17 de ago. de 2012

Apenas homens seguiram Lúcifer na batalha dos céus?


Perguntaram-me: "Onde está escrito que na guerra dos céus um terço das hostes celestiais em sua maioria eram homens? Realmente há mais mulheres que homens neste mundo, né?"

               Compartilharei minha resposta a seguir.
               Lemos Apocalipse o seguinte:
" E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. (Apocalipse 12:7-9)
                Em Abraão aprendemos o motivo dessa batalha: "E o Senhor disse: Quem enviarei? E um semelhante ao Filho do Homem respondeu: Eis-me aqui, envia-me. E outro respondeu e disse: Eis-me aqui, envia-me. E o Senhor disse: Enviarei o primeiro. E o segundo irou-se e não guardou seu primeiro estado; e, naquele dia, muitos o seguiram." (Abraão 3:27-28)
                As revelações modernas ampliam esse entendimento, explicando que "o diabo existiu antes de Adão, pois rebelou-se contra [Deus, o Pai], dizendo: Dá-me a tua honra, a qual é o meu poder; e também uma terça parte das hostes do céu ele afastou [do Senhor] por causa do arbítrio que possuíam. E eles foram lançados abaixo e assim surgiram o diabo e seus anjos" (D&C 29:36-37; ver também D&C 76:25--27).
                Esse evento pré-mortal é sumamente importe. Isaías também o mencionou (Isaías 4:12-15). Mas a pergunta não é sobre a batalha dos céus, mas sim, sobre os participantes da batalha. De fato, quer-se saber sobre "o sexo dos anos".
                Preliminarmente esclareço que os anjos (sejam anjos da esfera pré-mortal ou da pós-mortal) são entidade femininas ou masculinas, tal como nós. Isso difere drasticamente da crença de várias igrejas, tal como a igreja Católica. Sei disso, pois na "Proclamação ao Mundo" sobre A Família, a Primeira Presidência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e o Quorum dos Doze Apóstolos escreveram: "O sexo (masculino ou feminino) é uma característica essencial da identidade e do propósito pré-mortal, mortal e eterno de cada um. Na esfera pré-mortal, os filhos e filhas que foram gerados em espírito conheciam e adoravam a Deus como seu Pai Eterno e aceitaram Seu plano, segundo o qual Seus filhos poderiam obter um corpo físico e adquirir experiência terrena a fim de progredirem rumo à perfeição, terminando por alcançar seu destino divino como herdeiros da vida eterna." (1o e 2o parágrafos, itálicos adicionados. Ver proclamação inteira).
                Assim, eu já era do sexo masculino antes de nascer. Assim como Lúcifer, Jeová, Miguel, etc - todos eram do sexo masculino. Mas havia espíritos do sexo feminino também. Eva certamente foi preordenada para ser a mãe da humanidade na vida pré-mortal. Assim como Ester para salvar seu povo (Éster 4:14).
                Depois que morremos continuamos a ser indivíduos masculinos ou femininos. Lemos que quando o profeta Joseph Fielding Smith viu o mundo dos mortos em visão observou "nossa gloriosa mãe Eva; com muitas de suas filhas fiéis que viveram através das eras e adoraram o Deus verdadeiro e vivo" (D&C 138:39). Ele viu também vários profetas e servos de Deus que haviam morrido - todos conservando sua identidade masculina (D&C 138: 38, 40-49).
                Agora a questão central é se na batalha dos céus, aqueles muitos espíritos que foram expulsos (1/3 dos filhos de Deus que viriam a esta Terra) eram compostos de apenas ou na grande maioria de entidades masculinas. Alguns credos (como o das Testemunhas de Jeová) afirmam que os seguidores de Satanás eram apenas espíritos masculinos porque crerem na doutrina dos nefilins. Essa doutrina, que é falsa, digo logo, usa algumas passagens do Velho Testamento para construir a ideia de que anjos copularam com as belas filhas dos homens mortais e engendraram uma raça híbrida de gigantes. As passagens usadas para tal afirmação  são Gênesis 6:4 e Números 13:22 e 33. Essas passagens, todavia, não mencionam diretamente, nem dão a entender, pelo contexto, que anjos copularam com mortais. dizem somente que os "filhos de Deus" que casaram-se com "as filhas dos homens". O Manual do Aluno da Pérola de Grande Valor explica: "Os filhos dos homens eram os iníquos, em contraste com os filhos de Deus, que eram os seguidores do convênio feito com Deus." (Ver também Moisés 8:13–15.)" (pg. 19)
