3 de mai. de 2010

Os dinossauros existiram? Qual a posição das doutrinas do evangelho restaurado com relação aos dinossauros?

Adoro dinossauros. Dês de pequeno me maravilho com essas criaturas fantásticas. Se eu fosse criar um mundo colocaria terópodes em vez de felinos e saurópodes em vez de elefantes, rinocerontes e cavalos. Em minha imaginação, meu mundo seria repleto de dinossauros – dos mais variados: grandes e pequenos, rápidos e lentos. Mas essa minha idéia me sobrevém pelas influencias mitológicas e cinematográficas da infância. Só dei essa introdução pessoal para dizer que gosto muito desses extintos animais dês de pequeno.


Tenho comprado muito livros, visto vários filmes e documentários e desenhado milhares de vezes os dinossauros. Paralelamente aos anos em que meu desejo paleontológico crescia, meu testemunho das Verdades do Evangelho florescia com intensidade. O conflito ocorreu naturalmente quando eu tinha doze ou trezes anos: se os dinossauros existiram, onde se encaixavam no plano de salvação?
Claro que os dinossauros viveram. Apesar de alguns recusarem a obviedade de sua existência – não há como se negar a realidade de que viveram – pois há milhares de fósseis desses animais já descobertos em todo o mundo. A pergunta que eu tinha em mente pode ser a de muitos santos dos últimos dias. Por isso quero compartilhar algumas das verdades que me foram reveladas na busca dessa questão.
A primeira coisa que aconteceu comigo, quando esse conflito entre as verdades do evangelho veio foi ter que decidir o que era mais importante. Felizmente fiz a escolha certa. Disse aos pensamentos céticos que ficassem calados, pois eles não me traziam alegria. Quanto aos pensamentos de testemunho e fé eu me agarrava a eles, com a convicção de que fé não é ter um perfeito conhecimento das coisas (Alma 32:21). Ao posicionar as prioridades de conhecimento – colocando o reino de Deus e a verdade acima de tudo e todos, permiti que a dúvida se tornasse um pergunta. Ora a dúvida não vem de Deus, e sempre destrói a fé (3 Néfi 8:4, D&C 60:7). Mas as perguntas são boas (1 Néfi 15:3). Elas demonstram a Deus que desejamos aprender. De fato, por meio de perguntas os profetas têm grandes visões e revelações (D&C 9:8, D&C 77:1, JSH 1:18). Foi uma pergunta que fez com que Joseph restaurasse o evangelho. A dúvida e hesitação fizeram com que grandes homens tropeçassem e recuassem (3 Néfi 2:1, D&C 58:29), perdendo assim a recompensa de prosseguir com fé.
Com a pergunta em mente, continuei a viver, guardando os mandamentos de Deus. Não fiquei ocioso sobre a questão. Mergulhei com profundidade nas teorias cientificas e nas doutrinas do evangelho. Olhando para trás, vejo que os dinossauros acabaram por me conceder um gosto maior pelo estudo constante e diligente do evangelho. Também aprendi na mocidade a buscar aprender de homens sábios. Como eu estava curioso buscava aprender por todos os meios possíveis. Perguntei a vários líderes da Igreja sobre o assunto. Infelizmente alguns deles, em vez de dizerem simplesmente que não sabiam sobre a questão, desejaram explicar coisas que não entendiam e causaram-me mais confusão. Todavia, o Senhor me ajudou. Por exemplo, um certo líder me disse que acreditava que os dinossauros morreram na época do dilúvio. Mas logo recusei tal teoria, porque os dinossauros são animais – e Noé colocou todo animal, inclusive todo réptil que se movia sobre a Terra na arca. A explicação desse líder era de que os dinossauros eram muito grandes, e por isso não cabiam na arca. Mas ele se equivocou, pois existiram dinossauros pequenos, do tamanho de coelhos e galinhas. Além disso, os fósseis datam de um tempo muito mais remoto do que do dilúvio. Os gigantes mencionados em Gênesis não são dinossauros, são pessoas – grandes como Golias (Gênesis 6:4, Números 13:33, I Samuel 17:4, Moisés 8:18).

Sendo que eu não encontrava nada coerente na literatura do evangelho e nas conversas com membros da Igreja, decidi escrever para Primeira Presidência da Igreja. Eu o fiz. A carta era bem grande. Além das questões sobre dinossauros, perguntava sobre outras coisas como, por exemplo, se devia, ou podia, estudar paleontologia. Depois de várias semanas a resposta chegou. Abri com ansiosidade o envelope da primeira presidência e vi, que a carta-resposta consistia numa única página. O élder F. Michael Watson, que na época era secretário da Primeira Presidência (e hoje é do primeiro Quorum dos Setentas) disse que os irmãos haviam lido minha correspondência e solicitado que eu fosse respondido com amor. A carta dizia que “o Senhor não revelou a conexão dos dinossauros com o Plano de Salvação (...) Quanto à decisão se você deve ou não estudar paleontologia é algo que você irá decidir junto com o Senhor.”
Fiquei grato pela resposta. Mesmo que a resposta fora “não sabemos”. Minha pergunta se calou. Muitas outras perguntas vieram em decorrência da primeira. Algumas consegui uma resposta após buscar diligentemente. Outras ainda se encontram arquivadas em minha mente, esperando uma resposta, que EU SEI QUE VIRÁ quando eu estiver preparado.(D&C 19:22, 132:45)  Aprendi que alguns assuntos são mais importantes que outros (Lucas 10:38-42). Alguns membros da Igreja dizem que “isso não é importante para nossa salvação” e por isso deve ser deixado de lado. Concordo que algumas coisas devem ser deixados de lado em face de outras mais importantes. Todavia, todo conhecimento é benéfico (D&C 88:79, 118), e não acho que minha busca tenha sido vã. De fato, aprendi princípios importantes que eu não creio que aprenderia de outra forma.
Mais tarde o Senhor me mostrou muito mais a respeito dos dinossauros. Élder Talmage, um apóstolo, que escreveu “Jesus, o Cristo”, era geólogo e estudava as rochas e os fósseis. Utah é um dos lugares onde há mais fósseis de dinossauros no mundo – lá se encontra o “Monumento Nacional do Dinossauro”. Neste Estado morava Élder Talmage. Ele disse: Os animais fossilizados – que incluem os dinossauros “viveram e morreram, de era em era, enquanto a Terra ainda não estava pronta para o homem ser colocado nela.” (Tradução livre de “Questions and Answers,” Tambuli, Apr 1988, 29–32; http://www.lds.org/ldsorg/v/index.jsp?vgnextoid=f318118dd536c010VgnVCM1000004d82620aRCRD&locale=0&sourceId=f2418b5c1dbdb010VgnVCM1000004d82620a____&hideNav=1).
Li, certo dia, em Doutrina e Convênios 101:32-34:
“Sim, em verdade vos digo: No dia em que o Senhor vier, ele revelará todas as coisas— Coisas passadas e coisas ocultas que nenhum homem conheceu, coisas da Terra pelas quais foi feita e seu propósito e seu fim— Coisas muito preciosas, coisas que estão no alto e coisas que estão em baixo, coisas que estão dentro da terra e sobre a terra e nos céus.” Quando li “coisas que estão dentro da Terra” foi como se lesse “fósseis”. Aprendi, pois o Espírito me confirmou, que o conhecimento que busco será revelado plenamente no milênio, e não agora. Reconheci, então, que por amor e justiça não sabemos todas as coisas. Se entendêssemos tudo isso seria uma prova de que alguém finito e mortal, como nós, criou tudo. E se Deus nos dissesse tudo o que quiséssemos isso seria para nós maldição em vez de bênção (Jacó 4:14), pois não podemos suportar todas as coisas (D&C 50:40, 78:18).
Os fósseis são uma evidencia de que Deus vive. Ele preparou todas as coisas para que viéssemos a Terra, fôssemos provados e voltássemos a presença Dele (1 Néfi 10:18). Os fósseis representam a oportunidade dos homens reconhecerem que não sabem nada, exercerem fé em Cristo e se santificarem a fim de aprenderem mais. Uma das teorias mais aceitas é que os restos sedimentares de animas (como os dinossauros) e plantas sob certas condições peculiares se transformam em petróleo debaixo da terra. Se for assim, o Senhor, sabendo que usaríamos tanto essa substancia em nossa época permitiu que os fósseis permanecessem embaixo da Terra para, no certo tempo, desfrutarmos do petróleo – tão essencial em nossos dias.

