 apareceria antes da seção 37. Antes de termos acesso aos manuscritos originais da TJS, esta comparação era impossível de ser feita, pois desconhecíamos as datas em que as revelações foram registradas nos manuscritos. A análise dos originais transforma nossa perspectiva.
As credenciais que concediam ao Profeta Joseph Smith a autorização de traduzir a Bíblia era o fato de ele ter sido chamado pelo Senhor para fazê-lo. Sua situação assemelha-se a de Néfi a quem o Senhor ordenou que construísse um navio. Néfi se sentia confiante que “se Deus me tivesse ordenado que fizesse todas as coisas, poderia fazê-las” (1 Néfi 17:50). Até 1830, quando Joseph Smith iniciou a tradução da Bíblia, ele já era um tradutor experiente devido a sua tradução do Livro de Mórmon. Ele disse que ele e Oliver Cowdery receberam ajuda específica do Espírito Santo para que as escrituras lhes fossem “abertas ao nosso entendimento e o verdadeiro significado e intenção de suas passagens mais misteriosas revelaram-se a nós de uma forma que jamais havíamos conseguido antes e que sequer imaginávamos” (Joseph Smith—História 1:74). Tal ajuda ultrapassaria até a maior habilidade linguística de tradução.
(...)
Será a Tradução de Joseph Smith simplesmente um comentário de Joseph Smith acerca da Bíblia, ou será ela uma restauração de materiais perdidos? Posto que o papel da TJS é o de fonte primária da doutrina dos Santos dos Últimos Dias, conforme revelada por ordem do Senhor, parece haver fortes motivos para argumentar que a TJS se trata da restauração do significado e conteúdo doutrinário que se perdeu da Bíblia. Quando Sidney Rigdon foi chamado para servir de escrivão para Joseph Smith no trabalho de tradução, o Senhor lhe disse: “Tu [escreverás] por ele; e as escrituras serão dadas tal qual se acham em meu próprio seio, para salvação de meus eleitos ” (D&C 35:20) Subentende-se que a Bíblia, da forma em que se encontrava naquela época, não estava no “próprio seio” de Deus. A Bíblia é o testemunho de Judá acerca de Deus e de Jesus Cristo. Não bastavam o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e a Pérola de Grande Valor para restaurar as verdades doutrinais perdidas. Para fazer jus aos profetas bíblicos tornou-se preciso restaurar a própria Bíblia a seu poder original de testemunha de Jesus Cristo e seu evangelho. A Bíblia tinha de ser corrigida e a Tradução de Joseph Smith faz uma contribuição poderosa à restauração de suas verdades.” (“A Nova Tradução e a Doutrina dos Santos dos Últimos Dias”, Religious Studies Center).

Resposta objetiva e conclusão
Por que a passagem de Mateus 7:1–2, da Tradução de Joseph Smith, difere das passagens correspondentes do Novo Testamento e do Livro de Mórmon?

Mateus 7:1-2 da Tradução de Joseph Smith difere de Mateus 7:1-2 do Novo Testamento porque o verdadeiro significado da passagem acabou sendo deturpado nos anos de escuridão espiritual, após a morte dos apóstolos de Cristo no Meridiano dos Tempos. Joseph restaurou o significado verdadeiro. Ele deixou mais clara a passagem.

Mateus 7:1-2 do Novo Testamento não difere de 3 Néfi 14:1-2 - se não no contexto, porque o Senhor ensinou sobre o tema de “julgamento” a grupos diversos. No Novo testamento o Senhor se dirigiu aos líderes (conforme fica claro na TJS), no Livro de Mórmon ele se voltou à multidão – falando a todo o povo em geral, indistintamente. Se houve algum ensinamento diferente foi apenas um outro aspecto do mesmo tema.

As passagens traduzidas de Joseph Smith (TJS Mateus 7:1-2 e 3 Néfi 14:1-2) não necessitam ser idênticas – tratando-se de ensinamentos dirigidos a povos com circunstancias peculiares. Todavia, eles podem estar dizendo a mesma coisa - ainda que com palavras diferentes.

Os ensinamentos da Bíblia, TJS e Livro de Mórmon não são contraditórios – mas complementares. Soma-se para nosso beneficio e instrução.

Finalmente, o Senhor - através de seus profetas - pode alterar ou modificar algumas palavras ou frases para que o receptor da mensagem compreenda mais plenamente o que Ele quer dizer. Assim, as palavras não são tão importantes quanto o que querem dizer – o instrumento não é tão relevante quanto à mensagem.

O Senhor disse: “Por que murmurais por receberdes mais palavras minhas? (...) Portanto digo as mesmas palavras, tanto a uma nação como a outra. (...). E isto eu faço para provar a muitos que sou o mesmo ontem, hoje e para sempre; e que pronuncio minhas palavras segundo minha própria vontade.” Depois Ele afirmou enfaticamente “E porque eu disse uma palavra não deveis supor que não possa dizer outras; pois meu trabalho ainda não está terminado nem estará até o fim do homem nem desde aí para sempre.” (2 Néfi 29:8-9)

Devemos, pelo que foi dito, ser gratos por tanta luz e restauração concedida em nossos dias. E caso haja perguntas ou necessidade de mais explicação sempre podemos recorrer ao Pai misericordioso que dá luz ao entendimento, através de seu santo Espírito.