                Mas esse não é o argumento usada pela inquiridora. Ela diz que "há mais mulheres que homens neste mundo". Creio que há mesmo. Basta pensar um pouco para verificar que os homens vão mais a guerra que as mulheres; os homens são mais aventureiros - e por isso a taxa acidentes e mortes deve ser muito maior para os homens; há, sem dúvida, mais homens alcoólicos do que mulheres. Uma reportagem afirma que "Brasil tem quase 4 milhões de mulheres a mais que homens". Todavia a mesma reportagem diz que A diferença entre homens e mulheres, no entanto, não reflete o número de nascimentos. Hoje, nascem mais meninos que meninas nas maternidades. Essa relação, entretanto, muda na faixa dos 25 anos. A explicação: os homens estão mais expostos à violência e morrem mais jovens. “Nascem mais homens que mulheres, mas a mortalidade entre os homens, mesmo a natural, é maior que entre as mulheres. A diferença da expectativa de vida ultrapassa seis anos. Contribui para essa distância a violência nos grandes centros urbanos brasileiros”, disse o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes." (fonte: Último Segundo, Daniel Torres, iG São Paulo 29/04/2011; Veja a reportagem completa em cliqueaqui)
                É difícil, impossível para nós, saber quantos filhos masculinos e femininos Deus teve. E é difícil também fazer um levantamento geral, universal e atemporal de todos os filhos de Deus para saber se há mais homens ou mulheres. Assim é impossível usar esse argumento para mostrar que, havendo mais mulheres na Terra, mais homens seguirem Satanás. Até porque não sabemos se Deus teve 50% de filhos e 50% de filhas!
                É provável que assim como há homens bons e homens maus, e há mulheres boas e mulheres más aqui na mortalidade - tenha havido homens e mulheres bons e maus nos céus. Afinal "o que é espiritual sendo à semelhança daquilo que é material; e aquilo que é material, à semelhança do que é espiritual" (D&C 77:2). Entendo isso porque, como menciona as escrituras que citei no começo do texto, tínhamos o arbítrio na pré-mortalidade. Assim, penso, ser muito razoável supor que espíritos femininos seguiram Satanás, tal como espíritos masculinos. Ou seja, entre aquele 1/3 - havia tanto homens como mulheres.
                Alguns dirão: mas as mulheres são mais fiéis aqui na Terra. Deveriam sê-lo nos céus. Talvez. Mas há como precisar que 100% das mulheres foram fiéis durante a batalha dos céus? Não conheço escritura ou declaração dos profetas que ensine tal coisa.
                Sou grato pelas mulheres (como demonstro neste texto: vejaaqui)e sei que, quando conhecem a verdade, são muito valentes - talvez muito mais que os homens. Mas as escrituras mencionam mulheres que fizeram coisas terríveis. Por exemplo: as filhas de Noé que casaram fora do convênio com os filhos dos homens[1] fazendo a ira do Senhor se acender de tal forma a trazer o dilúvio sobre a Terra (Moisés 8:14-15); a filha de Jarede que tornou possível a destruição de todos os jareditas ao lembrar seu pai sobre as combinações secretas (vejaaqui); a terrível Jezabel que matou muitos profetas (I Reis 18:4), etc.
                Se há mulheres que usam seu arbítrio para pecar aqui, porque que não fariam o mesmo nos céus, antes de nascer? Isso devemos pensar.
                Finalmente, não nos foi revelado detalhes sobre a batalha nos céus e nem dá vida pré-mortal. O que sabemos e o que cremos esta nas escrituras. Sabemos que vivíamos com Deus, que escolhemos o Salvador Jesus Cristo. Que Lúcifer se rebelou e que 1/3 o segui. E a menos que tenhamos uma revelação, o resto é especulação sem base segura.