Os dinossauros viveram. São criação de Deus. Eles foram extintos. Isso não esta em desacordo com o evangelho, pois Deus extingue os animais (Isaías 50:2, D&C 133:68). Eles ressuscitarão, pois o sacrifício de Cristo foi para toda Criação (D&C 76:43). Aprenderemos mais sobre eles no devido tempo do Senhor. Os estudos de geologia, paleontologia e arqueologia que nada tem haver com o evangelho devem ser recusados se combaterem a fé (II Timotéo 2:23, Tito 3:9). Teorias que colocam dúvidas sobre a verdade do evangelho devem ser questionadas, e não questionar as verdades fundamentais do Plano. Ter perguntas em mente é bom e saudável para nosso crescimento e progresso. O teste da fé é essencial nesse Estado mortal.
Não expus mais, mas pretendo fazê-lo no futuro. Pretendo esclarecer sobre a teoria da evolução. Evidentemente os dinossauros não se encaixam somente no contexto da teoria da evolução de Darwin.
Como santos dos últimos dias podemos olhar os dinossauros como criações de Deus, sem especular onde Deus decidiu não revelar. Estudos sérios devem ser sempre apoiados, mas nenhum estudo comprovará a falsidade das verdades do evangelho. Eu sei que isso é verdade.

2 de mai. de 2010

Busca, Arbítrio e Justiça de Deus

Todos os homens buscam alegria. A procura da felicidade é um anseio fundamental, uma premissa vital de todos os homens em todos os lugares: “Adão caiu para que os homens existissem e os homens existem para que tenham alegria” (2 Néfi 2:25). Existimos – e isso é um fato inquestionável. Procuramos felicidade – e isso é um fato intrínseco a própria existência. Nós vivemos buscando felicidade: isso nos motiva a viver. Achar alegria infinita é o propósito da existência.


Deixando de lado a filosofia de homens – que desprezo por serem tão insuficiente quanto um sedento que sonha que bebe, mas acorda e esta ainda com sede (2 Néfi 27:3) – usarei da verdade para provar a importância de minhas palavras.

A verdade e liberdade.
A verdade é o conhecimento das coisas como foram, como são e como serão (Jacó 4:13, D&C 93:24). A verdade é Cristo (Enos 1:26, Alma 5:48, João 1:17). A verdade nos liberta (João 8:32): Cristo nos liberta! (João 8:36; 2 Néfi 9:19, 25- 26) O conhecimento da verdade (conhecimento de Cristo – de sua obra e glória), e aplicação desse conhecimento –que é sabedoria – é o que leva o homem a ter vida eterna, felicidade eterna (2 Néfi 2:27-28; D&C 42:61).

Todos nós buscamos liberdade e verdade – pois elas nos conduzem a alegria, a Deus. O propósito de vivermos e de toda criação é proporcionar alegria a Deus e a seus filhos (Moisés 1:39).

A verdade se encontra explicita nas escrituras sagradas (Helamã 15:7; 2 Timóteo 3:15-17). Elas serão a base para esse estudo. As escrituras falam de Cristo (João 5:39), regozijam-se em Cristo, pregam a Cristo e profetizam de Cristo; elas foram escritas para que procuremos a remissão de nossos pecados (2 Néfi 25:26). “E a remissão de pecados trás mansidão; e a mansidão e a humildade resultam na presença do Espírito Santo, o Consolador, que nos enche de esperança e perfeito amor, amor que se conserva pela diligência na oração até que venha o fim, quando todos os santos habitarão com Deus” (Morôni 8:26).

Habitar com Deus, como já expliquei, é ter infinita felicidade (Mosias 2:41). Essa alegria vem pelo viver digno (D&C 51:19). Ensinou o Salvador: “Se guardardes meus mandamentos, permanecereis no meu amor (...). tenho-vos dito isso para que minha alegria permaneça em vós, e vossa alegria seja completa.” (João 15:10-11)

Eis o maior axioma: o propósito da vida é usar o arbítrio o qual fomos investidos para escolhermos ter alegria. O arbítrio é a faculdade, vontade e o poder de escolher, ou “a habilidade e privilégio que Deus nos concede de escolhermos e agirmos por nós mesmos” (Arbítrio, GEE).


Justiça de Deus.

A Justiça de Deus é o conjunto de leis eternas que Deus segue . Essa Justiça estabeleceu as condições do arbítrio, e as sanções para as comissões e omissões dos seres que agem (1 Néfi 15:30, 2 Néfi 9:26, D&C 107:84, Romanos1:16-18, 28 e 32). A Justiça de Deus não pode ser negada, ela sempre existirá: “Se disserdes que não há lei, direis também que não há pecado. E se disserdes que não há pecado, direis também que não há retidão. E não havendo retidão, não há felicidade. E não havendo retidão, nem felicidade, não haverá castigo nem miséria. E se essas coisas não existem, não existe Deus. E se não existe Deus nós também não existimos nem a Terra; pois não poderia ter havido criação nem para agir nem para receber a ação; portanto todas as coisas inevitavelmente teriam desaparecido.” (2 Néfi 2:13). O profeta testificou ainda: “E agora, meus filhos, digo-vos estas poucas coisas para vosso proveito e instrução; pois existe um Deus e ele criou todas as coisas, tanto os céus como a Terra e tudo que neles há, tanto as coisas que agem como as que recebem a ação.” (2 Néfi 2:14)

Há duas grandes divisões na eternidade: coisas que agem e coisas que recebem a ação. As que agem são os filhos de Deus, e as que recebem a ação são as demais inteligências ou criações. No principio todos os filhos de Deus eram iguais, ou se achavam no mesmo nível de espiritualidade (Alma 13:5). Contudo com a dádiva do arbítrio permitiu-se o progresso, a felicidade e a retidão. Também se abriu caminho para a estagnação, infelicidade e pecado (Alma 42:16). Isso pôde acontecer por que Deus estabeleceu leis.