[2] “De acordo com o Livro de Mórmon, no início a Bíblia continha a plenitude do evangelho de forma doutrinária muito clara. Mas logo após os tempos dos profetas do Velho Testamento, bem como depois da era do Novo Testamento, houve mudanças na Bíblia até tal ponto que já não continha a palavra revelada na sua plenitude e clareza originais (1 Néfi 13:24-29). O problema que enfrentamos hoje em dia não consiste na falta de poder traduzir línguas antigas, e sim na falta de manuscritos originais, ou pelo menos documentos completos e adequados. A grande perda de verdades do evangelho que resultou da retirada de “coisas claras e preciosas” da Bíblia (1 Néfi 13:28) coincidiu com a apostasia universal, de forma que há séculos que no mundo não se veem nem uma Bíblia adequada nem uma igreja que ensine a plenitude do evangelho. Uma parte fundamental e inicial da restauração da Igreja do Senhor à terra foi o fato do Profeta Joseph Smith ter recebido o mandamento de fazer uma tradução revelada da Bíblia, uma que visasse restaurar textos perdidos bem como ensinamentos perdidos e contribuísse à base doutrinária de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.” (“A Nova Tradução e a Doutrina dos Santos dos Últimos Dias”, Religious Studies Center).
[3] “Se as profecias do Velho Testamento e os acontecimentos da vida de Jesus Cristo forem comparados a dois elos de correntes diferentes, o testemunho de Mateus pode ser considerado um elo que une os outros dois elos. Mateus citou o Velho Testamento mais do que qualquer outro autor do Novo Testamento. Os primeiros versículos de Mateus mostram o nascimento de Jesus como uma continuação da história do Velho Testamento. Em sua leitura, você descobrirá que Mateus está sempre salientando que Jesus cumpriu as promessas e profecias do Velho Testamento (...)
Além de mostrar como Jesus cumpriu as profecias do Velho Testamento a respeito do Messias, Mateus ensinou como Jesus Cristo deu uma lei maior que a de Moisés, que era praticada pelos judeus do Velho Testamento. (Ver Mateus 5–7; em particular tome nota de Mateus 5:21–22, 27–28, 31–32, 38–42.)
Mateus também apresentou mais relatos do que Marcos, Lucas ou João sobre como os líderes dos judeus rejeitaram Jesus, a despeito dos muitos testemunhos de que Ele era seu Messias. Esse empenho em salientar que Jesus era o cumprimento da lei e profecia do Velho Testamento parece indicar que Mateus tinha um público judeu em mente ao escrever e que desejava que eles soubessem que Jesus era seu Messias.” (Manual do Aluno do Seminário – Curso do Novo Testamento, pg. 9)
[4]      Uma das evidências mais significativas encontra-se nas palavras de Isaías, mencionadas no Livro de Mórmon. Isaías falando sobre os últimos dias, especificamente sobre o Grande Dia do Senhor disse: "Pois o Senhor dos exércitos tem um dia contra todo soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido; contra todos os cedros do Líbano, altos e sublimes; e contra todos os carvalhos de Basã;  contra todos os montes altos, e contra todos os outeiros elevados; contra toda torre alta, e contra todo muro fortificado; e contra todos os navios de Társis, e contra toda a nau vistosa" (Isaías 2:12-16). Nessa passagem Isaías esta indicando a destruição dos orgulhosos quando o Senhor retornar.
Néfi, Jacó e o Salvador repetiram grande partes das palavras de Isaías no Livro de Mórmon. Néfi considerava as palavras de Isaías claras e valiosas para serem aplicadas a vida, ele sabia que elas conduziam ao Salvador (1 Néfi 19:18, 23-24, 2 Néfi 25:1-4). Como ele só escreveu nas placas o que considerava sagrado (1 Néfi 6:4-6, 9; 19:6), citou o profeta Isaías e comentou as passagens para que seu povo e nós entendêssemos. Algo, porém, aconteceu indiretamente. O livro de Isaías que Néfi possuía era muito mais impoluto que o nosso, porque não havia passado por várias traduções, por centenas de anos, durante uma Grande Apostasia. Portanto, embora o livro de Isaías da Bíblia seja semelhante as palavras registradas no Livro de Mórmon, há diferenças. E uma dessas diferenças se torna uma poderosa evidencia para a autenticidade do Livro de Mórmon e da Tradução do Livro de Mórmon. Sidney B. Sperry, estudioso do evangelho, disse:
"Em 2 Néfi 12:16 (Isaías 2:16), o Livro de Mórmon apresenta uma redação muito interessante. Começa com uma frase de [sete] palavras não existentes na versão hebraica. Como a Antiga Versão Septuaginta (Grega) concorda com a frase a mais do Livro de Mórmon, comparemos as redações - Livro de mórmon (LM) e Versão Septuaginta (VS) - como se segue:

LM. E todos os navios do mar,
VS. E todo navio do mar
LM. E todos os navios de Társis
VS. E contra todos os navios de Társis
LM. todos os cenários agradáveis
VS. E todos os cenários agradáveis
VS. E todo espetáculo de belos navios
(...)
"O Livro de Mórmon sugere que o texto original deste versículo continha três frases, começando com as mesmas palavras  "E todos". Por um acidente bastante comum, o texto original em hebraico perdeu a primeira frase que, no entanto, foi preservada pela Septuaginta. Esta perdeu a segunda frase e aparentemente corrompeu a terceira. O Livro de Mórmon preservou a três frases. Os eruditos poderiam alegar que Joseph Smith tirou a primeira da Septuaginta. Mas o profeta não sabia grego, nem há evidência alguma de que tenha tido acesso a uma cópia dela, quando traduziu o Livro de Mórmon, em 1829" (The Voice of Israel´s Prophets, pp. 90-91).

[5] "In summary, both are correct: the wording in the Inspired Version is (in a sense) an explanation of the Hebrew idiom which clarifies the mean' for us. The wording in the Book of Mormon is the Hebrew idiom itself. We take comfort in the words: "I Nephi ... make a record in the language of my father, which consists of the learning of the Jews and the language Egyptians." (I Nephi 1:1)" Leia mais: http://www.restoredcovenant.org/Document.asp?CAT=Hebrew+Nature&DOC=Lead+Us+Not+Into+Temptation%3A+A+Hebrew+Idiom

25 de mar. de 2013

"Encheu-me a alma de imensa alegria"


E aconteceu que vi uma árvore cujo fruto era desejável para fazer uma pessoa feliz.
E aconteceu que me aproximei e comi de seu fruto; e vi que era o mais doce de todos os que já havia provado. Sim, e vi que o fruto era branco, excedendo toda brancura que eu já vira.
E enquanto eu comia do fruto, ele encheu-me a alma de imensa alegria; portanto comecei a desejar que dele também comesse minha família; porque sabia que era mais desejável que qualquer outro fruto.
(1 Néfi 8:12-14)