[1] O Presidente Joseph F. Smith explicou: “Pelo fato de as filhas de Noé terem-se casado com os filhos dos homens, contrariando os ensinamentos do Senhor, a Sua ira se acendeu, e essa ofensa foi uma das causas do dilúvio universal (…). As filhas que tinham evidentemente nascido sob convênio e que eram as filhas dos filhos de Deus, ou seja, as filhas daqueles que possuíam o sacerdócio, estavam transgredindo os mandamentos de Deus e se estavam casando fora da Igreja. Assim, estavam impedindo a si mesmas de receberem as bênçãos do sacerdócio, contrariando dessa forma os ensinamentos de Noé e a vontade de Deus (…). Hoje existem filhas insensatas daqueles que possuem esse mesmo sacerdócio que estão violando esse mandamento e casando-se com os filhos dos homens. Há também alguns filhos daqueles que possuem o sacerdócio que estão casando-se com as filhas dos homens. Tudo isso é contrário à vontade de Deus, tanto quanto era nos dias de Noé.” (Answers to Gospel Questions, 1:136–137.)

10 de ago. de 2012

Sete Coisas Que Eu Sei

Sei muito pouco. E digo isso não parecer humilde, nem para chamar atenção para mim mesmo. Sei pouco - e fui despertado para essa realidade não só (1) pela minha experiência até agora na vida mortal (anos de aprendizado só demostraram a mim que ainda há muito a se aprender - e, por lógica, se aprendi tanto em tanto tempo, aprenderei mais tanto se tiver mais tanto tempo); mas (2) também olhando para o céu, para terra, para os homens, para o passado, para o porvir - vejo que não conheço sua origem, funcionamento, destino e glória completa - e (3) mesmo quando penso que entendo algo, não se passa muito tempo até que uma nova perspectiva se abra sobre minha mente, a fim de, indiretamente talvez, ensinar-me que há mais para se ver, sentir, saber, perceber, experimentar, refletir e aprender. Com o tempo eu provavelmente aprenderei sobre mais motivos pelos quais não sei nada, ou muito pouco (para ser mais esperançoso).
Mas há sete coisas que sei com toda certeza. "E como supondes que eu tenho certeza de sua veracidade? Eis que eu vos digo que elas me foram mostradas pelo Santo Espírito de Deus. Eis que jejuei e orei durante muitos dias, a fim de saber estas coisas por mim mesmo. E agora sei por mim mesmo que são verdadeiras, porque o Senhor Deus mas revelou por seu Santo Espírito; e este é o espírito de revelação que está em mim." (Alma 5:45-46)
Quando digo que sei essas coisas com toda certeza, não significa que mais luz e conhecimento não possa ser acrescido a elas. De fato, é isso quem vem ocorrendo com o tempo. O Senhor dá linha sobre linha, preceito sobre preceito (2 Néfi 28:30). Todavia, a essência ou fundamento do conhecimento dessas sete coisas, não mudou com o tempo (dês de que as recebi até o presente) e não mudará, porque são princípios verdadeiros. (E essa também é uma verdade que eu sei: que exite uma verdade e que ela é constante, absoluta e imutável. E tal ciência é a base de todo meu conhecimento.)
Essas sete verdades, que foram-me ensinadas diretamente pelo Espírito Santo, não podem ser retiradas de meu ser. Pode acontecer que venha um dia (espero que não) em que eu as negue - e lute contra elas - caindo em grande apostasia. Neste caso, elas ainda continuaram verdadeiras, e eu terei cometido um pecado terrível - talvez do pior tipo que se tem notícia, porque o Salvador disse que "todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada" (Mateus 12:31)