Sem leis não há ordem, e Deus é um Deus de ordem (D&C 132:8). Aplicando as palavras de uma revelação, que fala da organização do sacerdócio, para o contexto que estamos abordando: “ninguém estará isento da justiça e das leis de Deus, para que todas as coisas sejam feitas em ordem e com solenidade perante ele, de acordo com a verdade e justiça” (D&C 107:84).

A Justiça de Deus é o ordenamento de todas as coisas visíveis e invisíveis. As escrituras revelam que se Deus negar sua justiça, Deus deixa de ser Deus (Alma 42:13, 22). Por isso a obediência é a primeira, ou seja, o mais importante princípio dos céus: “Há uma lei, irrevogavelmente decretada nos céus, antes da fundação do mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam – e quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia” (D&C 130:20-21).

Se hierarquizássemos as leis da Justiça Divina as mais importantes seriam os princípios. Os princípios são verdades fundamentais e simples que “incluem doutrinas, mandamentos, ordenanças e preceitos” (Manual do Casamento Eterno, pg. IX – prefácio). Os princípios são imutáveis e se aplicam as mais diversas situações. Eles sempre serão válidos.

Aqueles que obedecem às leis e princípios são abençoados, aqueles que não obedecem são amaldiçoados. Essa obediência ou desobediência só é possível por que possuímos o arbítrio (D&C 104: 42, Alma 3:18-19; Deuteronômios 11:26-29).

Brigham Young disse:“As leis eternas pelas quais o Senhor e todos os outros existem nas eternidades dos Deuses decretaram que se deve conseguir o consentimento de todas as criaturas para que o Senhor possa governar perfeitamente.” (DBY, pg. 65) As coisas que recebem a ação ou as criações que não são filhos de Deus, obedecem ao Senhor por que Ele é Deus – e vive toda a lei.

Percebemos que, no relato da Criação do mundo, os deuses ordenaram aos elementos e eles se organizaram (Abraão 4). “E os Deuses vigiaram aquelas coisas que eles haviam ordenado, até elas obedecerem” (Abraão 4:18, itálicos adicionados).

Torna-se evidente que as inteligências possuem arbítrio. Ainda que esse arbítrio não seja o mesmo que os filhos de Deus, pois há coisas que agem e outras que recebem a ação (2 Néfi 214) . O pó da Terra sempre obedece à voz de seu Criador (Mosias 2:25; Helamã 12:7-8). As seguintes escrituras sugerem o arbítrio de todas as criações:

“Toda verdade é independente para agir por si mesma na esfera em que Deus a colocou, como também toda inteligência; caso contrário, não há existência” (D&C 93:30). Essa escritura mostra que a existência é intimamente ligada ao arbítrio.

“E também, em verdade vos digo que a Terra vive a lei de um reino celestial, porque cumpre o propósito de sua criação e não transgride a lei” (D&C 88:25). Ora, se a Terra obedece é porque tem capacidade de obedecer.

“E havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás” (Apocalipse 4:6). Joseph Smith recebeu mais luz sobre esse assunto em Doutrina e Convênios 77:2-4 (itálicos adicionados):

“[Pergunta:] O que devemos entender pelos quatro animais mencionados no mesmo versículo? [Resposta:] São expressões figurativas empregadas por João, o Revelador, para descrever o céu, o paraíso de Deus, a felicidade do homem e dos animais e dos répteis e das aves do ar; o que é espiritual sendo à semelhança daquilo que é material; e aquilo que é material, à semelhança do que é espiritual; o espírito do homem à semelhança de sua pessoa, como também o espírito do animal e de todas as outras criaturas que Deus criou.”

“[Pergunta:] Os quatro animais limitam-se aos próprios animais ou representam classes ou ordens? [Resposta:] Limitam-se a quatro animais, individualmente, os quais foram mostrados a João para representar a glória das classes dos seres na ordem ou esfera de criação que lhes foi destinada, no gozo de sua felicidade eterna.”

“[Pergunta:] O que devemos entender pelos olhos e asas dos animais? [Resposta:] Seus olhos representam luz e conhecimento, isto é, eles são cheios de conhecimento; e suas asas representam poder para mover-se, para agir, etc.”

Os animais, em sua esfera, são cheios de conhecimento e são capazes de agir. Assim como as demais inteligências.

“A todos os reinos se deu uma lei. E há muitos reinos; pois não existe espaço em que não haja reino; e não existe reino em que não haja espaço, seja um reino maior ou um reino menor. E a todo reino é dada uma lei; e toda lei também tem certos limites e condições” (D&C 88:36-38). O universo, ou melhor, a obra de Deus é muito maior do que pensamos. As eternas leis e os diversos reinos (que podemos entender como as diversas dimensões, condições ou esferas) possuem seres inteligentes que possuem leis maiores ou menores e são capazes de reconhecê-las e obedecê-las.

Não entraremos mais no mérito do arbítrio de todas as inteligências, pela simples razão de que Deus decidiu não revelar muito sobre esse assunto. Usaremos a classificação de Leí dizendo que há coisas que agem (Deus e seus filhos) e outras que recebem a ação das coisas que agem (são as demais inteligências). Nada diremos sobre a possibilidade de desobediência de uma inteligência que não seja um filho espiritual de Deus, nem especularemos sobre se é possível Deus deixar de ser Deus – não mais do que dizem as escrituras. O pó sempre obedece a Deus, porque Deus sempre honra sua posição (Abraão 3:18-19; Moisés 7:48-49, 56, 58, 61-62; Helamã 12:6-21; Mórmon 9:19; 2 Néfi 2:13-14; Alma 42:13-, 22-23, 25, 30).

Arbítrio.
Aqueles que possuem arbítrio são agentes, pois agem: tomam decisões. Falamos aqui dos filhos de Deus.

