7 de abr. de 2010

Éter 1:34-43 - Porque Jarede não orou ele mesmo para receber bênçãos, mas antes, pediu que seu irmão orasse a Deus?

Não se deve supor que Jarede não tenha orado, pois tal não é dito nas escrituras. Entretanto é dito que ele pediu ao seu irmão que clamasse ao Senhor por suas famílias e amigos. É interessante notar que Jarede disse: “vai e inquire ao Senhor se nos fará sair da terra e, se nos fazer sair da terra, pergunta-lhe para onde iremos. E quem sabe o Senhor nos guiará a uma terra escolhida entre todas as terras do mundo?”. Jarede foi bem especifico em seu pedido, creio que foi inspirado por Deus ao pronunciá-lo. Pelo relato de Éter fica claro que Jarede era um homem justo. Ele orava, portanto. E deve ter orado pessoalmente e em família sobre seus desejos mais profundos: não ser confundido, ficar com a família, sair da iniqüidade e herdar uma terra livre do mal. E por ter orado, sentia ou foi levado a solicitar por inspiração a seu irmão que orasse especificamente.
O irmão de Jarede era um homem “altamente favorecido por pelo Senhor”. Foi o irmão de Jarede que guiou o povo para fora de Babel (Éter 1:42). Foi o irmão de Jarede que inquiriu ao Senhor sobre os barcos e a luzes nos barcos (Éter 2 e 3). Foi ele que liderou a ida e chegada à Terra Prometida. Ele era o líder. Ele era o profeta. Jeová lhe apareceu! (Éter 3:13).
Por mais que Jarede desejasse receber revelação para seu povo – familiares e amigos – ele não podia fazê-lo – pois é o profeta-líder que recebe revelações para todos os homens. A casa de Deus é organizada. Jarede podia inquirir ao Senhor sobre sua própria situação e receber revelação para sua família imediata – pois era o patriarca de seu lar. Mas para ninguém mais. Esse mesmo principio é muito bem explicado em D&C 28:2, 6-7 – que diz que Joseph era o profeta-líder, tendo sido chamado e apoiado (D&C 21) para receber a vontade de Deus.
O Senhor ouve e responde a oração de todos – tenham chamados importantes na Igreja ou não, sejam ricos ou pobre, instruídos ou iletrados, grandes ou pequenos, crianças ou velhos, homens ou mulheres. Todos podem orar. Até os iníquos são ouvidos por Deus. Mas Deus dá ao profeta poder para guiar outras pessoas. Esse é o principio das chaves. Esses homens têm tanta confiança de Deus que eles se tornam poderosos em palavras “e ações, em fé e em obras”. De fato, todas as coisas se [realizam] segundo [suas] palavras, pois nada [pedem] que seja contrário a (...) vontade [do Senhor]” (Helamã 10:5).
Um exemplo ilustra o principio: O Presidente Kimball era o único homem que podia, na época, acabar com a restrição do sacerdócio a homens negros, pois portava todas as chaves e podia usar todas as chaves. Muitas cartas, histórias de fé, oração e pedidos de outras pessoas levaram o profeta a orar muitas e muitas vezes. A revelação veio, então. Do mesmo modo o irmão de Jarede inquiriu ao Senhor por “longo tempo” (Éter 1:43) e recebeu revelações e promessas que outros primeiramente buscaram – e abençoaram tanto a ele como a muitos outros.
O irmão de Jarede era um vidente que podia saber coisas passadas, presentes e futuras. Ele podia saber de “coisas que, de outra maneira, não poderiam ser conhecidas”. Esse é um dos motivos por que “um vidente (...) se torna um grande beneficio para seus semelhantes” (Mosias 8:17-18). Jarede, sabendo disso, apressou-se me solicitar o irmão-profeta. Era como os irmãos no inicio de nossa dispensação – procuravam Joseph para saber a vontade do Senhor – o que culminou em diversas sessões de Doutrina e Convênios (ver Introdução de D&C). Tais revelações não viriam, como vieram, se Joseph, que tinha o manto profético, não as recebesse.