Eis as sete coisas que eu sei com certeza:
1º.    Eu sei que Deus, o Pai Celestial existe, me ama profundamente e quer meu bem-estar eterno.
2º.    Eu sei Jesus Cristo é o Salvador e Redentor do mundo - Ele é meu Senhor e Deus. Ele me concede força, paz, talento, santidade, fé e boas obras. Sei que seus mandamentos são para meu beneficio que se eu os seguir, receberei a graça divina e poderei viver com minha família eternamente, sendo ressuscitado e glorificado para o Reino Celestial.
3º.    Sei que o Espírito Santo é um ser real, que nos orienta, caso permitamos; e nos justifica, caso queiramos.
4º.    Também sei que Joseph Smith foi e é um profeta de Deus; e que o Livro de Mórmon é um outro testamento do Senhor Jesus Cristo.
5º.    Sei que o sacerdócio é o poder de Deus dado aos homens para salvação da humanidade, e quem em suas ordenanças se manifesta o poder da divindade.
6º.    Sei que o Templo é a Casa de Deus.
7º.    E por fim, sei que o Presidente Thomas S. Monson é um profeta, vidente e revelador para o mundo hoje.

Esse é meu testemunho, minha fé e minha certeza. Em nome do Senhor Jesus Cristo, amém.

7 de ago. de 2012

Intenção ou Ação - o que vale mais para Deus?


                O Senhor se importa mais com a intenção ou com a ação? Qual é mais importante? Investiguemos as escrituras para descobrir as respostas a tais perguntas.

Vida Pré-mortal
                Na vida pré-mortal decidimos vir a Terra, sermos provados para que, se nos tornássemos dignos voltássemos à presença de Deus em glória eterna (clique aqui para saber mais sobre a Vida Pré-Mortal). Muito bem. Essa era nossa intenção. Todavia, a mera intenção não foi, e não é, suficiente para o recebimento de tal maravilha. Precisávamos de uma experiência na mortalidade - precisávamos viver pela fé, e não por visão. Precisávamos conhecer por nós mesmos algumas coisas que nos preparariam para eternidade em glória ao lado do Pai. Na Terra teríamos o privilégio de desenvolver relacionamentos familiares, passar por dor, sofrimento, morte - mas também alegria, paz e vida. Se tivéssemos tão somente a intenção de conhecer essas coisas - não as conheceríamos realmente. A informação por si só não teria o poder de transformar-nos, de nos refinar a ponto de estarmos prontos para cumprir nosso destino eterno. Precisamos ser colocados em uma situação e condição em que fôssemos agentes. Não que não tivéssemos o arbítrio nos céus - porque evidentemente o usamos para escolher o Salvador Jeová - mas a plenitude desse arbítrio só poderia ser usada quando deixássemos a presença do Pai.
                Na pré-mortalidade, como falei, escolhemos o Salvador. A simples e pacata intenção de não seguir Lúcifer não nos colocou entre os valentes, nem nos tornou "grandes e nobres" (Abraão 3:22). Os espíritos que usaram sua fé no Plano de Deus, que tinha como parte principal a Expiação do Senhor Jesus Cristo, agiram com todo vigor. Ao lado de Miguel utilizaram todo seu testemunho, sacerdócio e influência para permanecer ao lado do Pai, procurar convencer seus irmãos e expulsar os rebeldes (Apocalipse 12:11).
                Assim, nos céus, o que contou mais foi nossa ação, e não a intenção. É verdade que por trás das boas ações sempre há boas intenções. Porém boa intenção sem boa ação é insuficiente. O que contou lá foram as realizações.
                Lembremo-nos também de Lúcifer - que tinha, em parte, uma boa intenção: a de salvar todos os filhos do Pai. Claro que para isso, ele desejava implementar um "novo" Plano de Salvação - o qual nos privaria da liberdade, destronaria Deus, e o elevaria a Senhor do Universo - tendo a Honra, Poder e Glória do Pai. Seu pecado imperdoável lhe custou tudo. Ele e um terço dos filhos do Pai foram expulsos para sempre. Sua aparente boa intenção o guiou à más ações. Isso porque a boa intenção era uma mascará para intenções malignas - sim, o orgulho e rebeldia. A boa intenção neste caso não bastou. Se as ações forem más do que adianta a intenção? Na realidade, ações más demonstram, com o tempo, que no fundo a intenção também era má.