                Leí recebeu uma extraordinária revelação através do dom do Espírito chamado sonho ou visão. Ele mesmo diz: "Eis que sonhei um sonho, ou em outras palavras tive uma visão" (1 Néfi 8:2)- esse aparente pleonasmo perde o aspecto vicioso quando compreendemos que o sonho pode ser "um dos meios pelos quais Deus revela sua vontade aos homens e às mulheres na Terra" e que "os sonhos inspirados são resultado da fé" (GEE "Sonho"). Assim Leí quis dizer: "Eis que sonhei um 'sonho inspirado'" ou "Eis que sonhei um Sonho, que é um dom espiritual".
                Embora o sonho tenha sido direcionado primeiramente para Leí, sua família e sua posteridade futura, esse sonho é extremamente importante para todos os homens - porque contém princípios eternos.
                Recentemente aprendi mais sobre os três versículos que mencionei acima.
                Leí viu uma árvore que era desejável para fazer uma pessoa feliz. Através de Néfi, aprendemos que a árvore simbolizava o amor de Deus (3 Néfi 11:22). A brancura do fruto simboliza a pureza. Quando Leí se aproximou e comeu do fruto sentiu sua alma encher-se de imensa alegria.
                Na revelação moderna aprendemos que o "espírito e o corpo são a alma do homem" (D&C 88:15). Essa importante explicação nos dá a entender que a alma é a união do corpo físico com o espírito infinito. Nem sempre, evidentemente, nas obras-padrão, a palavra "alma" é usada em seu sentido mais especifico - muitas vezes é tão somente sinônimo de espírito. Mas no caso de 1 Néfi 8, o Senhor fez-me entender que "alma" comporta o significado dado em Doutrina e Convênios (corpo + espírito).
                Quando recebi essa revelação aprendi que o fruto da árvore da vida beneficia tanto o corpo físico, como o espírito eterno. Ao refletir um pouco lembrei de como, na minha missão de tempo integral, eu vira muitas vezes essa verdade. Pessoas ignorantes, imundas e incivilizadas se transformaram por provarem os doces frutos da Expiação, em pessoas sábias, limpas e nobres.
                A Expiação, que é a maior manifestação do amor de Deus, faz com que recebamos bênçãos temporais e espirituais que não podem ser todas mensuradas e citadas. Graças a Expiação todos nós teremos nosso corpo físico imortalizado - sem aflições, doenças e dores; e também teremos nosso espírito salvo em um dos grandiosos reinos de glória (GEE "Salvação", "Expialção"). Todavia, existem milhares de bênçãos que recebemos imediatamente ao provarmos a expiação nesta vida. Eis algumas: sentir maior amor, desenvolver os atributos de Cristo: honestidade, fé, esperança, conhecimento ,etc; ter mais vigor físico e emocional; receber revelações diárias; ter o poder capacitador de realizar muita coisa boa; etc.
                Quando Leí sentiu os benefícios ardentes e imediatos da Expiação (perceba que ele apenas começou a comer do fruto e já teve a alma cheia de alegria), desejou compartilhar essa bênçãos imediatamente. Isso ensina muito a respeito de pregar o evangelho. Sentimo-nos mais dispostos a transmitir as verdades de Deus quando entendemos melhor a expiação de Jesus Cristo. E isso quer dizer que se não temos um desejo natural de pregar o evangelho, significa que não estamos provando o fruto da Expiação como deveríamos. Há uma "imensa alegria" tanto para o corpo quanto para o espírito ao provarmos a expiação de Jesus Cristo. Sei que isso é verdade. E também sei que devo esgotar minhas forças para convidar as pessoas a sentirem a maior alegria para alma (1 Néfi 11:23).

12 de mar. de 2013

Paradoxos do Evangelho


Um recente discurso de Élder Bednar me faz ponderar sobre a imensa sabedoria de Deus e nossa incredulidade e ignorância. Muito do que o Senhor faz nos parece estranho (Isaías 28:21, D&C 95:4, 101:95). Isso porque os pensamentos Dele são maiores que os nossos (Isaías 55:8-9). Listei alguns "paradoxos" do evangelho - verdades que nos parecem contraditórias. Deixei alguns paradoxos sem explicação, no final, para ponderação dos leitores.
1.       Somos menos que o pó da Terra. Somos a maior e mais gloriosa criação de Deus.
               O Presidente Dieter F. Uchtdorf disse: "Mas mesmo que o homem nada seja, enche-me de admiração e reverência pensar que “o valor das almas é grande à vista de Deus”. Embora possamos olhar para a vastidão do Universo e dizer: “Que é o homem, em comparação com a glória da criação?” Deus mesmo disse que nós somos a razão pela qual Ele criou o Universo! Sua obra e glória — o propósito deste Universo magnífico — é salvar e exaltar a humanidade.8 Em outras palavras, a vasta extensão da eternidade, as glórias e os mistérios do espaço e tempo infinitos foram todos criados para benefício de mortais comuns como eu e vocês. Nosso Pai Celestial criou o Universo para que pudéssemos alcançar nosso potencial como Seus filhos e filhas.
               Este é um paradoxo do homem: comparado com Deus, o homem não é nada; ainda assim, somos tudo para Deus. Embora comparados ao cenário da criação infinita possamos parecer nada, temos uma centelha do fogo eterno ardendo dentro de nosso peito. Temos a incompreensível promessa de exaltação — mundos sem fim — ao nosso alcance. E é o grande desejo de Deus ajudar-nos a alcançá-la." ("Você é importante para Deus", A Liahona, Novembro de 2011, pg. 20)