Como Vencer a Tentação e o Pecado - 3 Néfi 18

Neste capítulo Jesus ensina como vencer a tentação e o pecado. Creio que suas palavras são tão validas para os a nefitas que o ouviram pessoalmente quanto para nós, pois Ele expressamente disse que os nefitas haviam ido a ele e sentido pessoalmente “e da mesma forma [deviam fazer] ao mundo”, convidando-os a achegarem-se a Cristo (3 Néfi 18:25).
O sacramento é o primeira arma contra a tentação e o mal. O propósito do sacramento foi ensinado pelo Senhor: comemos o pão em lembrança do corpo de Cristo – ao lembrarmos de Cristo testificamos ao Pai de nossa disposição de seguir os mandamentos – esse desejo convida o Espírito (3 Néfi 18:6-7); tomamos a água para cumprir os mandamentos – também testificamos a Deus sobre nossa disposição de seguir o Filho, que derramou seu sangue expiatório por nós - temos assim direito ao Espírito constantemente (3 Néfi 18:10-11). Além disso, quando tomamos dignamente o sacramento estamos edificando na Rocha do Redentor “que é um alicerce seguro”: o sacramento nos protege do inferno, o mal e as adversidades da vida (3 Néfi 18:12-13, Helamã 5:12).
A segunda arma contra a tentação e o mal é guardar os mandamentos (3 Néfi 18:14). Em provérbios 16:3 lemos: “Confia ao Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos.” Temos que tomar cuidado com nossos pensamentos, palavras e obras e guardar os mandamentos para não perecer (Mosias 4:30). A mente carnal é morte, e a mente espiritual é vida eterna 92 Néfi 9:39). Aquele que guarda os mandamentos é sustentado por Deus (1 Néfi 17:3) e salvo (1 Néfi 22:31). Alguns dos mandamentos são: adorar a Deus, e somente Ele, santificar o dia do Senhor, amar o próximo, não mentindo, roubando e guardando a lei da castidade (Êxodo 20:3-17; Marcos 12:30-31).
A terceira arma apresentado pelo Senhor contra o mal é vigiar e orar. Vigiar é estar atento, ser capaz de receber e seguir as revelações de Deus. Inclui orar individualmente e em família (3 Néfi 18:18-21), jejuar (Isaías 58:6-11), permanecer em lugares santos (D&C 45:32, 87:8), estudar as escrituras (João 5:39) e seguir os profetas (Jacó 4:6).
Onde tomamos o sacramento e aprendemos os mandamentos? Num lugar de adoração. Esse é a quarta forma de nos defendermos do mal: se reunir com freqüência para aprender e adorar (3 Néfi 18:22). Fazer obra missionária é a quinta arma eficaz contra a tentação e o mal (3 Néfi 18:22-25). Cristo é o exemplo e é a luz que seus seguidores levantarão. O exemplo e o convite são as ferramentas mais eficazes da obra missionária.
O Senhor Jesus Cristo concluiu suas palavras a multidão dizendo que “todo aquele que quebrar este mandamento ficará sujeito a cair em tentação” (3 Néfi 18:25). O Senhor deu-nos a receita de como vencer o mal, se a seguirmos teremos vida eterna.