As condições para a existência do arbítrio são: (1) todos (os agentes) podem escolher: investidura de capacidade para decidir (inteligência ou luz e verdade reveladas); (2) só um lado (de dois) pode ser escolhido: há opostos e há incapacidade de escolha simultânea entre eles; (3) todos devem e querem escolher, e neutralidade é uma escolha; (4) toda escolha gera conseqüências, toda ação corresponde a uma reação; (5) impossibilidade de alterar as conseqüências da escolha: o efeito irremediável; (6) há escolhas de pouca relevância e triviais, mas ainda assim geram conseqüências – escolha entre o bom e o bom ou entre o mau e o mau; (7) As conseqüências afetam o resultado final: levando a alegria eterna ou tristeza eterna – responsabilidade do agente pelo fim; (8) e por mais que haja pressão de se fazer escolhas há responsabilidade advinda da investidura – ninguém pode coagir alguém em última instância a agir: inexistência de compulsão.

Um rápido vislumbre sobre as condições de existência do dom do arbítrio mostrarão os aspectos mais importantes do Plano de Salvação de Deus.

1- Todos podem escolher: Todos os filhos de Deus são investidos com o arbítrio. Esse privilégio foi-lhes dado antes de nascerem nessa Terra, e viverem na mortalidade. Esse poder de escolha é que possibilita os homens adquirirem conhecimento e crescerem. Sem o arbítrio os filhos gerados por Deus não podem se tornar como Ele, possuindo a Vida Eterna, alegria eterna. Porque sem o poder de decidir não podem obedecer às leis; e sem a obediência a Justiça de Deus não há bênção.

Deus nos criou para que fossemos como Ele. As escrituras revelam que Seu propósito é levar os homens a exaltação. Exaltação é a condição de vida de Deus : Deus é um homem exaltado. Além Dele ser Todo-Poderoso é nosso Pai Celestial e nos ama. Por nós amar deseja concede-nos tudo que tem. Mas só pode fazê-lo, como já foi demonstrado, de acordo com a Divina Justiça.

Por essa simples e grandiosa razão investiu-nos com o arbítrio: para que escolhêssemos o certo para sermos abençoados para sempre.

Deus nós deu o arbítrio em uma ocasião passada, na pré-mortalidade. Esse arbítrio gerou diferenças entre os filhos de Deus, que a principio eram todos iguais – porque uns preferiam luz e verdade e outros não. Alguns progrediram muito, outros, nem tanto. Assim pode Deus escolher os nobres e grandes que nasceriam nessa Terra para serem governantes (Abraão 3:22-23).

Sabendo que as escolhas erradas poderiam ser feitas por seus filhos, Deus providenciou a Misericórdia, para salvar o arbítrio de seus filhos. A Misericórdia vem por meio de Cristo, que foi enviado a Terra para possibilitar que os homens sejam exaltados. Sem Cristo o arbítrio não existiria. Isso é verdade ao entendermos que sem Cristo não haveria opção de redenção, vida e liberdade. Daí a correta conclusão de que a verdade nós libertará. Porque sem Cristo a morte e o inferno exigiriam os filhos de Deus – que falham, pecam, e não tem poder de redimirem-se sozinhos.

A Misericórdia de Deus não pode roubar a Justiça, mas pode satisfazê-la. Um pecador deve pagar por seus erro, diz a Justiça. Não obstante, a misericórdia diz que um pecador não precisa pagar por seu erro se um outro o fizer. Cristo, o mediador, sofreu pelos pecadores, para que não precisassem receber a punição da Justiça. O entendimento da doutrina Justiça e Misericórdia é o ponto chave do plano de redenção. É também a mais importante doutrina para compreender o amor do Pai, a Expiação de Jesus Cristo e a santificação de seus filhos. É sobre essa doutrina que basicamente tratarei no decorrer desse estudo. Por ora, basta saber que Deus nos deu o arbítrio e concedeu meios de sempre desfrutarmos desse dom, por sua misericórdia.

Antes de nascer fizemos escolhas. Nesta vida fazemos escolhas, e se passarmos no teste mortal continuaremos a fazê-las. Não há ninguém, exceto as criancinhas e alguns filhos de Deus excepcionais (que não tem capacidade de discernimento) que não saibam suficiente para escolher. “Pois eis que o Espírito de Cristo é dado a todos os homens, para que eles possam distinguir o bem do mal” (Morôni 7:16). O Espírito de Cristo é a Luz de Cristo – uma influência que parte de Cristo e preenche todo o espaço. Todos os que nascem possuem a luz de Cristo. Uma das manifestações dessa luz é a consciência. Assim todos são responsáveis pelos seus atos.

2- Só um lado (de dois) pode ser escolhido. Há opostos. Sem opostos não há escolha. Deve existir o bem e o mal, a verdade e a mentira, o certo e o errado, o prazer e a dor, a alegria e a tristeza. “Porque é necessário que haja uma oposição em todas as coisas. Se assim não fosse, (...) não haveria retidão nem iniqüidade nem santidade nem miséria nem bem nem mal. Portanto é preciso que todas as coisas sejam compostas em uma; pois se fossem um só corpo, deveriam permanecer como mortas, não tendo vida nem morte, nem corrupção nem incorrupção, nem felicidade nem miséria, nem sensibilidade nem insensibilidade.” (2 Néfi 2:11)

3- Todos devem e querem escolher. Os homens foram colocados em condição de agir: “os homens são livres segundo a carne; e todas as coisas que necessitam lhes são dadas. E são livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo (...)” (2 Néfi 2:27). Ou escolhemos a liberdade e a vida eterna ou o cativeiro e a morte. Não há como não escolher.

Vemos que há dois grandes poderes: o de Deus e o do diabo. Há dois grandes mestres, constantemente nos convidando a segui-los. Não podemos seguir a Deus e ao diabo: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon.” (Mateus 6:24). Ou escolhemos um ou outro.

A neutralidade é possível apenas quando não há conhecimento – onde não há lei, não há pecado. “E onde nenhuma lei é dada não há castigo; e onde não há castigo não há condenação; e onde não há condenação as misericórdias do Santo de Israel têm poder sobre eles, por causa da expiação; porque são libertados pelo poder dele.” (2 Néfi 9:25)

Quando há conhecimento não há campo neutro. Ou servimos a Deus ou ao diabo. Mesmo a inércia ou a ociosidade é uma escolha, no caso uma escolha diabólica.

Todos querem escolher. Naturalmente o homem defende e anela por liberdade, prazer e alegria. O elemento “busca” foi adicionado a todos os agentes. Assim como todos são livres, assim também todos buscam liberdade, conhecimento, alegria ou poder. Portanto aspiram escolher.

4- Toda ação corresponde a uma reação. Ao fazermos uma escolha geramos uma conseqüência. Nas palavras de Paulo: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará vida eterna” (Gálatas 6:7-8).