Mortalidade e Doutrina da Graça
                Agora falemos da mortalidade, este Estado no qual nos encontramos. Noé, um homem que "foi perfeito em sua geração" pregou durante muitos anos arrependimento. Não obstante, apenas oito almas humanas se salvaram pela água - sua família imediata (I Pedro 3:20). Sua intenção certamente era a de abençoar o mundo todo e salvar seus irmãos e irmãs - porque se não, qual a razão de uma missão tão longa - sim, de 120 anos? Quando o tempo da humanidade estava acabando, Noé "sentiu pesar e doeu-lhe o coração por ter o Senhor formado o homem na Terra; e isso lhe afligiu o coração" (Moisés 8:25). Todavia "Noé encontrou graça aos olhos do Senhor" (Moisés 8:27). Se as ações de Noé fossem mais importantes ele não teria "achado graça", nem teria sido considerado um homem "justo e perfeito em sua geração". A intenção de Noé é o que contou neste caso. Mas não se enganem. A intenção valeu do que as realizações neste caso, porque Noé fez tudo o que estava ao seu alcance - mas as pessoas tomaram as próprias decisões. Elas tinham o arbítrio - e o usaram erradamente para não escutar Noé.
                A doutrina da graça nos ensina que "somos salvos pela graça depois de tudo o que pudermos fazer". Assim, a graça, que é o poder capacitador e compensador que advém da Expiação de Cristo, pode santificar-nos.
                Por exemplo, temos o mandamento de sermos perfeitos. Mas eu não conheço ninguém que se ache perfeito e não creio que ninguém o seja. Todos temos falhas e é bem provável que não alcancemos a perfeição neste Estado. Entretanto nossa intenção de tornarmo-nos perfeitos junto a nossas boas ações qualificam-nos para graça divina.
                Imaginemos que para alcançar a exaltação precisemos passar em uma prova de 10 questões - cada uma valendo um ponto. Apenas os que acertarem 100% das questões poderão adentrar o Reino Celestial no grau mais elevado. Os que tirarem outra pontuações, mas não acertarem tudo - não forem perfeitos - receberão outros Reinos de Glória, mas não entrarão na exaltação e cumprirão a medida de sua criação. Pois bem, que eu saiba, apenas Jesus Cristo tirou 10 nesta prova - apenas Ele nunca errou e pecou. Então o Reino Celestial é um lugar bem vazio não é... E é muito difícil, quase que impossível alcançar a vida eterna... Não, não é assim. Não é assim devido a graça de Cristo. Imaginemos que nossa intenção seja tirar dez na prova. Essa é nossa intenção sincera. E porque temos tal desejo, se sabemos que somos fracos e falhos? Porque nosso Mestre disse-nos que é possível. Vamos supor, que ao começarmos ao terminarmos o teste, após horas de angustia e dificuldades diversas, fazendo, porém, o melhor ao nosso alcance, segundo nossa capacidade - recebamos a noticia de que nossa nota: 4. Estamos bem longe dos 10 exigido. Todavia, de forma misericordiosa, Jesus Cristo concede-nos 6 pontos a mais. Ele pode fazer isso? Sim! Porque? Porque Ele realizou a Expiação e satisfez as exigências da justiça. É como se Cristo tivesse feito a tortuosa prova para nós. Por todos nós - e tirasse 10 por todos. E agora, tendo realizado todas as provas, ainda assim permite-nos adquirir experiência, usar a borracha do arrependimento aqui e ali e fazer o nosso melhor com o tempo que nos é dado. Depois, caso falte pontos, Ele vem, de maneira extremamente compassiva e empática e nos concede a nota máxima. E isso não é tudo. Durante o teste, Ele não nos deixa sozinhos. Envia profetas, anjos e o Espírito Santo. A prova é com consulta, se quisermos. Podemos usar as escrituras e a sabedoria da velha geração. Isso não é injustiça. Não é uma prova injusta. A nota máxima que Cristo nos concede não é injusta, visto que os pontos exigidos foram alcançados. Isso é pura misericórdia. Ele é o Mestre, Ele deu a prova. Ele pode perceber e levar em conta a intenção.
                Esse exemplo simples não abrange toda a gloriosa doutrina da Expiação, mas revela que a intenção de se tornar perfeito é o fator que mais conta, caso façamos o máximo ao nosso alcance. Realmente é-nos dito que seremos julgados não só pelas obras, mas também pelos desejos de nosso coração (Alma 41:3).