2.       Deus não depende de nós. Deus precisa de nós.
               O Salvador falou desse paradoxo: "Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão." (Lucas 19:40). Esse princípio se aplica para explicar que, embora Deus se agrade quando O invoquemos, Ele é perfeitamente desvinculado de nossos atos - e pode "crescer em glória" sem nossa participação. João Batista disse ao orgulhosos judeus: " E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão." (Mateus 3:9).
               O presidente Brigham Young ensinou: "O Senhor é perfeitamente independente. Ele recebeu sua glória e reina de modo supremo e onipotente. O Senhor não depende de vós ou de mim. Se todos nós apostatássemos e fôssemos para o inferno, tal fato em nada acrescentaria ou diminuiria sua glória. Ele deploraria a tolice que fizemos em nos desviar dos santos mandamentos e permitir que a ira do todo poderoso recaísse sobre nós. Os céus chorariam por nossa causa, mas ainda assim o Senhor possuiria sua glória, e não estaríamos trabalhando em seu beneficio. Em beneficio de quem estamos trabalhando? De nós mesmos." ("Deidade", Discursos de Brigham Young, pg. 23)
               Entretanto, por ser nosso Pai Amado, Ele precisa de nós - de cada um de nós. Nessa perspectiva de amor e misericórdia, onde a Expiação foi realizada por cada um (D&C 19:16), lembramos que o "valor das almas é grande a vista de Deus (D&C 18:10), e que ele permite que Sejamos seus servos para que nós mesmos sejamos abençoados.
               Falando as irmãs, a irmã Virginia U. Jensen, que serviu na Presidência da Sociedade de Socorro da Igreja, disse: "Somos mulheres do convênio, mulheres que reconheceram a verdade, aceitaram o evangelho de Jesus Cristo e fizeram convênios com o Senhor de segui-Lo e fazer Sua vontade. Ele precisa de nós - de cada uma de nós - para fazermos nossa parte no trabalho de levar a efeito a Sua grandiosa obra entre os filhos dos homens. Precisamos da Sociedade de Socorro, e ela precisa de nós." (Conferência Geral, outubro de 1998, Reunião Geral da Sociedade de Socorro)
               O Élder José L. Alonso, dos Setenta, explicou: "Temos uma responsabilidade e uma grande oportunidade. Há muitos que precisam, mais uma vez, experimentar o doce sabor da felicidade e da alegria por meio da atividade na Igreja. Essa felicidade vem pelo recebimento das ordenanças, da realização de convênios sagrados e do cumprimento deles. O Senhor precisa de nós para ajudá-los. Façamos a coisa certa, no momento certo, sem demora." (A Liahona, Novembro de 2011, pg. 15)
               O Élder Mark E. Petersen, que serviu no Quorum dos Doze Apóstolos, disse: "Ele [Jesus Cristo] é o Filho de Deus. É divino. Foi enviado ao mundo por um decreto dos céus. Nós somos Seus representantes, Suas testemunhas, e Ele depende de nosso trabalho, para que o mundo acredite que Deus O enviou, e assim talvez muitos viverão Seu evangelho e serão salvos." (“The Image of a Church Leader”, Ensign, agosto de 1980, pg. 5–8).


3.       Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de Cristo, achá-la-á.
               O Élder David B. Haight, que serviu como membro do Quorum dos Doze Apóstolos, ensinou: "Lembro a vocês que o Salvador ensinou, conforme registrado em Mateus, que "quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á". (Mateus 10:39) Alguns estudiosos e outros já pensaram: "Isso é um paradoxo. É provavelmente uma tradução errada. Não faz muito sentido". Está muito claro em minha mente, e espero que esteja na sua, que ao vivermos no mundo materialista, na Babilônia em que vivemos hoje, ao vermos o que acontece no mundo, quer leiamos as notícias da seção econômica, da seção de política ou de qualquer outra, podem perceber e sentir que encontramos força e achamos as respostas para as nossas dificuldades e nossos problemas ao darmos ouvidos à voz do profeta, do profeta de Deus sobre a Terra.
               Nessa afirmativa do Salvador, vemos que ao vivermos num mundo materialista só estamos preocupados com o lado materialista da vida. Pensamos em tudo o que podemos acumular para nós mesmos. Não estamos pensando nos outros nem estamos vivendo de modo a ajudar outros a viver num plano superior. O Senhor está dizendo que quando se encontra a vida que Ele exemplifica perde-se a vida centrada em si mesmo: "e quem perder a sua vida, por amor de mim (...)" Quando estamos preocupados em fazer algo para outra pessoa e quando estamos pensando em partilhar o evangelho ou ajudar alguém a ir para um plano superior, moral ou fisicamente, quando estamos fazendo algo para outra pessoa e partilhando algo com ela, estamos ajudando essa pessoa, estamos indo em seu auxílio. É nisso que encontramos a vida da qual o Salvador fala, encontramos as bênçãos eternas, as bênçãos celestiais, as bênçãos do templo, todas as bênçãos que podemos ter advindas de termos uma família amorosa." ("Apoio aos profetas", Conferência Geral, Sessão da Tarde de Sábado, Outubro de 1998)
               O Presidente James E. Faust ensinou: "Um dos paradoxos da vida é que uma pessoa que aborda tudo com a atitude o-que-eu-ganho-com-isso, pode conseguir dinheiro, propriedades e terra, mas ao final perderá a satisfação e a felicidade que sente uma pessoa que compartilha seus talentos e dons generosamente com outros.
Quero testificar que o maior e melhor serviço a ser desempenhado por qualquer um de nós é o realizado a serviço do Mestre. Nas diversas atividades de minha vida nenhuma foi mais recompensadora ou benéfica do que aceitar os chamados de serviço desta Igreja. Cada um deles é diferente. Cada um deles traz uma bênção separada. A maior realização na vida vem de se prestar serviço a outros e não ficar obcecado com “o que eu ganho com isso”. ("O que eu ganho com isso?", A Liahona, Novembro de 2002, pg. 22)