Uma pessoa que escolhe fumar terá problemas de saúde como conseqüência. Por mais que haja tratamentos médicos destinados a amenizar essas conseqüências, a conseqüência correspondente nunca deixará de existir.

Em outras palavras, uma escolha errada sempre produzirá maldição, e uma escolha certa sempre produzirá bênção. Evidentemente isso esta de acordo com a Justiça de Deus.

Se a misericórdia for levada em consideração, ainda assim as conseqüências do pecado não deixam de existir. Se alguém peca pode não receber a penalidade, por que Cristo, o mediador que concede misericórdia, foi penalizado em seu lugar. Nesse caso, a conseqüência do pecado foi transferida. Essa transferência acorre por causa da Expiação e das leis e ordenanças do evangelho, que serão demonstradas nos próximos capítulos.

Como vivemos juntos – vários seres que agem convivem – as escolhas de uns podem afetar a outros. De fato, as escolhas e conseqüências determinaram o tipo de mundo que vivemos e que viveremos.

Como vivemos num estado preparatório, algumas escolhas não surtirão efeito imediato. Na verdade não há lei que diga que toda ação corresponda a uma instantânea reação. A misericórdia acha espaço nessa brecha e concede um período para transferirmos as conseqüências de nossas más escolhas à Cristo. O tempo, que não existe para Deus, mas é medido pelos homens, é uma terna misericórdia que nos dá chance de escapar das garras da justiça pelas condições do Evangelho.

Por exemplo, um assassino e adúltero pode desfrutar de relativa paz e prosperidade terrena – sem ter que pagar pelos seus pecados enquanto estiverem no caminho – sem sofrer as conseqüências de suas más escolhas. Mas essas conseqüências os alcançarão e todos terão que pagar até o último senine (3 Néfi 12:25-26). Esse pagamento não será apenas por seus delitos, mas por terem recebido bênçãos sem merecerem. Terá um efeito ex tunc (retroativo).

5- O efeito é irremediável. Toda escolha gera conseqüências, e essas atingirão sua medida. É impossível impedir que um pecador seja punido. É impossível negar a um justo que seja abençoado. O trabalhador é digno de seu salário.

As não são conseqüências são impassíveis de mudança, pois elas podem deixar de existir para alguém (pecador) e ser transferidas (por meio das leis e ordenanças do evangelho) a outro (Cristo). Entretanto (os efeitos das escolhas) não deixam de existir – são transportados.

Como foi dito, por estarmos num estado de provação os efeitos das escolhas podem não chegar no tempo que julgamos ser adequados. E também os efeitos negativos, de escolhas alheias podem interferir em algum grau no arbítrio de outros. Por exemplo, um homem que intencionalmente fere outro deixando-o paraplégico, privará esse homem de desfrutar algumas escolhas e conseqüências que teria se não sofresse. Se esse homem ferido fosse um pai de filhos pequenos não poderia mais praticar esportes com eles. Deve-se imediatamente lembrar que por causa da Justiça de Deus e de Sua grande Misericórdia, o homem que sofreu o acidente terá o privilégio de brincar com seus filhos num tempo futuro se for fiel ou ao menos será recompensado por sua dor.

As prováveis interferências no arbítrio – como um homem ser escravizado – fazem parte do Plano de Deus. Catástrofes, adversidades, tribulações, provações de todos os tipos nos compelem a escolher – na verdade, sem as provas de arbítrio seria impossível seu exercício pleno.

Os efeitos de nossas escolhas e de outros, entrelaçadas, possibilitam o progresso e bem-estar, bem como a desgraça e a infelicidade.

6- Há escolhas de pouca relevância e triviais. Escolher uma peça de roupa de cor diferente pode ser uma escolha tão insignificante para um resultado final, como obter a exaltação ou a condenação, que podemos ser tentados a não considerar essa condição do arbítrio. Mas mesmo as escolhas pequenas são relevantes: “Podes supor que isso seja tolice de minha parte; mas eis que te digo que é por coisas pequenas e simples que as grandes são realizadas” (Alma37:6).

A peça de roupa de determinada cor pode ser carregada de um valor superior em relação à outra. Uma mesma peça de roupa pode ser moral ou socialmente bem aceita, enquanto outra, por ser de outra cor pode ser reprovada. Uma escolha pequena pode gerar conforto ou constrangimento.

Além disso, e mais importante, se a peça de roupa for indiscreta, revelando partes intimas os efeitos da escolha da pessoa que a usa serão negativos – gerarão um pecado. Assim uma escolha tão pequena pode gerar um resultado final muito grande: ser para sempre afastada da presença de Deus.

Conclui-se que as escolhas pequenas nem sempre são triviais – muitas vezes são vitais. Escolher pensar em algo pode ser determinante para a exaltação ou condenação: “Lembrai-vos que ter mente carnal e morte e ter mente espiritual é vida eterna” (2 Néfi 9:39).

Em suma há dois tipos de pequenas escolhas: escolhas, que embora diferentes gerem o mesmo resultado, e escolhas pequenas que geram resultados diferentes.

7- Responsabilidade do agente pelo fim: Os efeitos das escolhas são acumulativos, e em dado momento da existência contabilizarão um fim. Há dois resultados principais no fim do estado em que nos encontramos: salvação e condenação. Apesar de existir vários reinos de glória, e vários graus de salvação em cada reino, salvação sem exaltação é condenação – pois todos aqueles que não forem ao mais alto grau, estarão em desvantagem aos que obterem Vidas Eternas (D&C 132:4).

Aqueles que têm o arbítrio são suficientemente responsáveis pelo seu próprio fim, mas não são plenamente responsáveis. Explico. Se formos considerados dignos, por causa do bom uso do arbítrio, seremos salvos – mas não por nós mesmos, e sim “por meio dos méritos e misericórdia e graça” do Salvador Jesus Cristo (2 Néfi 2:8). Cristo dá a misericórdia, sem ela, as conseqüências de nossos erros exigiriam uma condenação proporcional. Mas para aqueles que fazem o que Ele pede, sua graça é suficiente (2 Néfi 25:23).

Vale fixar que Cristo só aplicará plenamente seu sangue expiatório aqueles que perseverarem até o fim. Cristo é quem diz quando é o fim. Isso significa que as conseqüências finais para as más escolhas só poderão deixar de existir quando as exigências da misericórdia estiverem sendo satisfeitas – quando Ele achar que está bom. As exigências para a Misericórdia são claras e simples: fé no Senhor Jesus Cristo, arrependimento, batismo por imersão, dom do Espírito Santo e perseverança até o fim (Alma 11:41). As exceções para o cumprimento desses requisitos são: as criancinhas com menos de oito anos de idade e os mentalmente incapazes.