                Uma parábola que exemplifica bem esse fato é a dos trabalhadores da vinha. Alguns foram chamados para trabalhar na vinha na primeira hora do dia com a promessa de que teriam a Vida Eterna, se trabalhassem. Depois outros foram sendo chamados no decorrer do dia. Faltando uma hora, mais foram chamamos. No acerto de contas, todos receberam o mesmo - independentemente da quantidade de tempo trabalhado. O que contou não foram as realizações - não apenas. Mas o fato de desejarem trabalhar, e de terem trabalhado - ainda que um pouco - comparado aos primeiros.
                Para uma melhor compreensão desse princípio creio ser adequado mencionar Oliver Granger. O Presidente Boyd K. Packer ensinou:
                "Há uma mensagem para os santos dos últimos dias numa revelação raramente citada, dada ao Profeta Joseph Smith em 1838: “Lembro-me de meu servo Oliver Granger; eis que em verdade lhe digo que seu nome será conservado em lembrança sagrada de geração em geração, para todo o sempre, diz o Senhor”. (D&C 117:12)
                Oliver Granger era um homem muito comum. Era quase cego, tendo “perdido a visão pela exposição ao frio e intempéries”. (History of the Church, vol. 4, p. 408.) A Primeira Presidência descreveu-o como “um homem da maior integridade e virtude moral; em resumo, um homem de Deus”. (History of the Church, vol. 3, p. 350.)
                Quando os santos foram expulsos de Kirtland, Ohio, numa cena que se repetiria em Independence, Far West e em Nauvoo, Oliver foi deixado para trás para vender suas propriedades pelo pouco que conseguisse receber por elas. Não havia muita chance de ele ter sucesso. E, de fato, ele não teve!
                Mas o Senhor disse: “Portanto, que pleiteie sinceramente a redenção da Primeira Presidência da minha igreja, diz o Senhor; e, quando ele cair, tornará a erguer-se, pois seu sacrifício ser-me-á mais sagrado que seu crescimento, diz o Senhor”. (D&C 117:13)
                O que Oliver Granger fez para que seu nome se tornasse uma lembrança sagrada? Não muito, na verdade. Não foi tanto pelo que ele fez, mas pelo que ele era.
                Ao honrarmos Oliver, talvez grande parte ou a maior parte da honra devesse ser prestada a Lydia Dibble Granger, sua esposa.
                Oliver e Lydia finalmente partiram de Kirtland para reunirem-se aos santos em Far West, Missouri. Tinham se afastado apenas algumas milhas de Kirtland, quando foram obrigados a voltar devido a uma multidão enfurecida. Somente mais tarde eles puderam reunir-se aos santos em Nauvoo.
                Oliver morreu aos 47 anos de idade, deixando Lydia sozinha para cuidar dos filhos.
                O Senhor não esperava que Oliver fosse perfeito, talvez nem que ele tivesse sucesso. “Quando ele cair, tornará a erguer-se, pois seu sacrifício ser-me-á mais sagrado que seu crescimento, diz o Senhor.” (D&C 117:13)
                Não podemos esperar ter sempre sucesso, mas podemos tentar fazer o melhor possível.
                “Pois eu, o Senhor, julgarei todos os homens segundo suas obras, segundo o desejo de seu coração.” (D&C 137:9)
                O Senhor disse à Igreja:
                “Quando eu dou um mandamento a qualquer dos filhos dos homens de fazer um trabalho ao meu nome e esses filhos dos homens usam toda a sua força e tudo o que têm para realizar esse trabalho e não deixam de ser diligentes; e são atacados por seus inimigos e impedidos de realizar esse trabalho, eis que me convém já não requerer das mãos desses filhos dos homens o trabalho, mas aceitar suas ofertas. (…)
                E isso dou-vos como exemplo, para vossa consolação com respeito a todos os que foram mandados fazer um trabalho e foram impedidos pelas mãos de inimigos e por opressão, diz o Senhor vosso Deus.” (D&C 124:49, 53; ver também Mosias 4:27.) ("Um desses meus pequeninos irmãos", Conferência Geral, Outubro de 2004)
                Parece então que o que mais vale para Deus é nossa intenção, quando o arbítrio de outras pessoas ou nossas próprias fraquezas nos impedem de tirar 10 na prova.