4.       Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros.
               O profeta Néfi explicou esse paradoxo: "E chegará o tempo em que ele [Deus] se manifestará a todas as nações, tanto aos judeus como aos gentios; e depois de haver-se manifestado aos judeus e também aos gentios, ele manifestar-se-á aos gentios e também aos judeus; e os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos." (1 Néfi 13:42).
               Em Éter 13:9-12 Morôni explica: "E haverá um novo céu e uma nova Terra; e serão como os antigos, exceto que os antigos morreram e todas as coisas se tornaram novas. E vem então a Nova Jerusalém; e bem-aventurados os que nela habitam, porque são aqueles cujas vestes são branqueadas por meio do sangue do Cordeiro; e são aqueles que são contados com os remanescentes da semente de José, que eram da casa de Israel. E então vem também a antiga Jerusalém; e bem-aventurados são os seus habitantes, porque terão sido lavados no sangue do Cordeiro; e são os que foram dispersos e coligados das quatro partes da terra e dos países do norte e participarão do cumprimento do convênio feito por Deus com seu pai Abraão. E quando sucederem estas coisas, cumprir-se-á a escritura que diz que há os que foram primeiros, que serão últimos; e há os que foram últimos, que serão primeiros."
               Os detalhes a respeito dessa coligação invertida não estão todos revelados. O Senhor disse: "Lembrai-vos, porém, de que aos homens não são dados todos os meus juízos; e assim como as palavras saíram de minha boca, assim serão cumpridas, para que os primeiros sejam os últimos e para que os últimos sejam os primeiros em todas as coisas que eu criei pela palavra de meu poder, que é o poder de meu Espírito." (D&C 29:30).
               Há outro significado desse paradoxo. O Senhor disse: "Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida. Porém, muitos primeiros serão os derradeiros, e muitos derradeiros serão os primeiros." (Mateus 19:28-30). Assim vemos que aqueles que são considerados os últimos pelo mundo, por serem pacíficos seguidores do Senhor, serão os primeiros para Deus, na eternidade.
              
Outros paradoxos do evangelho para você ponderar:

5.       Os que possuem posições elevadas devem ser servos; o Filho foi Homem foi servo.
6.       O mais glorioso e obediente Filho de Deus sofreu mais do que o pior dos pecadores
7.       A fé para ser curado e a fé para não ser curado
8.       Quanto mais aprendemos mais percebemos que sabemos pouco
9.       Toda tragédia é uma nova oportunidade; toda dificuldade é uma bênção
10.   O Senhor nos da fraqueza para que nos tornemos fortes.

27 de nov. de 2012

Maravilhoso, Conselheiro, Poderoso Deus, Pai Eterno, Príncipe da Paz


                Vários séculos antes do nascimento do Senhor Jesus Cristo, Isaías profetizou: "Pois um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Poderoso Deus, Pai Eterno, Príncipe da Paz." (Isaías 9:6, 2 Néfi 19:6)
                Desejo prestar meu testemunho a respeito desses títulos sagrados do Salvador do mundo.

                Maravilhoso
                Tudo na vida de Jesus Cristo é maravilhoso. Parte dessa maravilha se dá porque todos os profetas, de Adão até o último, haviam testificado do Filho de Deus: de seu nascimento, vida, sacrifício e ressurreição.
                Na dispensação do Meridiano dos Tempos uma virgem ficou grávida milagrosamente. No humilde estábulo, cercado de animais, pastores penitentes e anjos de glória, sob uma nova e brilhante estrela no céu - o pequenino e frágil bebê foi confiado a Maria e José, pessoas simples, mas boas. O menino, que recebeu o nome de Jesus, cresceu, com o dizem as escrituras " em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens" (Lucas 2:52). Aos doze anos Jesus foi "tratar dos negócios" do Seu Pai o Templo Santo (Lucas 2:49).
                Jesus era um menino obediente e se destacava dos demais, embora a magnificência de seus atributos e excelência de seu caráter tenham passado desapercebida para quase todos a sua volta. Ele era considerado o "filho do carpinteiro" (Mateus 13:55). E sua mãe, sabiamente, " guardava no seu coração todas estas coisas" maravilhosas (Lucas 2:51). Ela, Maria, sabia que Jesus era o Senhor, afinal ela proclamara: "A minha alma engrandece ao Senhor, E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1:46-48).
               
                Conselheiro
                Quando Jesus completou trinta anos, iniciou seu ministério entre os homens. Ele foi batizado por seu primo, "para cumprir toda a justiça" (Mateus 3:15). "E agora vos pergunto, meus amados irmãos, como foi que o Cordeiro de Deus cumpriu toda a justiça, sendo batizado com água?  Não sabeis que ele era santo? Mas, embora sendo santo, mostra aos filhos dos homens que, segundo a carne, se humilha ante o Pai e testifica-lhe que lhe será obediente na observância de seus mandamentos. Portanto, depois de ter sido batizado com água, o Espírito Santo desceu sobre ele na forma de uma pomba. E novamente isto mostra aos filhos dos homens quão estreito é o caminho e quão apertada é a aporta pela qual deverão entrar, tendo-lhes ele dado o exemplo.E disse aos filhos dos homens: Segui-me. Portanto, meus amados irmãos, poderemos nós seguir a Jesus se não estivermos dispostos a guardar os mandamentos do Pai? E disse o Pai: Arrependei-vos, arrependei-vos e sede batizados em nome do meu Filho Amado." (2 Néfi 31:6-11).
                Jesus chamou doze homens. A maioria eram pescadores iletrados. Mas Ele lhes deu poder. Ele disse: "Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça" (João 15:16).
                Jesus era um homem cheio de poder e sabedoria. Uma vez, um dos honrados membros do Sinédrio (que era o senado judaico e a mais alta corte de assuntos eclesiásticos e civis) procurou um conselho de Jesus. Ele indagou como poderia nascer de novo. Provavelmente a doutrina que lhe chegara aos ouvidos despertar uma sede espiritual. Jesus explicou que era necessário nascer da água e do Espírito (João 3:5). E disse também, falando de si mesmo: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." (João 3:16-17). Aquele homem, chamado Nicodemos compreendeu então que falava com o Messias: aquele que fora enviado por Deus para salvar o mundo.