Resumo do Plano Eterno de Deus

Tentarei resumir a doutrina mais importante, que é a doutrina Expiação de Jesus Cristo e sua aplicação na vida pessoal, que é a doutrina da Santificação. Eu o farei em um página. (Espero conseguir!)
A primeira coisa que se deve entender é que as doutrinas da Expiação e da Santificação, justamente por serem as mais importantes do Plano de Deus, estão em todas as obras-padrão, em todos os sermões dos profetas e em todas as orações dos justos. É uma doutrina é vital! E todos podem encontrá-las, pois estão em toda parte.
A doutrina é muito simples. Quando compreendida e aplicada leva à vida eterna, que é o maior dom de Deus (D&C 14:7). Entretanto, o mero reconhecimento da existência dessas doutrinas não tem a força necessária para efetuar a exaltação. Deve-se não apenas conhecer, mas viver. Ninguém é salvo em ignorância. O "saber", todavia, é apenas parte, porque até o Demônio, que tem um grande conhecimento,  foi condenado às trevas exteriores, por não ser sábio o suficiente para aplicar esse conhecimento. Os demônios creem e estremecem (Tiago 2:19), mas sua crença não gera a fé verdadeira no evangelho de Jesus Cristo, que é o poder para salvação (Romanos 1:16).
A doutrina da santificação pode ser resumida da seguinte maneira: Cremos que os primeiros princípios e ordenanças do evangelho são: fé no Senhor Jesus Cristo, arrependimento, batismo por imersão para remissão dos pecados, imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, recebimento do Santo Sacerdócio, concessão da Investidura sagrada, Casamento para todo tempo e eternidade, confirmação do chamado e eleição e perseverança até o fim. Cremos que a humanidade será exaltada em obediência as leis e ordenanças do evangelho (2 Néfi 9:21-25). Mas cremos que essas leis e ordenanças seriam obras mortas se Cristo não tivesse vindo a Terra e realizado um sacrifício infinito e eterno. Se ele não realizasse a Expiação ninguém poderia ser salvo, nem exaltado (GEE "Expiação"). A Expiação é o sacrifício de Deus pelas Suas criações e pelos filhos do Pai Celestial. Esse sacrifício incluiu dor, angustia mental, física e espiritual maior do que todas as dores de todo o tempo e de toda a existência.
Deus criou a Terra, colocou nela o homem e deu-lhes mandamentos. A obediência como primeira lei foi dada para que o homem ao obedecer fosse feliz. Deus também instituiu o sacrifício de animais como símbolo de que Ele mesmo, Deus, iria um dia, se sacrificar pelo mundo (GEE "Sacrifício"). O evangelho é de Cristo. Todas as ordenanças do evangelho apontam para Cristo, pois são símbolos dele (1 Néfi 11:14). Todos os convênios e leis do evangelho (que é o plano de salvação) apontam para Cristo (Moisés 6:63). Quando essas leis são obedecidas nos transformam em "criaturas novas" - nos tornamos filhos de Deus, semelhantes a Ele. Os atributos de Cristo são adquiridos à medida que vivemos as leis e ordenanças e andamos como Cristo andou.
Jesus Cristo veio a Terra para ser o exemplo perfeito. Se o seguirmos acharemos paz e vida eterna. Satanás opõem-se a Deus. Ele não deseja a felicidade dos homens, mas a miséria e desgraça, por isso tenta os homens a não obedecer a Deus; viver segundo uma verdade relativa, e não aceitar a verdade absoluta de Deus; mudar as leis, ordenanças e convênios do evangelho; enfurecer-se contra o que é bom, buscar os prazeres da carne, ser sensual e diabólico; e encherem o coração de orgulho e maldade e desprezar o que vem do alto. Com esses objetivos, o adversário usa suas táticas diabólicas para enganar e destruir (GEE "Satanás"). Deus, em sua bondade enviou a Terra profetas, apóstolos, pastores, símbolos, convênios, amigos, o maravilho poder e dom do Espírito Santo, anjos e muitos outros dons e bênçãos para ajudar seus filhos a acharem e trilharem o caminho da perfeição.
Como nascemos na Terra pela água, sangue e espírito, assim, simbolicamente, temos que nascer de novo. Nascer de Deus é o mesmo processo conhecido como despojar-se do homem natural, tornar-se uma nova criatura, tornar-se como um criancinha, tomar sobre si o nome de Cristo, andar com Deus, processo de justificação e santificação e conversão. Todos esses nomes são títulos do mesmo processo de santificação. No reino de Deus nascemos quando somos batizados (água), recebemos o Espírito Santo (espírito) e toda plenitude da expiação (sangue). Pela água guardamos o mandamento – sendo obediente a toda palavra que procede de Deus. Pelo espírito somos justificados – pois o Espírito Santo da promessa sela os atos e convênios firmados com Deus e nos limpa, por meio de seu fogo purifica-nos, tornando-nos justos diante do Pai. O sangue de Cristo, derramado por misericórdia, santifica-nos. Santifica-nos ao dar graça após fazermos tudo ao nosso alcance para salvarmos a nós e ao próximo.
Esse sangue permite que desenvolvamos os atributos de Cristo – humildade, fé, esperança, caridade, etc. – para que sejamos a medida da estatura de Cristo, para sermos participantes da natureza divina, para obtermos conhecimento de Deus (2 Pedro 1).
Para aqueles que vencerem o mundo, e forem limpos pelo sangue do Cordeiro a promessa é que Deus revelará sua face. Ao conhecermos como também somos conhecidos e recebermos o direito de entrar na Igreja do Primogênito, sendo julgados dignos pelas testemunhas especiais de entrar no reino celestial - teremos nos tornados cheios de amor, esperança e fé. Teremos nos tornado semelhantes a Deus, que tem amor infinito. Se houver queda neste nível abençoado a maldição é para morte – e trevas exteriores será o destino destes miseráveis. Mas se houver permanência fiel e constante e perfeição por meio da graça haverá glória imortal e vidas eternas.
Todas as coisas apontam para Expiação. Tudo é um símbolo de Sua ordem. Aqueles que forem escolhidos tornar-se-ão filhos e herdeiros legais, reis e rainhas, sacerdotes e sacerdotisas. Aqueles que entenderem parte ou plenamente o que eu disse estão no caminho seguro que levará a vida eterna.
Este é o plano e a doutrina. E todas as outras coisas se ramificam dessas verdades restauradas por Joseph Smith, o profeta da Restauração. Ouvir e desejar são os primeiros passos e receber a palavra mais segura de profecia, enquanto perseverar é o último e grande passo para entrar na Vida Eterna. Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vai ao Pai – para saciar a busca que todos temos de paz e felicidade – se não por Ele. Ele é a luz e a vida do mundo. E eu presto testemunho que isso é verdade. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Lucas Guerreiro