O que vale mais
                O que, afinal, vale mais para Deus: a intenção ou a ação? Depende, é a resposta mais acertada! Viemos a Terra para agir. É esperado que "[façamos] muitas coisas de nossa livre e espontânea vontade, e [realizemos] muita retidão" (D&C 58:27). A importância das ordenanças do evangelho é revelada com isso. Não basta desejar ser batizado - deve-se descer às águas e ser imerso por alguém que tenha autoridade para fazê-lo. Não basta desejar ir ao Templo, devemos ir.
                O Presidente Dieter F. Uchtdorf disse:
                "Meus queridos irmãos, as bênçãos divinas pelo serviço no sacerdócio são ativadas por nosso esforço diligente, nossa disposição em sacrificar-nos e pelo nosso desejo de fazer o que é correto. Sejamos aqueles que agem, e não os que recebem a ação. É bom pregar, mas os sermões que não levam à ação são como fogo sem calor ou água que não mata a sede.
                É na aplicação prática da doutrina que a chama purificadora do evangelho cresce e o poder do sacerdócio incendeia nossa alma.
                Thomas Edison, o homem que banhou o mundo com a brilhante luz elétrica, disse que “o valor de uma ideia está na utilização dela”. De modo semelhante, a doutrina do evangelho se torna mais preciosa quando colocada em prática.
                (...)
                Sabemos que, apesar de nossas melhores intenções, as coisas nem sempre saem de acordo com o que planejamos. Cometemos erros tanto na vida como em nosso serviço no sacerdócio. Vez por outra, falhamos e deixamos a desejar.
                Quando o Senhor nos aconselha, dizendo “continuai pacientemente até que sejais aperfeiçoados”, Ele reconhece que isso exige tempo e perseverança." (http://www.lds.org/general-conference/2012/04/the-why-of-priesthood-service?lang=por)
                Se fizermos o melhor possível a graça de Deus pode refinar-nos e purificar-nos. A intenção, portanto, é o que valerá mais. Mas essa intenção deve ser pura e mesclada com o máximo de ações boas. Insisto nisto, porque uma vez o Presidente Brigham Young disse que o inferno esta cheio de boas intenções. E o Profeta Joseph Smith reconheceu que não há nada pior do que alguém estar fazendo o mal, pensando estar fazendo o bem (Ele disse: "nada prejudica mais os filhos dos homens do que estar sob a influência de um falso espírito, quando pensam que têm consigo o Espírito de Deus" - Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, pg. 407). Assim tanto a ação como a intenção são muito importantes para Deus.
                Como iremos prestar contas a Deus, devemos estar bem preocupados em intentar o que Ele deseja que intentemos - e de agir como Ele deseja que ajamos. Se tivermos essa preocupação receberemos luz e verdade - até obtermos o Santo Espírito. O Espírito Santo nos enchera de desejos justos e nos auxiliará nas obras de retidão.