                Poderoso Deus
                Jesus realizou muitos milagres. Mesmo antes de nascer, Ele havia estado com Deus, o Pai e criado o mundo e todas as coisas. É-nos dito: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. (...) Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. (...)E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (João 1:1-4, 10, 14)
                Em seu curta vida na mortalidade, Ele deu visão aos cegos, deu ouvidos aos surdos, fez o cocho andar, expulsou os demônios e chamou da morte os espíritos que haviam partido para que continuassem seus labores na mortalidade. Ele ensinou o caminho para salvação.
                Alguns disseram que Jesus fazia milagres pelo poder do demônio. Outros permaneciam céticos e ignorantes apesar dos sinais.
                Quando a hora final se aproximava, Jesus reuniu seus doze apóstolos e lhes deu últimas instruções. Eles instituiu a mais sagrada ordenança que temos na Igreja: o sacramento. "E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós." (Lucas 22:19-20)
                Então, no Jardim das Oliveiras, o peso de mundos caiu sobre ele. Cristo sofreu a morte espiritual, que é o completo afastamento de Deus e de Suas bênçãos. Ele mesmo disse mais tarde: "eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam; Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri; Sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito—e desejasse anão ter de beber a amarga taça e recuar—Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens." (D&C 19:16-19)
                Por causa do sofrimento de Jesus Cristo, que se chama Expiação, toda a humanidade pode ser salva. A dádiva expiatória será concedia de forma plena, porém, somente se obedecermos a Deus. Jacó explicou que Cristo veio ao"mundo para salvar todos os homens, se eles derem ouvidos a sua voz; pois eis que ele sofre as dores dos homens, sim, as dores de toda criatura vivente, tanto homens como mulheres e crianças, que pertencem à família de Adão. E ele sofre isto para que todos os homens ressuscitem, para que todos compareçam diante dele no grande dia do julgamento. E ordena a todos os homens que se arrependam e sejam batizados em seu nome, tendo perfeita fé no Santo de Israel, pois do contrário não poderão ser salvos no reino de Deus. E se não se arrependerem, não acreditarem em seu nome, não forem batizados em seu nome nem perseverarem até o fim, serão condenados, pois o Senhor Deus, o Santo de Israel, disse-o." (2 Néfi 9:21).

Pai Eterno
                A maldade dos homens foi tamanha, que o Filho de Deus foi levantado no madeireiro. Na cruz do Calvário ele mostrou compaixão rogando a Seu Pai que perdoasse os soldados, pois não sabiam o que faziam (Lucas 23:34). Na cruz, as dores pelos pecados do mundo voltaram. Quando tudo esta terminado, o Salvador olhou para o céu e disse: "Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito." (João 19:30).
                Mas, embora seu trabalho na carne houvesse chegado ao fim, seu trabalho para salvação das almas não.  Cristo  " foi, e pregou aos espíritos em prisão" (1 Pedro 3:19).
                No terceiro dia, um domingo, Cristo levantou-se dos mortos. Ele foi o primeiro homem a ressuscitar. Com um corpo glorificado e perfeito, ele se mostrou a muitos. Primeiro a Maria, depois a outros. Até mesmo visitou "outras ovelhas" (João 10:16). Lemos no Livro de Mórmon, que os nefitas eram essas outras ovelhas (3 Néfi 15:20). Ele também visitou outros.
                A ressurreição de Cristo fará cm que todos os homens - sejam bons ou maus - ressuscitem. Ele é, portanto o Pai, porque concede a vida. Aqueles que guardarem os mandamentos Dele, serão filhos Dele - sendo membros da Igreja do Primogênito.
                Ele deu uma ordem direta a seus ministros, antes de ascender aos céus: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." (Marcos 16:15-16). Ele prometeu que os ajudaria nesse encargo. E ele o fez. Todavia, a maldade foi tamanha, que a Igreja de Cristo precisou ser removida da Terra.
                Em 1830, porém, sob a direção Dele, a Igreja de Jesus Cristo foi restaurada.Ele disse que a Igreja era Dele (D&C 1:1) e que havia chamado um novo profeta (D&C 1:17). Em diversas ocasiões, Ele apareceu a seus discípulos nos últimos dias (JS-História 1:17-20; D&C 110),  - porque ele mesmo havia dito que não nos deixaria órfãos, mas que voltaria e se manifestaria (João 14:18-21).

Príncipe da Paz
                Pedro uma vez disse: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor,
E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio." (Atos 3:19-21) Pedro, como os outros profetas e apóstolos sabiam que haveria uma restauração de todas as coisas - e que logo em seguida o Salvador viria em poder e grande glória. Chamamos esse evento de Segunda Vinda.
                A Segunda Vinda será uma época grande e terrível. Grande para os justos, terrível para os iníquos. Quando o Salvador voltar, purificará a Terra e estabelecerá uma era de paz. Chamamos de Milênio essa época, porque o Senhor Jesus Cristo reinará por mil anos. Não haverá guerras, disputas e animosidades. Satanás será amarrado e não poderá tentar os homens.
                Depois de mil anos, o diabo será solto e reunirá suas hostes. Uma última e grande batalha ocorrerá, mas Cristo vencerá. Então a Terra será transformada mais uma vez - mas dessa vez em um Reino Celestial - "portanto é necessário que seja santificada de toda a injustiça, a fim de ser preparada para a glória celeste; Pois após ter cumprido o propósito de sua criação, será coroada com glória, sim, com a presença de Deus, o Pai" (D&C 88:19).

                Eu sei que Jesus Cristo vive hoje. Sei que Ele foi e é, e sempre será Maravilhoso, Conselheiro, Poderoso Deus, Pai Eterno e Príncipe da Paz. Eu o amo e sei que Ele me ama. Quero sempre segui-lo e persuadir todos os homens a fazerem o mesmo - pois assim serão felizes. 

24 de ago. de 2012

Quem apareceu no monte da Transfiguração?


                Parece uma questão simples não é mesmo? Basta ler o relato para achar a resposta. Todavia, quando Joseph Smith traduziu Marcos 9 deu a entender que João Batista esta no Monte da Transfiguração. Aparentemente este profeta (João Batista) estava não apenas no lugar de Elias, mas era Elias! Para compreender melhor a questão e procurar a resposta, escrevi o que se segue.

Monte da Transfiguração - relato de Marcos e Mateus
                Sabemos que no último ano do ministério de Cristo, quando a hora final do Senhor na mortalidade se aproximava, "Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e o levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles; E as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear. E apareceu-lhes Elias, com Moisés, e falavam com Jesus. (...) E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi. E, tendo olhado em redor, ninguém mais viram, senão só Jesus com eles. E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos." (Marcos 9:2-4, 7-9)
                Em Mateus lemos alguns detalhes a mais: "tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo.
E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo. E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus. E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos." (Mateus 17:1-9)
                Pelo registro bíblico lemos que estavam presentes: como mortais: Pedro, Tiago e João; como ser transfigurado: o Salvador Jesus Cristo; como seres transladados: Moisés e Elias; como ser ressurreto e glorificado, atrás de uma nuvem, o próprio Pai Eterno. Na maravilha e assombro da visão, certamente podemos incluir, ainda que o texto não mencione expressamente, o personagem de espírito chamado de Espírito Santo. Assim, contamos no total oito entes separados e distintos.

A Tradução de Joseph Smith de Marcos 9
                Quando Joseph Smith estava traduzindo a Bíblia, alterou Marcos 9:4 - para revelar-nos que João Batista estava no Monte da Transfiguração. Assim teríamos mais um personagem de espírito. Deve ser lembrado que João Batista havia sido decapitado a pouco tempo, e o Senhor se entristecera muito com isso. De todos os propósitos gloriosos do evento - como a concessão de chaves e poder aos Apóstolos que formariam a Primeira Presidência da Igreja após a ascensão do Salvador - um deles deve ter sido o de confortar e fortalecer o Senhor e prepará-lo para a agonizante e terrível expiação (assim também pensa o Élder James E. Talmage, em seu livro Jesus, o Cristo, na página 358). Assim, a visão de seu primo, João Batista, a vinda dos grandes profetas, Elias e Moisés, e a confirmação do Pai - serviram para consolar e animar o Cordeiro que logo iria ao matadouro.
                Persiste, porém, a questão. Leiamos a passagem que foi traduzida pelo Profeta Joseph Smith: "E apareceu-lhes Elias com Moisés, ou em outras palavras, João Batista e Moisés; e falavam com Jesus." (TJS Marcos 9:3).
                Que João Batista pode ser chamado de Elias fica claro pelo próprio texto Bíblico (Mateus 17:12-13). O Guia de Estudo para as Escrituras explica:
                "As escrituras usam de diversas maneiras este nome ou título.
                Precursor: Elias é o título de alguém que é um precursor. Por exemplo: João Batista era um Elias porque foi enviado a fim de preparar o caminho de Jesus (Mt. 17:12–13).
                Restaurador: O título Elias também foi aplicado a outros personagens que cumpriram missões específicas, como João, o Revelador (D&C 77:14) e Gabriel (Lc. 1:11–20; D&C 27:6–7; 110:12).
                Um homem da dispensação de Abraão: Um profeta chamado Esaías, ou Elias, que aparentemente viveu nos dias de Abraão (D&C 84:11–13; 110:12).
                NOTA: Elias é a forma grega do nome Elijah (hebraico). Como na tradução da Bíblia para o português foi usada sempre a forma grega, ou seja, Elias, estamos acrescentando o aposto o profeta ao nome Elias quando se trata do profeta do Velho Testamento citado em I Re. 17–II Re. 2, Mal. 4:5, Mt. 17:3, D&C 110:13-16."
                A Tradução de Joseph Smith de Mateus 17 esclarece que quando o Senhor explicou sobre Elias, "entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista e também de outro que viria para restaurar todas as coisas, como foi escrito pelos profetas." (TJS Mateus 17:14)
                Que Elias é um cargo ou chamado que comporta vários personagens não é suficiente para apaziguar a aparente contradição dos textos. As passagens dizem que um Elias viria primeiro para restaurar todas as coisas e outro Elias já havia vindo para preparar o caminho de Cristo. Sabemos que João Batista é um Elias, porque preparou o caminho do Salvador pregando e batizando o Filho de Deus; sabemos também que Elias, o profeta, Elaías e Moisés merecem o título de Elias, porque vieram para restaurar chaves nesta última dispensação. Além disso, Joseph Smith pode ser considerado um Elias, porque por meio Dele a restauração e a preparação para Segunda Vinda se iniciaram. Morôni e outros mensageiros celestiais que fizeram parte da Restauração também se adéquam ao chamado de Elias.

João Batista, Elias ou ambos estavam no monte da Transfiguração?
                Voltemos a questão central: quem estava no monte da Transfiguração: Elias, o profeta ou João Batista, o Elias que preparou o caminho do ministério mortal do Senhor? Se estavam ambos lá, porque Joseph Smith traduziu Marcos 9:4 aparentemente excluindo Elias o Profeta? Pois é dito que João Batista e Moisés estavam no monte - e não João, Moisés e Elias.
                Que Elias, o profeta, estava no monte da Transfiguração ninguém dúvida. Isso foi ensinado pelo profeta Joseph Smith com clareza (ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, capitulo 26 inteiro, páginas 321-329). Era necessário que Elias estivesse lá. O Presidente Joseph Fielding Smith explicou o porque:
                "“Por aí entendemos por que Elias e Moisés foram preservados da morte: por que
tinham uma missão a cumprir, e isto antes da crucificação do Filho de Deus, não podendo ser feita em espírito. Tinham que ter corpos tangíveis. (…) Por esse motivo, Moisés desapareceu do meio do povo, sendo levado para o monte onde o povo pensou ter sido sepultado pelo Senhor. Ele foi preservado pelo Senhor, para que, no devido tempo, pudesse vir restaurar as suas chaves sobre a cabeça de Pedro, Tiago e João, os quais estavam à testa da dispensação do meridiano dos tempos. (Ver Deuteronômio 34:5–6; Alma 45:18–19.) Preservou Elias da morte, para que também pudesse vir e conferir as suas chaves sobre a cabeça de Pedro, Tiago e João, e prepará-los para seu ministério. (…) Após a ressurreição de Cristo, eles [Moisés e Elias], naturalmente, passaram pela morte e ressurreição; depois, como seres ressurretos vieram cumprir missão de igual importância na dispensação da plenitude dos tempos.” (D&C 110:11–16; 133: 54–55) (Doutrinas de Salvação, vol. 2, pp. 110–111)
                João Batista era um ser de espírito apenas (sem um corpo físico) quando apareceu no monte da transfiguração - pois não fora transladado (como Elias, o profeta e Moisés), mas sim, passara por uma brutal morte (Mateus 14:3-12  e Marcos 6:17-29).
                Questionar a tradução do profeta Joseph Smith e sua autenticidade como servo do Senhor esta fora de nosso intento. Poderemos conversar a respeito disso em outra oportunidade. Ele, Joseph Smith Junior, foi um profeta, e de maneira inspirada revelou o verdadeiro sentido de Marcos 9:3, portanto João Batista realmente estava no monte da Transfiguração. O dicionário Bíblico SUD em inglês explica: "O texto curioso da TJS Marcos 9:03 não implica que o Elias no Monte da Transfiguração era João Batista, mas que, além de Elias, o profeta, João Batista estava presente" (referência em inglês; tradução livre)

Aceitando a Tradução de Joseph Smith como autêntica, por que razão Marcos citaria João Batista?
                Marcos escreveu seu evangelho principalmente aos gentios, diferente Mateus, que o fez para os judeus. Por isso Marcos é cuidadoso ao explicar os costumes dos judeus. Todavia, Marcos não se demora. Como o Manual do Aluno do Seminário do Curso do Novo Testamento explica: "Sem escrever muitas coisas a respeito dos pais ou do nascimento de Jesus, o “Testemunho de São Marcos” começa com o batismo de Jesus, que foi realizado quando Ele estava aproximadamente com trinta anos de idade. No primeiro capítulo, lemos também sobre o ministério de João Batista, a tentação de Jesus por Satanás, o chamado de alguns dos Apóstolos, três milagres específicos e outros grandes milagres. Esse ritmo acelerado continua ao longo de todo o livro, que é o menor dos quatro evangelhos. A palavra logo aparece mais de quarenta vezes nos dezesseis capítulos de Marcos, dando mais velocidade e ação à narrativa. O Evangelho de Marcos mostra Jesus como uma pessoa de ação e poder e contém mais relatos de milagres do que todos os outros evangelhos. Mas além do lado divino e poderoso de Jesus, esse evangelho mostra o lado humano de Jesus. Marcos mencionou mais vezes do que qualquer outro autor dos evangelhos que Jesus reservou algum tempo para ficar sozinho e descansar. (Ver Marcos 4:38; 6:31; 7:24; 8:13.) (pg. 39)
                90% dos eventos mencionados em Marcos são repetidos em outros evangelhos (Mateus, Lucas e João). Todavia, alguns eventos são mencionados apenas em Marcos. São eles:
        A parábola da semente e da colheita (ver Marcos 4:26–29)
        A menção de que Jesus era carpinteiro (ver Marcos 6:3)
        A cura de um homem em duas etapas (ver Marcos 8:22–26)
        O jovem discípulo que fugiu dos soldados na ocasião em que Jesus foi preso (ver Marcos 14:50–52; o jovem pode ter sido o próprio Marcos)
        Conforme a Tradução de Joseph Smith, o aparecimento de João Batista no Monte da Transfiguração.
                Veja, Marcos não era um apóstolo, como João e Mateus. Ele serviu como companheiro missionário de Paulo (Atos 12:25) e de Pedro (I Pedro 5:13). Ele deve ter aprendido as coisas que escreveu, não por si mesmo, mas principalmente com Pedro. O GEE informa: "No Novo Testamento, João Marcos era filho de Maria, que vivia em Jerusalém (At. 12:12); é possível que fosse primo (ou sobrinho) de Barnabé (Col.4:10). Acompanhou Paulo e Barnabé a Jerusalém em sua primeira viagem missionária, separando-se deles em Perge (At. 12:25; 13:5, 13). Mais tarde acompanhou Barnabé até Chipre (At. 15:37–39). Esteve com Paulo em Roma (Col. 4:10; Fil. 1:24) e com Pedro, na Babilônia (provavelmente em Roma) (I Ped. 5:13). Finalmente, estava com Timóteo em Éfeso (II Tim. 4:11). Evangelho segundo Marcos: Segundo livro do Novo Testamento; é possível que tenha sido escrito sob a orientação de Pedro. Seu propósito é descrever o Senhor como o Filho de Deus, que viveu e trabalhou entre os homens. Marcos descreve, com energia e humildade, a impressão que Jesus causava aos espectadores. Segundo a tradição, depois da morte de Pedro, Marcos foi ao Egito, organizou a Igreja em Alexandria e morreu como mártir."
                Pedro teve a experiência pessoal de estar no Monte da Transfiguração, por isso, talvez, tenha compartilhado algo adicional com Marcos - como o aparecimento de João Batista - e Marcos tenha decidido que essa informação era relevante para seu público-alvo (os gentios) - para que compreendessem o papel de João Batista no Plano. Lembremo-nos que Marcos inicia seu relato a partir do batismo do Salvador, e que os gentios pouca noção tinham sobre o Velho Testamento, especialmente sobre a importância e missão do profeta Elias.
                Além disso, devemos ter em mente que não dispomos de um relato completo do que aconteceu no monte da Transfiguração (D&C 63:21). Os mistérios revelados naquela ocasião foram guardados pelos Três Apóstolos por ordem expressa até que Cristo ressuscitasse. Mesmo depois da Ressurreição, Pedro, Tiago e João não saíram proclamando abertamente tudo quanto haviam aprendido. Coisas sagradas devem permanecer sagradas, e às vezes precisam ser escondidas para tanto. Assim, quem sabe se não havia mais personagens que apareceram para ensinar e conceder chaves aos três Apóstolos Principais? Esse pensamento me parece muito coerente e adequado, ainda mais levando em consideração que a Plenitude do Evangelho foi dada aos antigos Apóstolos.

Conclusão.
                João Batista esta no monte da Transfiguração? Sim. Elias, o profeta também? Sim. Moisés também estava lá. Talvez outros, mas isso não sabemos com certeza. Porque estavam lá? para (1) restaurar chaves; (2) atestar a divindade e supremacia de Cristo; (3) confortar e fortalecer o Senhor. Não sabemos muito sobre o que aconteceu naquela ocasião sagrada. Sabemos que houve uma investidura de poder e bênção sobre os mortais que participaram Daquela ocasião. E essa investidura de conhecimento e poder foi vital nos dias, meses e anos subsequentes - para o sucesso e fortalecimento da Igreja.