Um caso deve ser entendido: certo homem, que procurava fazer o bem e cumpria suas obrigações, que Deus o tinha por justo e santo, acidentalmente matou uma pessoa. Ele terá que se defender perante as leis dos homens. Supúnhamos que sua defesa não foi convincente, e ele foi preso. O fim para este bom homem é o cativeiro – ele é responsável por esse fim?

Não. Não há carma, nem destino. Analisemos corretamente, já que nesse exemplo podemos saber mais no que nossos olhos são capazes de enxergar. Percebemos que o homem que matou é inocente a vista de Deus, e mesmo que sofra agravantes injustamente – e que morra na prisão como malfeitor – o seu fim ainda não ocorreu. O fim não vem com a morte. No Julgamento final esse homem receberá seu galardão. As injustiças serão corrigidas e Ele será indenizado pela Misericórdia de Cristo. O mesmo vale para o homem que morreu no exemplo – ele ainda será responsável pelo fim, mesmo que algumas oportunidades foram-lhe negadas pelo acidente. Todos são responsáveis pelo fim, independentemente de quem sejam e do que fazem e das pressões e circunstâncias esperadas ou não.

8- Ninguém pode coagir alguém em última instância a agir.

Um caso extremo: um assaltante aponta a arma para a cabeça de um individuo. A lei dos homens dirá, que o assaltante esta compelindo a vitima a fazer o que ele ordenar (sair de um carro, efetuar um saque em dinheiro, assinar um contrato, etc.). Mas no fundo não há verdadeira coação. O homem tem escolha: obedecer ao assaltante ou não. Se ele recusar o assaltante morrerá.

O exemplo de três virgens martirizadas, mencionadas na Perola de Grande Valor, que se recusaram a negar o verdadeiro Deus, mostra que nem a ameaça de morte as obrigou a fazer uma escolha (Abraão 1:11-12).

Mesmo que as circunstâncias sejam tais que digamos que não tínhamos escolha – sempre, neste estado terreno, temos escolhas.

É verdade que um viciado em drogas tenderá a agir de determinada maneira a manter seu vicio. Mas se ele escolher parar com aquilo poderá parar. E quando for curado, por Cristo, mesmo que haja pressão social ou diabólica para que volte a usar drogas poderá não escolher fazê-lo.

Há correntes filosóficas, morais e religiosas que defendem que não há arbítrio e outras que dizem que alguns dos pontos apresentados aqui não são verdadeiros. Sinceramente eu desprezo seus argumentos.

As escrituras revelam que temos o arbítrio e que viemos a essa Terra fazer escolhas e que ninguém esta previamente destinado a se tornar um Deus ou um diabo. Embora existam diferentes pontos de vista, e as tendências e mutações devam ser levadas em consideração quando falamos em decisões, creio que delineei os aspectos mais importantes sobre a realidade do poder de escolha que cada um de nós desfruta.

Não preciso provar, mais do que já expus, que as afirmações acima são verdadeiras. Eu poderia recorrer a mais exemplos e me aprofundar mais no tema, mas esse não é o objetivo desse estudo. Cada leitor poderá fazer tal julgamento por si mesmo.

Questões Polêmicas: Homossexualismo

Numa recente aula de sociologia da faculdade, o professor solicitou a apresentação dos temas recentes que achávamos mais polêmicos no Direito e na Sociedade. Quando temas como aborto, adoção de crianças por casais homossexuais, patente, extradição e diminuição da maioridade penal foram sugeridos, pensei: qual a opinião do Senhor a respeito de cada um desses temas? Para alguns dos temas, eu tinha uma resposta na ponta da língua, por me lembrei do que aprendera ao estudar as escrituras. Para outros, percebi que precisava de mais conhecimento. Decidi mergulhar nas escrituras para verificar o que o Senhor nos diz a respeito do homossexualismo.

O tão debatido relacionamento homo-afetivo – ou, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um tema muito complexo. Embora eu não deseje tornar esse blog um lugar de polêmica, creio que minha posição deve ser colocada. Essa posição se baseia nos padrões do evangelho restaurado de Jesus Cristo, como ensinado nas escrituras antigas e modernas.

Do ponto de vista dos homossexuais: esta ocorrendo uma discriminação absurda! Eles, que são pessoas livres para escolher viver como quiserem, estão sendo incomodados e até duramente afligidos e perseguidos.
As questões são muitas, e envolvem diversas áreas. Imagine, por exemplo, que um casal homossexual viva maritalmente por anos. Um deles morre. Todo patrimônio que eles adquiriram juntos vai para a família – para os pais do falecido, e não para o companheiro. Isso é justo? Isso é legal? Isso é moralmente correto? Isso é religiosamente aceitável? É economicamente tolerável? Assim percebe-se que o problema persiste além de uma resposta jurídica sobre o reconhecimento de bens ou da união estável.
Os homossexuais sentem que o preconceito resultante de casos semelhantes ao do exemplo gera intolerância, perseguição e perda dos direitos fundamentais – como liberdade, respeito, igualdade e direito de locomoção.
Quero dizer claramente que sou contra a discriminação e perseguição. Sou contra a intolerância. Eu não tenho preconceito contra os homossexuais – tenho antes um CONCEITO. Tal conceito vem da crença que vive um Deus e que ele ama todos os seus filhos. Esse conceito recusa toda e qualquer forma de homossexualismo como prática aceitável. Ora, bem sabemos que a família foi ordenada por Deus (Ver “Família Proclamação ao Mundo”) – e que Deus criou o homem a sua imagem, e a mulher foi criada da costela de Adão. Deus os casou e ordenou que tivessem filhos (Gênesis 1:26-28, 2:21-24). A família segue o modelo dos céus. Porquê? Porque não existe outra maneira do homem ser feliz. Se alguém tentar e trilhar outro caminho – qualquer outro caminho, que não seja seguir o que Deus ordenou – a infelicidade, ruína e morte serão o destino dessas pessoas.
Mas a maior parte dos que defendem o comportamento homo-afetivo recusam imediatamente qualquer explicação teológica a respeito do assunto. Para eles, não é uma questão de Deus, é uma questão de homens. A Moral, a Política e o Direito devem estar separados da Religião. Cada um deve ter a religião que julga conveniente e permitir que todos desfrutem da vida como bem entendem. Eles frequentemente lembram que o Estado é Laico, e que não precisam ouvir explicações religiosas sobre sua sexualidade.
Embora sejamos gratos pelo arbítrio e o defendamos com a vida se necessário, somos, como povo do Senhor, rápidos em anunciar o pecado e o perigo moral. Não devemos ceder a teorias e argumentos ilusórios e persuasivos. A verdade é absoluta existe, e vem de Deus. Se não tivermos padrões é bem fácil ser enganado por todo vento de doutrina e filosofia de homens conspiradores.
Falando sobre a decadência moral o Presidente Monson disse algo que, pro analogia se aplica ao assunto que estou apresentando: "Há muitos lugares [no mundo] onde a religião é coisa do passado e não há quem contra-ataque a cultura do compre, gaste, use, ostente, porque você merece. A mensagem é a de que a moralidade é uma coisa ultrapassada, a consciência é para os frouxos, e a ordem dominante é: ‘Não se deixar apanhar’”. Meus irmãos e irmãs, isso — infelizmente — descreve grande parte do mundo ao nosso redor. Será que nos afligimos, com desespero e assombro, imaginando como vamos sobreviver num mundo como esse? De fato, temos em nossa vida o evangelho de Jesus Cristo, e sabemos que a moralidade não é coisa ultrapassada, que nossa consciência existe para nos guiar e que somos responsáveis por nossas ações. Embora o mundo tenha mudado, as leis de Deus permanecem constantes. Elas não mudaram, e não vão mudar. Os Dez Mandamentos são o que são: mandamentos. Não são sugestões. São tão obrigatórios hoje quanto o eram quando Deus os deu aos filhos de Israel." (Presidente Thomas S. Monson, Novembro de 2011, pg. 83)