Ação e intenção entre os homens
                Por fim, quero dizer que para os homens, imperfeitos como são, na maioria das vezes, o que conta é a ação, e não a intenção. Isso porque os homens enxergam o que esta diante dos olhos, e não para o coração - como o Senhor. Devemos procurar fazer boas obras diante dos homens para que glorifiquem a Deus (Mateus 5:14). Não obstante, o mais importante é agradar a Deus. E se para fazê-lo desagradamos os homens - que seja assim!
                O Élder James E. Talmage uma vez contou uma parábola sobre dois cofres. Um dos cofres, o bom nome, é nossa reputação - fruto de nossas ações. O outro cofre são as intenções - que são conhecidas por Deus, e são a musculatura do caráter. Encerrarei com essa parábola de Élder Talmage:
                "Entre as notícias recentes, havia o relato de um arrombamento cujos detalhes eram incomuns na literatura do crime. O cofre de uma casa de penhores que lidava com joias e pedras preciosas foi alvo do ataque. Pelo cuidado e habilidade com que os dois ladrões planejaram seu roubo era evidente que se tratavam de criminosos experientes.
                Conseguiram entrar secretamente no edifício e ficaram trancados dentro dele quando as pesadas portas reforçadas foram fechadas à noite. Sabiam que o grande cofre de aço e concreto era muito bem feito, do tipo que tem a garantia de ser à prova de roubos. Sabiam que ele continha um tesouro de imenso valor e confiavam em seu sucesso por causa da paciência, persistência e habilidade que tinham desenvolvido por meio de muitos outros arrombamentos anteriores, porém de menor monta.
                Seu equipamento era completo, incluindo furadoras, serras e outras ferramentas, que eram fortes o suficiente para perfurar até o aço temperado da enorme porta, a única via de acesso ao cofre. Havia guardas armados nos corredores do estabelecimento e as pessoas que se aproximavam do cofre-forte eram diligentemente vigiadas.
                Os ladrões trabalharam durante toda a noite, furando e serrando em volta da fechadura, cujo complicado mecanismo não podia ser manipulado, mesmo por alguém que conhecesse a combinação, antes da hora estipulada por um controlador de tempo. Eles haviam calculado que com trabalho persistente teriam tempo suficiente durante a noite para abrir o cofre e pegar tudo de valor que pudessem carregar. Depois confiariam na sorte, na ousadia ou na força para conseguirem escapar. Não hesitariam em matar, se fossem impedidos de fugir. Embora as dificuldades tivessem sido maiores do que o esperado, os hábeis criminosos conseguiram, com o uso de ferramentas e explosivos, chegar até o interior da fechadura.
                Então, moveram as trancas e abriram as pesadas portas.
                O que viram ali dentro? Vocês acham que foram gavetas cheias de joias, com bandejas de diamantes, rubis e pérolas?
                Era isso e muito mais que eles esperavam confiantemente encontrar e pegar, mas em vez disso encontraram outro cofre interno, com uma porta ainda mais pesada e resistente que a primeira, equipada com uma fechadura mecânica ainda mais complexa do que aquela na qual haviam trabalhado tão arduamente. O metal da segunda porta era de qualidade tão superior que quebrou suas ferramentas de aço temperado.
                Por mais que tentassem, nem conseguiram arranhá-lo. Sua energia mal direcionada havia sido desperdiçada. Seu plano abominável havia sido frustrado.
                A reputação de uma pessoa se assemelha à porta externa do cofre do tesouro. O caráter se assemelha à porta interna. Um bom nome é uma defesa muito forte, mas por mais que ele seja atacado ou até mesmo arruinado ou destruído, a alma que ele guarda estará segura, desde que o caráter interno seja inexpugnável." (A Liahona, Fevereiro de 2010, pg. 52)

               A soma de intenções e ações resulta em quem somos - e, no final, resultará em quem seremos. O que realmente importa é quem somos: quem somos para Deus e para nós mesmos. Por meio de Cristo podemos  intentar o que Ele intenta, agir como Ele age - tornando-nos como Ele é.


Para aprofundar recomendo esse ótimo discurso de Édler Oak: "O Desafio de Tornar-se" - http://www.lds.org/conference/talk/display/0,5232,23-2-148-15,00.html