O Presidente Packer contou o seguinte em um Conferência Geral que ilustra a busca por uma solução humana para problema do comportamento homossexual : "Há vários anos, visitei uma escola em Albuquerque. A professora me contou a respeito de um menino que levou um gatinho para a sala de aula. Como podem imaginar, isso interrompeu tudo. Ela pediu que ele mostrasse o gatinho para as crianças da sala. Tudo ia bem até que uma das crianças perguntou: “É um gatinho macho ou fêmea?” Não querendo entrar naquela lição, a professora disse: “Não importa. É só um gatinho”. Mas elas insistiram. Por fim, uma das crianças levantou a mão e disse: “Eu sei como ficar sabendo”. Resignada em enfrentar a questão, a professora perguntou: “Como é que sabemos?” E o aluno respondeu: “Podemos fazer uma votação!”
Podem rir com esta história, mas se não ficarmos alertas, há pessoas hoje em dia que não apenas toleram, mas defendem a votação para mudar leis que legalizariam a imoralidade, como se um voto pudesse de alguma forma alterar os desígnios das leis de Deus e da natureza. Uma lei contrária à natureza seria impossível de se colocar em prática. Por exemplo, de que adiantaria um plebiscito para revogar a lei da gravidade? Há leis tanto morais quanto físicas que foram “irrevogavelmente [decretadas] no céu antes da fundação deste mundo” e que não podem ser alteradas.
A história mostra repetidas vezes que os padrões morais não podem ser mudados por meio de batalhas nem por votações. A legalização de algo fundamentalmente mau ou errado não evita o sofrimento e as penalidades que se seguirão tão seguramente quanto a noite segue o dia.
Independentemente da oposição, estamos decididos a permanecer no rumo certo. Continuaremos a seguir os princípios, as leis e as ordenanças do evangelho. Se eles forem mal compreendidos, quer por inocência quer por má fé, que assim seja. Não podemos mudar e não vamos mudar o padrão moral. Perdemos rapidamente o rumo, quando desobedecemos às leis de Deus. Se não protegermos e ampararmos a família, a civilização e nossa liberdade, inevitavelmente, tudo perecerá." (Presidente Boyd . Packer, "A Liahona", Novembro de 2010, pg. 75)

Basta dizer que Deus abomina o homossexualismo. (Mas não abomina o homossexual! Deus o ama. Nós precisamos saber diferenciar o pecado do pecador: http://lucasmormon.blogspot.com.br/2012/06/diferenciar-o-pecado-do-pecador.html)
Fico impressionado quando ouço que existem religiões que apoiam o homossexualismo e dizem que, ao mesmo tempo, creem na Bíblia. Qualquer pessoa que aceite, em menor grau que seja, a prática iníqua do relacionamento com pessoas do mesmo sexo rejeita, não só a Bíblia, mas a existência de um Deus bondoso (Gênesis 19:4-5, Romanos 1:26-27, 1 Coríntios 6:9-10, Levítico 20:13).

O homossexualismo aceita outro deus, que não o Deus verdadeiro. Acho que a seguinte citação, de um dos Doze Apóstolos modernos, resume bem o que quero dizer:
“A sociedade em que muitos de nós vivemos tem falhado há várias gerações em promover a disciplina moral. A sociedade ensina que a verdade é relativa e que cada um decide por si mesmo o que é certo. Conceitos como pecado e erro têm sido condenados como “julgamentos de valor”. Conforme o Senhor descreve: “Todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus” (D&C 1:16).
Como resultado, a autodisciplina é destruída e a sociedade é obrigada a tentar manter a ordem e a civilidade por meio da repressão. A falta de controle interno nos indivíduos gera o controle externo pelo governo. Certo colunista observou que “o comportamento cavalheiresco [por exemplo, antigamente] protegia as mulheres de atitudes imorais. Hoje, espera-se que as leis contra o assédio sexual refreiem o comportamento imoral. (…)
Nem a polícia nem a justiça podem substituir costumes, tradições e valores morais como meios de regulamentação do comportamento humano. Na melhor das hipóteses, a polícia e a justiça são o último e desesperado recurso de defesa da sociedade civilizada. Nossa dependência das leis para o controle do comportamento demonstra como nos tornamos incivilizados”.
Na maior parte do mundo vivenciamos uma recessão econômica extensa e devastadora. Ela foi causada por múltiplos fatores, mas um dos principais foi a generalização da conduta desonesta e sem ética, especialmente nos mercados de imóveis e finanças dos Estados Unidos. A reação se concentrou no aumento e na rigidez das regulamentações. Talvez essa medida possa dissuadir alguns de agir de maneira ilícita, mas outros simplesmente se valerão de meios mais criativos para burlar a lei. É impossível haver regras suficientes e tão bem articuladas que possam prever e cobrir cada situação; e mesmo que houvesse, sua aplicação seria demasiadamente cara e complicada. Essa abordagem conduz à restrição da liberdade de todos. Como disse de forma notável o Bispo Fulton J. Sheen: “Não quisemos aceitar o jugo de Cristo; pois agora devemos tremer sob o jugo de César”.
Em suma, somente uma bússola moral interna em cada indivíduo pode efetivamente orientar-nos nas causas e nos sintomas originais da decadência social.A sociedade vai lutar em vão para estabelecer o bem comum, se não denunciar o pecado como pecado e se a disciplina moral não ocupar seu lugar no panteão das virtudes cívicas.” (Conferencia Geral, outubro de 2009, “Disciplina moral”, Élder Christofferson)

A bússola moral interna pode ser achada e ajustada com o padrão do Senhor apresentando nessa pungente declaração:
"A FAMÍLIA foi ordenada por Deus. O casamento entre o homem e a mulher é essencial para Seu plano eterno. Os filhos tem o direito de nascer dentro dos laços do matrimônio e de ser criados por pai e mãe que honrem os votos matrimoniais com total fidelidade. A felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. O casamento e a família bem sucedidos são estabelecidos e mantidos sob os princípios da fé, da oração, do arrependimento, do perdão, do respeito, do amor, da compaixão, do trabalho e de atividades recreativas salutares. Segundo o modelo divino, o pai deve presidir a família com amor e retidão, tendo a responsabilidade de atender às necessidades de seus familiares e de protegê-los. A responsabilidade primordial da mãe é cuidar dos filhos. Nessas atribuições sagradas, o pai e a mãe tem a obrigação de ajudar-se mutuamente, como parceiros iguais. Enfermidades, falecimentos ou outras circunstâncias podem exigir adaptações específicas. Outros parentes devem oferecer ajuda quando necessário.
 ADVERTIMOS que as pessoas que violam os convênios de castidade, que maltratam o cônjuge ou os filhos, ou que deixam de cumprir suas responsabilidades familiares, deverão um dia responder perante Deus pelo cumprimento dessas obrigações. Advertimos também que a desintegração da família fará recair sobre pessoas, comunidades e nações as calamidades preditas pelos profetas antigos e modernos." ("A Família: Proclamação ao mundo")"

Quanto a tolerância o Élder Dallin H. Oaks brilhantemente explicou:  
"Essa exposição maior à diversidade tanto nos enriquece a vida quanto a complica. Somos enriquecidos pelo convívio com diversas pessoas, o que nos faz lembrar a maravilhosa diversidade dos filhos de Deus. Mas a diversidade de culturas e valores também nos desafia a identificar o que pode ser adotado como condizente com nossa cultura e valores do evangelho, e o que não pode. Desse modo, a diversidade aumenta o potencial de haver conflitos e exige que estejamos mais cientes da natureza da tolerância. O que é a tolerância, quando ela se aplica e quando não se aplica?
Essa é uma questão mais difícil para os que afirmam a existência de Deus e da verdade absoluta, do que para os que acreditam no relativismo moral. Quanto mais fraca for a crença em Deus e quanto menos forem os absolutos morais, menos ocasiões haverá em que as ideias ou práticas de outras pessoas venham a confrontar alguém com o desafio de ser tolerante. Por exemplo: um ateu não precisa decidir que tipos e que ocasiões de profanidade ou blasfêmia podem ser tolerados e quais devem ser combatidos. As pessoas que não acreditam em Deus ou na verdade absoluta em questões morais podem se ver como as pessoas mais tolerantes de todas. Para elas, quase tudo é permitido. “Faça as suas coisas, que eu faço as minhas”, é a descrição mais difundida. Esse sistema de crença pode tolerar quase qualquer conduta e quase todas as pessoas. Infelizmente, alguns que acreditam no relativismo moral parecem ter dificuldade em tolerar os que insistem que há um Deus, que deve ser respeitado, e certos absolutos morais, que devem ser observados."
"O Presidente Boyd K. Packer fez uma introdução inspirada a esse assunto. Falando para uma congregação de alunos do instituto, há três anos, ele disse: “A palavra tolerância não existe sozinha. Exige um objeto e uma reação para qualificá-la como virtude. (…) A tolerância é frequentemente cobrada, mas raramente retribuída. Cuidado com a palavra tolerância. É uma virtude muito instável.”
Essa advertência inspirada nos lembra que, para pessoas que acreditam na verdade absoluta, a tolerância em relação a uma conduta é como os dois lados de uma moeda. A tolerância ou o respeito é um lado da moeda, mas a verdade sempre está do outro lado. Não podemos possuir ou usar a moeda da tolerância sem estar cônscios dos dois lados dela.
Nosso Salvador aplicou esse princípio. Ao se deparar com a mulher apanhada em adultério, Jesus proferiu estas consoladoras palavras de tolerância: “Nem eu também te condeno”. Depois, ao despedi-la, ele proferiu estas autoritárias palavras de verdade: “Vai-te, e não peques mais” (João 8:11). Todos nos edificamos e fortalecemos com esse exemplo de tolerância e verdade: bondade na comunicação, mas firmeza na verdade."

 Sobre a laicidade do Estado devo dizer que a Constituição determina que o Estado não tenha nenhuma religião oficial, mas isso não significa, em absoluto, que pessoas que compõem o Estado, sejam laicas! De fato, a própria Constituição, no enorme rol de seu artigo 5º, defende e assegura a religiosidade - e até o direito de não crer em religião alguma. O que estou dizendo é que tenho assegurado todo o direito de expressar minhas crenças, aqui e acolá. Quando falo, falo segundo creio. É impossível para mim separar as duas coisas. E nem quero! Penso que seria hipócrita se tentasse fazê-lo.
O direito de defender as ideias e crenças também é constitucionalmente protegido. Algumas pessoas acusam os cristãos de intolerantes porque pregam abertamente que o homossexualismo é um pecado. Mas não há intolerância alguma! A religião tem dogmas, tem padrões. Exercer a religião é um direito constitucional. Fazer proselitismo é um direito constitucional também. Os limites são impostos pelo bom senso e pela norma. Por exemplo, calunias, difamações, atitudes excêntricas que firam a honra, violência, etc.  Esses comportamentos graves e que extrapolam a manifestação do pensamento de maneira respeitosa - devem ser combatidos e erradicados.
A questão mais importante não é se os homossexuais têm direito a isso ou aquilo. A questão mais importante é: o que Deus pensa a esse respeito? Como posso me adequar ao que Deus deseja?
O certo é certo, e o errado é errado.Denuncio que o homossexualismo é um pecado. Pensem bem: se todos aderissem plenamente a essa pratica o mundo acabaria em apenas uma geração! Sodoma e Gomorra foram destruídas totalmente por causa dessa prática (Gênesis 18:23-33, 19:1-25, I Coríntios 6:10).
Uno minha voz contra a prática iníqua e imoral do homossexualismo. Recuso todos os argumentos, que podem parecer plausíveis e lógicos, para aceitar as coisas como realmente são. Sei que há felicidade na família tradicional. Sei que vale a pena defender os padrões do evangelho nesse mundo pecaminoso. Sei que Deus ama seus filhos, independentemente de suas escolhas - mas que, devido a Divina Justiça, algumas bênçãos deixam de ser dadas aos que se rebelam contra Ele e Seus mandamentos. Há felicidade segura no cumprimento dos mandamentos.
Estendo a mão com amor, junto com a Igreja de Jesus Cristo, a todos que sofrem tentações homo-afetivas e digo que a Expiação é tão poderosa e eficaz que pode e vai ajudá-los. Digo que eles são amados por Deus e que devem se arrepender rapidamente.

Alguns dos seguintes links podem ser úteis: