8 de abr. de 2010

Como as guerras mencionadas no Livro de Mórmon nos aproximam de Deus?



O Livro de Mórmon foi escrito para persuadir os homens a achegarem-se a Cristo. (Página Rosto, Introdução; 1 Néfi 13:35-36; 2 Néfi 25:18; 2 Néfi 33:10). É o Livro que mais aproxima as pessoas de Deus. Contudo alguém pode duvidar disso, ao considerar as muitas páginas que o Livro trata de guerras. Um terço do Livro de Mórmon fala de guerras – esse número é relevante ao percebermos que os escritores do Livro de Mórmon tinham pouco espaço nas placas e escreviam somente as coisas que consideravam de grande valor para nós (1 Néfi 6:3-6; Jacó 4:1-2; Palavras de Mórmon 1:4;)
Antes de responder essa questão devemos saber por que o livro contém relatos de batalhas e guerras. Primeiro: Néfi, Mórmon e Morôni lutaram em várias guerras defendendo seu povo. A guerra era uma realidade presente na vida deles. Segundo: eles viram nossos dias e sabiam que haveria “guerras e rumores de guerras” (1 Néfi 13:17-19; Mórmon 7:4; Mórmon 8:29-30, Mórmon 5). Terceiro: estamos em guerra contra Satanás, e embora seja uma guerra invisível (pois não o vemos) é muito real e perigosa (1 Néfi 14:13) – as lições dos capítulos que tratam sobre guerra nos dão visão, coragem, sabedoria e fé para enfrentar o inimigo da retidão.
Também o povo de Deus via-se obrigado a guerrear seus inimigos para preservarem suas vidas, sua liberdade e sua religião (Alam 48:24). O Élder Bruce R. McConkie disse: “A auto defesa é justificável quando se trata de guerra (...) Espera-se dos homens justos que defendam a si próprios , pois tem o direito e a obrigação de assim proceder; eles devem optar pelo combate quando não houver outro meio de preservar seus direitos e prerrogativas, e para proteger suas famílias, lares, nações e as verdades de salvação que abraçam” (Mormon Doctrine, p.826.)

Lição 1: Guerra e desigualdade existem por causa da iniqüidade.
A primeira guerra mencionada no Livro de Mórmon é a causada pelo conflito familiar entre o povo de Néfi (nefitas) e o povo de Lamã e Lemuel (lamanitas): “E Eu, Néfi, tomei a espada de Labão; e com este modelo fiz muitas espadas, afim de que o povo que agora se denominava lamanita não caísse sobre nós para nos destruir; porque eu conhecia seu ódio para comigo e meus filhos e os que eram chamados meu povo” (2 Néfi 5:14). Esse ódio surgiu porque Lamã e Lemuel e todos os que permaneceram com eles foram afastados da presença do Senhor e tornaram-se insensíveis “como uma pedra” (2 Néfi 5:20-21). Essa divisão já havia sido prevista por Zenos, um profeta da antiguidade (Jacó 5:25).
Essa primeira guerra nos ensina que se nos afastarmos dos profetas seremos amaldiçoados, tal como os lamanitas (2 Néfi 5:2). Essa maldição faz com que haja preguiça, muita maldade, astúcia, incivilidade e um castigo para a humanidade (2 Néfi 5:24-25). Já os que ficam do lado do profeta, ou do lado do Senhor, aprendem a trabalhar duro, constroem templos, multiplicam-se e prosperam muito (2 Néfi 5:13, 15-17).
Satanás é o pai da discórdia e “leva cólera ao coração dos homens para contenderem uns com os outros” (3 Néfi 11:29). Na Terra, o diabo usa seus servos iníquos para incitarem os homens a ira, como fez com Amaliquias (Alma 48:1), que foi a causa de uma duradoura guerra entre os nefitas e lamanitas (Alma 62:35). “Foram suas desavenças e suas contendas, sim, seus homicídios e suas pilhagens, sua idolatria, sua libertinagem e suas abominações que lhes trouxeram guerras e destruição” (Alma 50:21).
Os nefitas consideravam ser seu dever para com Deus defenderem “suas terras e suas casas e suas esposas e seus filhos” e também “conservar seus direitos e seus privilégios, sim, e também sua liberdade, para poderem adorar a Deus segundo seus desejos” (Alma 43:9). Eles haviam recebido uma lei do Senhor de que se não fossem culpados da primeira ou segunda ofensa, não se deixariam matar (Alma 43:46, 48:24).
Um dos grandes governantes do povo nefita disse certa vez:
“E agora, eis que resistiremos à iniqüidade, mesmo com derramamento de sangue. E não derramaríamos o sangue dos lamanitas se eles permanecessem em sua própria terra. Não derramaríamos o sangue de nossos irmãos se eles não se rebelassem e levantassem a espada contra nós. Submeter-nos-íamos ao jugo da servidão, se isso fosse requisito da justiça de Deus ou se ele nos ordenasse que o fizéssemos. Mas eis que ele não manda que nos submetamos aos nossos inimigos, mas que tenhamos confiança nele e ele nos livrará. Portanto, meu amado irmão Morôni, resistamos ao mal; e ao mal que não pudermos resistir com nossas palavras, sim, como revoltas e dissensões, resistamos com nossas espadas, a fim de conservarmos nossa liberdade, a fim de regozijarmo-nos no grande privilégio de nossa igreja e na causa de nosso Redentor e nosso Deus” (Alma 61:10-14).
Quando acaba a iniqüidade acabam-se as guerras. Logo após a aparição de Cristo o povo viveu em paz – sem guerras ou contendas “em virtude do amor a Deus que existia no coração do povo” tornando-os Sião, o povo mais feliz (4 Néfi 1:13, 15-16).
Se persistimos no pecado seremos destruídos como a nação jaredita e nefita foram (Mórmon 5-6 e Éter 15).

Lição 2: As guerras podem nos aproximar de Deus.
Enos nos diz que presenciou “guerras entre os nefitas e lamanitas”. Ele também disse que “nada havia, exceto muitos dissabores, pregações e profecias de guerras; e contendas e destruições que continuamente os faziam lembrar da morte e da duração da eternidade e dos julgamentos e poder de Deus e todas essas coisas – levando-os a manterem-se continuamente no temor do Senhor. E digo que nada, salvo essas coisas e grande franqueza no falar, evitaria que precipitassem rapidamente na destruição” (Enos 1:23-24).
Assim, as guerras ajudam os filhos de Deus a lembrarem-se Dele. De fato, quanto “tudo vai bem em Sião; sim Sião prospera” então é quando o “diabo engana” as almas e as “conduz cuidadosamente ao inferno” (2 Néfi 28:21). A paz é perigosa à Igreja, pois, tal como fizeram os jareditas que “armaram suas tendas (...) à beira-mar, pelo espaço de quatro anos” e não se lembraram “de invocar o nome do Senhor” (Éter 2:13-14), assim também podemos nós nos tempos de tranqüilidade e quietude seremos acalentado com “segurança carnal”. Por isso o profeta escreveu; “ai do que repousa em Sião! Ai do que clama: tudo vai bem!” (2 Néfi 28:24-25):
“Sim, e vemos que é justamente quando ele faz prosperar seu povo, sim, aumentando seus campos, seu gado e seus rebanhos e ouro e prata e toda sorte de coisas preciosas de todo tipo e de todo estilo, preservando-lhes a vida e livrando-os das mãos de seus inimigos, abrandando o coração dos inimigos para que não lhes façam guerra; sim, e, em resumo, fazendo tudo para o bem e a felicidade de seu povo; sim, então é quando endurecem o coração, esquecendo-se do Senhor seu Deus e pisando o Santíssimo—sim, e isto em virtude de seu conforto e de sua enorme prosperidade.”
“E assim vemos que se o Senhor não castiga seu povo com numerosas aflições, sim, se não o fere com morte e com terror e com fome e com toda sorte de pestilências, dele não se lembram” (Helamã 12:2-3).
Lição 3: Essa vida é inconstante.
No livro de Ômni é mencionado que os nefitas tiveram “muitas épocas de paz; e tivemos muitas épocas de guerras sérias e derramamento de sangue” (Ômni 1:3). Esse pequeno trecho exemplifica quão inconstante é essa vida mortal. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu (...) Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz” (Eclesiastes 3:1, 8). Todos os mortais enfrentam ou enfrentarão períodos de bonança e épocas de guerras visíveis ou invisíveis, próximas ou distantes.

Lição 4: Podemos ter paz e felicidade nos tempos de guerra e perigo.
Lemos em Alma várias lições importantes a respeito de como, em tempos de guerra, se podem encarar as ondulações da vida:
“E este é o relato das guerras e contendas entre os nefitas e também das guerras entre nefitas e lamanitas. E do primeiro ao décimo quinto ano houve a destruição de muitos milhares de vidas; sim, houve um terrível derramamento de sangue. E os corpos de muitos milhares jazem debaixo da terra, enquanto outros milhares se estão putrefazendo, amontoados sobre a face da Terra; sim, e muitos milhares choram a perda de seus parentes, porque têm motivos para temer que estejam condenados a um estado de miséria sem fim, segundo as promessas do Senhor. Enquanto muitos milhares de outros, ainda que chorem sinceramente a perda de seus parentes, alegram-se e exultam na esperança e até sabem, segundo as promessas do Senhor, que eles serão elevados para habitar à mão direita de Deus, num estado de felicidade sem fim.”
“Vemos, assim, quão grande é a desigualdade entre os homens por causa do pecado e da transgressão e do poder do diabo, que provém dos astutos planos por ele engendrados para enredar o coração dos homens. E assim vemos a grande necessidade que o homem tem de trabalhar com diligência nas vinhas do Senhor; e assim vemos a grande causa da tristeza, como também da alegria—tristeza devido à morte e destruição dos homens; e alegria por causa da luz vivificante de Cristo” (Alma 28:9-14).
Como podemos em tempos de guerra alegrar-nos e exultar na esperança e até saber que a guerra e a morte não podem roubar a felicidade sem fim? Através da luz vivificante de Cristo: do seu Santo Evangelho que concede esperança:
“Portanto todos os que crêem em Deus podem, com segurança, esperar por um mundo melhor, sim, até mesmo um lugar à mão direita de Deus, esperança essa que vem pela fé e é uma âncora para a alma dos homens, tornando-os seguros e constantes, sempre abundantes em boas obras, sendo levados a glorificar a Deus” (Éter 12:4).
Com essa esperança tornamo-nos constantes, independente da inconstância do mundo.
É interessante notar que “nunca houve época mais feliz para o povo de Néfi, desde os tempos de Néfi, do que os dias de Morôni, sim, mesmo agora, no vigésimo primeiro ano do governo dos juízes” (Alma 50:23). Essa época é, no Livro de Mórmon, onde se mencionam mais guerras. Interessante: normalmente as grandes desigualdades, inconstâncias e terror causados pela guerra fazem do período uma ocasião sombria – mas para os nefitas havia luz: se viam livres do desanimo, desesperança ou medo – eram muito felizes, mais do que nas épocas de paz!

Lição 5: Como se preparar para os tempos de guerra e como proceder em tempos de guerra.
O Livro de Mórmon mostra que devemos nos preparar fisicamente para as guerras. Os homens de Morôni estavam “com couraças e com escudos nos braços, sim, e também com escudos para proteger-lhes a cabeça e também estavam vestidos com roupas grossas”, já os lamanitas estavam apenas com uma faixa de pele que lhes cobria os lombos (Alma 43:19-20). Mais adiante os lamanitas copiam a tática nefita e vestem armaduras (D&C 49:6) – mas Morôni e os nefitas estavam preparados de uma forma nunca antes vista entre os filhos de Leí (Alma 49:8) – pois ele preparara fortes, parapeitos e muralhas (Alma 48:8).
Em certa ocasião os nefitas armazenaram “seus cavalos, seus carros e seu gado e todos os seus rebanhos e suas manadas e seus grãos e todos os seus bens, e dirigiram-se aos milhares e dezenas de milhares ao lugar determinado, a fim de reunirem-se para defenderem-se de seus inimigos” (3 Néfi 3:22) Porque os nefitas se reuniram em um só grupo, seus inimigos (os ladrões) não subsistiram e perderam a guerra (3 Néfi 4:1-3, 18-20, 24-28). O armazenamento de mantimentos e a união foram determinantes nessa época.
A preparação intelectual também é essencial. Mesmo com apenas 25 anos, Morôni era capaz de comandar todos os exércitos nefitas (Alma 43;16-17). Laconeu, um grande juiz, usou “maravilhosas” palavras, as quais fizeram o povo segui-lo (3 Néfi 3:16). Estes homens e outros haviam estudado muito para que Deus usasse sua inteligência. Morôni, por exemplo, venceu muitas batalhas usando estratagemas, em vez de força física (Alma 55).
Mas a preparação mais importante e a que foi determinante para os nefitas foi à preparação espiritual. Zênife diz que embora seu povo fosse muito pequeno em relação aos lamanitas – com a “força do Senhor” venceram todas as batalhas (Mosias 9:17-18). Ouvir os profetas e lideres é um fator determinante – Zorã e seus filhos, grandes guerreiros, buscaram os conselhos de Alma, o profeta durante uma guerra (Alma 15:5-6).

As características de Morôni expõem o ideal de preparação física, mental e espiritual:
“E Morôni era um homem forte e poderoso; ele era um homem de perfeita compreensão; sim, um homem que não tinha prazer no derramamento de sangue; um homem cuja alma se regozijava com a liberdade e independência de seu país e com a libertação de seus irmãos da servidão e do cativeiro.
Sim, um homem cujo coração transbordava de gratidão a seu Deus pelos muitos privilégios e bênçãos que concedia a seu povo; um homem que trabalhava infatigavelmente pelo bem-estar e segurança do povo.
Sim, e ele era um homem firme na fé em Cristo; e havia prestado juramento de defender seu povo, seus direitos e seu país e sua religião, mesmo com a própria vida.
Ora, os nefitas foram ensinados a defenderem-se dos inimigos, ainda que fosse necessário derramar sangue; sim, e foram também ensinados a nunca ofenderem, sim, a nunca levantarem a espada, a não ser contra um inimigo, e apenas para preservarem a própria vida. E tinham fé que Deus lhes permitiria prosperar na terra ou, em outras palavras, que, se fossem fiéis na observância dos mandamentos de Deus, ele lhes permitiria prosperar na terra; sim, ele avisaria quando precisassem fugir ou preparar-se para a guerra, de acordo com o perigo; E também que Deus lhes revelaria para onde deveriam ir a fim de se defenderem de seus inimigos; e se assim fizessem, o Senhor os salvaria; e esta era a fé que tinha Morôni e seu coração gloriava-se nela; não no derramamento de sangue, mas em fazer o bem, em preservar seu povo, sim, em guardar os mandamentos de Deus, sim, e em resistir à iniqüidade.
Sim, em verdade, em verdade vos digo que se todos os homens tivessem sido e fossem e pudessem sempre ser como Morôni, eis que os próprios poderes do inferno teriam sido abalados para sempre; sim, o diabo nunca teria poder sobre o coração dos filhos dos homens. Eis que ele era um homem como Amon, o filho de Mosias, sim, e também como os outros filhos de Mosias; sim, e também como Alma e seus filhos, porque eram todos homens de Deus” (Alma 48:11-18).
Os ânti-néfi-leítas fizeram um juramento de que não mais lutariam (Alma 23). Eles venceram a guerra dando suas vidas:
“Quando o povo viu que os lamanitas vinham atacá-los, saíram-lhes ao encontro e prostraram-se por terra diante deles e começaram a invocar o nome do Senhor; e estavam nessa atitude quando os lamanitas começaram a atacá-los e a matá-los com a espada. E assim, sem encontrarem resistência alguma, mataram mil e cinco deles; e sabemos que eles são abençoados, porque foram morar com seu Deus.
Ora, quando os lamanitas viram que seus irmãos não fugiam da espada nem se voltavam para a direita nem para a esquerda, mas que se deitavam e morriam e louvavam a Deus até mesmo no momento de serem abatidos pela espada— Ora, quando os lamanitas viram isso, abstiveram-se de matá-los; e muitos houve que se sentiram condoídos pelos seus irmãos que haviam caído pela espada, porque se arrependeram do que haviam feito.
E aconteceu que arremessaram ao chão suas armas de guerra e não as quiseram mais pegar, porque estavam compungidos pelos assassinatos que haviam cometido; e ajoelharam-se, assim como seus irmãos, confiando na clemência dos que tinham os braços levantados para matá-los.
E aconteceu que, naquele dia, ao povo de Deus juntaram-se mais do que os que haviam sido mortos; e os que foram mortos eram justos; não temos, portanto, razão para duvidar de que foram salvos” (Alma 24:21-26).
Mais adiante vemos que os filhos desse nobres conversos desejaram unir-se aos nefitas para defenderem seus pais – são conhecidos como os jovens de Helamã. Eles também havia se preparado – não tanto militarmente, mas muito espiritualmente. Nos seguintes trechos de uma carta de Helamã à Morôni, podemos ver a grandeza desses jovens:
“Portanto, que dizeis, meus filhos? Quereis ir combatê-los?
E agora eu te digo, meu amado irmão Morôni, que eu nunca presenciara tão grande coragem, não, nem entre todos os nefitas!
Pois como eu sempre os chamara meus filhos (visto que eram todos muito jovens), responderam-me: Pai, eis que nosso Deus está conosco e não permitirá que sejamos vencidos; então avancemos. Não mataríamos nossos irmãos se eles nos deixassem em paz; portanto vamos, para que eles não derrotem o exército de Antipus.
Ora, eles nunca haviam lutado. Não obstante, não temiam a morte; e pensavam mais na liberdade de seus pais do que em sua própria vida; sim, eles tinham sido ensinados por suas mães que, se não duvidassem, Deus os livraria.
E repetiram-me as palavras de suas mães, dizendo: Não duvidamos de que nossas mães o soubessem.
E então aconteceu que nós, o povo de Néfi, o povo de Antipus e eu com meus dois mil, cercamos os lamanitas e matamo-los. Sim, a ponto de verem-se obrigados a depor suas armas de guerra e também a se entregarem como prisioneiros de guerra.
E então aconteceu que quando eles se renderam a nós, eis que contei o número dos jovens que haviam lutado comigo, temendo que muitos deles tivessem sido mortos.
Mas eis que, para minha grande alegria, nenhum deles havia caído por terra; sim, e haviam lutado como que com a força de Deus; sim, nunca se soube de homens que tivessem lutado com força tão miraculosa; e com tal vigor caíram sobre os lamanitas, que os aterrorizaram; e por esta razão os lamanitas entregaram-se como prisioneiros de guerra (...).
Mas eis que minha pequena tropa de dois mil e sessenta homens lutou desesperadamente; sim, permaneceram firmes diante dos lamanitas, infligindo à morte a todos os que se lhes opuseram.
E enquanto o resto de nosso exército estava prestes a ceder terreno aos lamanitas, eis que esses dois mil e sessenta permaneceram firmes e impávidos.
Sim, e eles obedeceram a cada palavra de comando e cumpriram-nas com exatidão; sim, e tudo lhes aconteceu de acordo com sua fé; e eu lembrei-me das palavras que eles me disseram ter aprendido com suas mães.
E aconteceu que duzentos de meus dois mil e sessenta haviam desmaiado em virtude da perda de sangue; não obstante, de acordo com a bondade de Deus e para nossa grande surpresa e também para alegria de todo nosso exército, nenhum deles perecera; sim, e não houve entre eles um só que não tivesse recebido muitos ferimentos.
Ora, sua sobrevivência encheu de espanto todo o nosso exército; sim, que eles tivessem sido poupados, enquanto mil de nossos irmãos foram mortos. E, com razão, atribuímos isso ao miraculoso poder de Deus, por causa de sua extraordinária fé naquilo que haviam sido ensinados a crer— que existia um Deus justo e que todo aquele que não duvidasse seria preservado pelo seu maravilhoso poder.
Ora, era esta a fé possuída por aqueles de quem falei; eles são jovens, de opinião firme, e depositam continuamente sua confiança em Deus. (Alma 56:44-48, 54-56 e 57:19-21, 25-27, itálicos adicionados)
A forma como procederemos nos tempos de guerra é um reflexo de nossa preparação. Devemos nos preparar como os nefitas de outrora, porque se estivermos preparados não temeremos (D&C 38:30). O Livro de Mórmon já nos advertiu – ouçamos sua voz!

Conclusão
O Senhor é o príncipe da paz (Isaias 9:6). Mas diante da iniqüidade Cristo veio trazer a espada (Mateus 10:34-39). A palavra de Deus é a arma mais poderosa para os tempos de guerra e paz (Alma 31:5; Helamã 5:20, 46-51-52) – ela é como uma espada de dois gumes que penetra até dividir a alma (Hebreus 4:12; D&C 33:1). Se nos agarrarmos à barra de ferro, que é a Palavra de Deus, as névoas de tentação e tristeza não nós destruirão (1 Néfi 11:25, 12:17). Devemos também “permanecer em lugares santos” (D&C 42:32, 87:8), ouvir “os atalaias” de Deus - os profetas (Ezequiel 33:7, 9), guardar os mandamentos (D&C 35:24) e perseveremos até o fim (3 Néfi 27:6). Desse modo, tendo o Espírito Santo como guia constante, seremos preservados pelo incomparável poder de Deus – mesmo que “a terra e o inferno se unam” contra nós eles não prevalecerão (D&C 6:34). Isso não significa que não sofreremos pelos pecados do mundo ou que as guerras não afligirão os santos, mas sim que os justos serão salvos (D&C 63:34).
Há muitas lições que podemos aprender com as guerras do Livro de Mórmon. Algumas foram expostas aqui. Cada um deve, ao ler e ponderar orar para entender as mensagens divinas que estão em todas as páginas do livro que mais aproxima as pessoas de Deus.
O Livro de Mórmon menciona tantas guerras porque mostra que o poder de Deus sempre é superior ao dos homens ou do diabo. Expõem que os fiéis são sempre libertados (Alma 50:22), pois pela fé tornam-se “forte com o poder de libertação” (1 Néfi 1:20). Também ensina que devemos nos lembrar das guerras e da liberdade dos antigos para mantermo-nos no caminho correto (Alma 5:4-6); demonstra como os justos devem reagir às guerras e qual esperança devem buscar.

7 de abr. de 2010

Moisés 6:59-60: NASCER DE NOVO

Nossa vinda à mortalidade ocorre pelo nascimento. Deixando de lado a polêmica sobre quando se inicia a vida mortal , consideraremos a concepção como o nascimento mortal, o inicio do segundo estado e do tempo de provação (GEE Mortalidade). Há três elementos presentes no nascimento mortal: água, sangue e espírito. Eles são elementos reais e necessários para que ocorra o nascimento. Sem sangue nenhum mortal vive, pois a vida esta no sangue (Levítico 17:11, 14). Do mesmo modo, sem a água ninguém é concebido: pois há água presente na formação do feto, por exemplo, na placenta da gestante. Sem que o espírito pré-mortal entre no corpo não há vida, pois “o espírito e o corpo formam a alma do homem” (D&C 88:15). A morte ocorre com a saída do espírito do corpo (GEE Morte Física). O segundo nascimento é um símbolo do primeiro. É chamado de novo nascimento: nascimento por que os mesmos elementos – água, sangue e espírito – estão presentes; e novo porque (1) vem pelo Novo e Eterno convênio do evangelho; (2) muda o estado anterior (semelhante à mudança que ocorreu do estado pré-mortal para o mortal); (3) purifica, justifica e santifica – tornando a criatura inocente como uma criancinha, por isso é também chamado de nascimento espiritual. Ao virmos para Terra tornamo-nos afastados de Deus, tanto fisicamente quanto espiritualmente, por causa da Queda e da fraqueza humana: “Por que Adão caiu, existimos; e pela sua queda veio a morte; e fomos feitos participantes de miséria e desgraça; Eis que Satanás veio para o meio dos filhos dos homens e tentou-os para que o adorassem; e os homens tornaram-se carnais, sensuais e diabólicos e encontram-se afastados da presença de Deus. Mas Deus fez saber a nossos pais que todos os homens devem arrepender-se. E ele chamou nosso pai Adão com sua própria voz, dizendo: Eu sou Deus; eu fiz o mundo e os homens antes que existissem na carne. E ele também lhe disse: Se te voltares para mim e deres ouvidos a minha voz e creres e te arrependeres de todas as tuas transgressões e fores batizado, sim, na água, em nome de meu Filho Unigênito, que é cheio de graça e verdade, que é Jesus Cristo, o único nome que será dado debaixo do céu mediante o qual virá a salvação aos filhos dos homens, receberás o dom do Espírito Santo, pedindo todas as coisas em seu nome; e tudo o que pedires te será dado. (Moisés 6:48-52, itálicos adicionados) Desde Adão o evangelho tem sido ensinado. Aqueles que o aceitam plenamente nascem de novo: “Aí se começou a dizer entre o povo que o Filho de Deus expiara o pecado original, de modo que os pecados dos pais não podem recair sobre a cabeça dos filhos, pois estes são limpos desde a fundação do mundo.” “E o Senhor falou a Adão, dizendo: Visto que teus filhos são concebidos em pecado, quando eles começam a crescer, concebe-se o pecado em seu coração e eles provam o amargo para saber apreciar o bom. E a eles é dado distinguir o bem do mal, de modo que são seus próprios árbitros; e dei-te outra lei e mandamento.” “Portanto ensina a teus filhos que todos os homens, em todos os lugares, devem arrepender-se, ou de maneira alguma herdarão o reino de Deus, porque nenhuma coisa impura pode ali habitar ou habitar em sua presença; pois, no idioma de Adão, Homem de Santidade é seu nome e o nome de seu Unigênito é Filho do Homem, sim, Jesus Cristo, um justo Juiz, que virá no meridiano dos tempos.” “Portanto dou-te o mandamento de ensinares estas coisas liberalmente a teus filhos, dizendo: Por causa da transgressão vem a queda, queda essa que traz a morte; e sendo que haveis nascido no mundo pela água e sangue e espírito que eu fiz e assim vos haveis transformado de pó em alma vivente, do mesmo modo tereis de nascer de novo no reino do céu, da água e do Espírito, sendo limpos por sangue, sim, o sangue de meu Unigênito; para que sejais santificados de todo pecado e desfruteis as palavras da vida eterna neste mundo e a vida eterna no mundo vindouro, sim, glória imortal; Pois pela água guardais o mandamento, pelo Espírito sois justificados e pelo sangue sois santificados” (Moisés 6:54-60, itálicos adicionados). As muitas doutrinas expostas nestes versículos serão a base para os próximos capítulos. Algumas delas já forma comentadas. O que deve ficar claro é o conteúdo simbólico do evangelho, mais especificamente de suas ordenanças. Há razões para os ritos do evangelho serem como são. Evidentemente não nos foi revelado tudo sobre o assunto , mas as escrituras e os profetas explicam que o sacerdócio é uma maneira que permite o povo “saber como esperar pelo seu Filho para receber a redenção” (Alma 13:2): “Ora, essas ordenanças foram instituídas dessa maneira para que, por meio delas, o povo pudesse ter esperança no Filho de Deus, sendo um símbolo de sua ordem, ou melhor, sendo sua ordem; e isto para que pudessem esperar dele a remissão de seus pecados, a fim de entrarem no descanso do Senhor” (Alma 13:16, itálicos adicionados). A ordenança do batismo, por exemplo, é simbólica. O batismo é uma parte essencial do nascimento simbólico no reino dos céus. O batismo e todas as outras ordenanças “têm sua semelhança e todas as coisas são criadas e feitas para prestar testemunho de [Cristo], tanto as coisas [temporais] como as coisas que são espirituais; coisas que estão acima nos céus e coisas que estão na Terra e coisas que estão dentro da terra e coisas que estão embaixo da terra, tanto acima como abaixo: todas as coisas prestam testemunho de [Cristo]” (Moisés 6:63). As ordenanças não podem ser compreendidas se apenas vistas superficialmente. Cada ordenança de salvação será estuda com cuidado mais adiante. O ritual de purificação do leproso da lei mosaica continha igualmente os elementos do nascimento (água, espírito e sangue): “Esta será a lei do leproso no dia da sua purificação: será levado ao sacerdote, E o sacerdote sairá fora do arraial, e o examinará, e eis que, se a praga da lepra do leproso for sarada então o sacerdote ordenará que por aquele que se houver de purificar se tomem duas aves vivas e limpas, e pau de cedro, e carmesim, e hissopo. Mandará também o sacerdote que se degole uma ave num vaso de barro sobre águas vivas, E tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o carmesim, e o hissopo, e os molhará, com a ave viva, no sangue da ave que foi degolada sobre as águas correntes. E sobre aquele que há de purificar-se da lepra espargirá sete vezes; então o declarará por limpo, e soltará a ave viva sobre a face do campo. E aquele que tem de purificar-se lavará as suas vestes, e rapará todo o seu pêlo, e se lavará com água; assim será limpo; e depois entrará no arraial, porém, ficará fora da sua tenda por sete dias; E será que ao sétimo dia rapará todo o seu pêlo, a sua cabeça, e a sua barba, e as sobrancelhas; sim, rapará todo o pêlo, e lavará as suas vestes, e lavará a sua carne com água, e será limpo.” “E o sacerdote tomará do sangue da expiação da culpa, e o porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e no dedo polegar do seu pé direito. Também o sacerdote tomará do logue de azeite, e o derramará na palma da sua própria mão esquerda. Então o sacerdote molhará o seu dedo direito no azeite que está na sua mão esquerda, e daquele azeite com o seu dedo espargirá sete vezes perante o SENHOR; E o restante do azeite, que está na sua mão, o sacerdote porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se, e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito, em cima do sangue da expiação da culpa; E o restante do azeite que está na mão do sacerdote, o porá sobre a cabeça daquele que tem de purificar-se; assim o sacerdote fará expiação por ele perante o SENHOR.” “E o sacerdote oferecerá o holocausto e a oferta de alimentos sobre o altar; assim o sacerdote fará expiação por ele, e será limpo” (Levítico 14:2-9, 12-16, 20). O leproso se raspava para ficar semelhante a um recém-nascido. Vencer a lepra era, na época, como nascer outra vez, pois a lepra era uma praga mortal. O óleo simboliza a pureza e o Espírito de Deus (I Samuel 16:13; GEE Óleo). A ave morta representa o Deus altíssimo expiando pelas impurezas, à ave livre representa a liberdade proveniente do sacrifício de Cristo – sua expiação e ressurreição. O ritual do leproso e toda lei de Moisés é um símbolo de Cristo, da purificação advinda pela Expiação (2 Néfi 11:4; Alma 25:15-16). Água, Sangue e Espírito também são símbolos da Trindade – o quórum do sacerdócio que preside o universo: “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra (que é Cristo), e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num” (I João 5:7-8). A própria Expiação também contém os elementos eternos Água, Sangue e Espírito. A água encontramos, não só como substancia essencial contida no sangue de Cristo derramado dês do Getsêmani até o sepultamento, mas quando um soldado lhe furou o lado e água e sangue saíram-lhe (João 19:24). Vemos sangue na Expiação em todos os momentos, pois o sangue é que fez a expiação pela culpa (Levítico 17:11). O sangue esta presente no Jardim, onde foi vertido da maneira mais dolorosa – saindo por cada poro (Lucas 22:44; Mosias 3:7; D&C 19:18). E no injusto julgamento, na agonizante tortura e por fim no Gólgota, onde o Salvador entregou o espírito (João 19; Mateus 26:52-70, 27) O elemento espírito está presente, por exemplo, na frase de Jesus na Cruz ao consumar sua obra: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lucas 23:46). Evidentemente Cristo não nasceu de novo na ocasião da Expiação. Ele nasceu como nós, de uma mãe mortal, passou pelo véu do esquecimento, foi batizado, recebeu o Espírito Santo e todas as ordenanças do evangelho. Mas diferente de nós Ele já era perfeito e santo antes de nascer na Terra (Deuteronômio 18:13), e continuou santo na mortalidade (Mosias 14:9). Mesmo que fosse, enquanto mortal “pouco menor que os anjos” (Hebreus 2:9), readquiriu toda glória que possuía antes do mundo existir (João 17:5). O nascimento espiritual de Cristo ocorreu na pré-mortalidade. O papel de Cristo era possibilitar a nós, seres imperfeitos, que nos tornássemos como Ele – santos sem mácula (3 Néfi 12:48; Morôni 10:33). O nascimento mortal é natural, sem ser necessário um rito sacerdotal. O nascimento espiritual precisa de cerimônias. O nascimento mortal ocorre num período temporal semelhante aos homens – em nove meses há um nascimento. Já o espiritual pode ocorrer nesta vida, depois da morte ou nunca acontecer. A despeito das diferenças demonstradas, e muitas outras, entre os dois nascimentos, o símbolo perde o sentido se tirado de seu contexto. Água, Espírito e Sangue estão presentes nos dois nascimentos. Mergulhado no útero da mãe, o feto nascerá num certo período de tempo. Imerso nas águas batismais o converso dá inicio a uma nova vida espiritual. O espírito pré-mortal acomoda-se no corpo do bebê no momento certo, formando uma alma (D&C 88:15). Semelhantemente o Espírito Santo é recebido como dom e companhia constante. Tal como o espírito pré-mortal não se separa do corpo mortal, se não com a morte, também o Espírito Santo não se aparta do justo, a não ser com o pecado – que conduz a morte espiritual. Sangue corre nas veias do feto, alimentando a mortalidade. Sangue expiatório é aplicado no converso limpando-o de suas transgressões e pecados, purificando-o e santificando-o. É importante salientar que o nascimento espiritual acontece somente depois do recebimento de todos os elementos – água, espírito e sangue – e não antes. É verdade que podemos dizer que alguém que foi recentemente batizado nasceu de novo. Mas isso não é senão uma expressão que deduz um compromisso maior . Os que foram batizados apenas iniciaram seu nascimento no reino de Deus. Porque a conversão, que é o nascer de novo, é mais um processo do que um evento. Na realidade, o nascer de novo é um processo com vários eventos. Esses eventos são ocasiões onde convênios são firmados. Esses convênios muitas vezes são acompanhados de cerimônias: são as ordenanças do evangelho. Não obstante, o recebimento das ordenanças não necessariamente faz com que alguém nasça de novo. Para nascer de novo há necessidade de ser santificado. As obras (ordenanças) por si só não garantem o novo nascimento. Assim como um feto, que passa por todas as etapas da gestação e na concepção está perfeitamente formado não necessariamente nascerá vivo; também o converso que não realizou mudanças suficientes – isto é, não se despojou do homem natural, não se tornou como uma criancinha, não guardou os mandamentos, não foi justificado ou não foi santificado não pode nascer de novo. O processo de nascer de novo recebe vários nomes nas escrituras: despojar-se do homem natural (Mosias 3:19), tornar-se como uma criancinha (3 Néfi 11:37-38), justificação e santificação (Moisés 6:60), aperfeiçoar-se por meio de Cristo Jesus (Efésios 4:12-13 e Hebreus 10:14), andar com Deus (Alma 53:21, Gênesis 6:9), ser um com Deus (João 17:11, 21), etc. O processo de nascer de novo começa com o contato com a palavra de Deus e a fé em Jesus Cristo e termina com o chamado e eleição (2 Pedro 1:10), que é quando vencemos o mundo: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.” “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num” (I João 5:1-8). Jesus Cristo disse que quem não nascer de novo não pode entrar no Reino dos céus. O Reino dos céus é o que buscamos. Ele explicou a Nicodemos, um fariseu, que o nascimento espiritual inclui o batismo e o dom do Espírito Santo. Mas não só isso, pois disse que Ele fora enviado para santificar o mundo dando sua vida. Quando Nicodemos indagou como era possível aquilo, Jesus repreendeu aquele membro do sinédrio dizendo: “Tu és mestre de Israel, e não sabes isto? (...) Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (João 3:1-21). Assim muitos, mesmo entre os membros da verdadeira Igreja não sabem a respeito do processo de nascer de novo. E mesmo aqueles que conhecem ainda podem aprender mais. Assim que pudermos conhecer as coisas celestiais, elas nos serão ensinadas. Porque quem receber e obedecer receberá mais (2 Néfi 28:30), até receber tudo (D&C 88:49). O Senhor ordenou que essas coisas fossem pregadas liberalmente entre os filhos dos homens (Moisés 6:58-60).

ALMA 21: AFLIÇÕES NA MISSÃO DE TEMPO INTEGRAL

Ao começar a contar sobre a jornada de Amon e seus irmãos, Mórmon diz:
“Ora, foram essas as circunstâncias que ocorreram em suas viagens, pois tiveram muitas aflições; sofreram muito, tanto física quanto mentalmente, de fome, sede e cansaço; e sofreram também muitas tribulações no espírito.” (Alma 17:5)
Ao terminar o relato de Amon e seus irmãos, Mórmon resume:
“E este é o relato de Amon e seus irmãos, de suas viagens na terra de Néfi, seus sofrimentos na terra, suas dores e suas aflições, e sua incomensurável alegria (...)” (Alma 28:8).
Fica evidente pela escritura que antes da “incomensurável alegria” vieram às adversidades.
O trabalho missionário é um dos trabalhos mais difíceis, se não for o mais difícil! Há vários motivos porque o trabalho missionário não é fácil.
Um dos motivos principais é por que é o trabalho do Senhor – e Satanás opõem-se a Deus. Todo missionário sabe que o opositor trabalha muito para destruir a obra de Deus. Na missão de Amon e seus irmãos não foi diferente.
Lemos no Livro de Mórmon algumas táticas do diabo – enfurecer, pacificar, enganar:
Alguns ele enfurece, e incita a irarem-se contra o que é bom (2 Néfi 28:19). Isso aconteceu na missão de Amon e seus irmãos – por exemplo, o próprio rei de todos os lamanitas enfureceu-se com Amon (Alma 20:13-16). E também os apóstatas nefitas “ficaram zangados” com a pregação de Aarão (Alma 21:9-10)
Alguns o diabo pacifica e acalenta com “segurança carnal”, de modo que para eles tudo vai bem (2 Néfi 28:21). É o caso dos amalequitas, amulonitas e lamanitas que viviam em Jerusalém (Alma 21:2-3, 5-10), que pensavam que todos seriam salvos no último dia (Alma 1:4)
A outros o demônio lisonjeia dizendo “eu não sou o diabo, porque ele não existe” (2 Néfi 28:22). Lemos que embora os lamanitas acreditassem num Grande Espírito, “pensavam que tudo que fizessem estaria certo” (Alma 18:5)


Outro motivo porque a obra missionária é difícil é porque envolve o arbítrio de outras pessoas. Os irmãos de Amon não tiveram um sucesso tão aparente quanto de Amon, no começo de suas missões, não porque não eram dignos, fiéis ou diligentes. Eles tinham se preparado tanto quanto Amon, mas “haviam tido a infelicidade de cair nas mãos de um povo mais duro e obstinado; portanto não quiseram escutar-lhes as palavras, tendo-os expulsado e batido neles, tendo-os enxotado de casa em casa e de lugar em lugar, até chegarem a terra de Midôni; e ali foram capturados e postos na prisão e amarrados com fortes cordas; e ficaram encarcerados por muitos dias (...)” (Alma 20:30, itálicos adicionados).
Enquanto o povo a quem Aarão e outros pregaram usaram seu arbítrio para dizer: “Não acreditamos nessas tradições tolas. Não acreditamos que saibas coisas futuras (...)” (Alma21:8), o povo de Ismael, que foi ensinado por Amon escolheu acreditar, ser batizados e organizar uma Igreja (Alma 19:35)´. Os resultados externos do trabalho missionário – como o numero de batismos – não medem verdadeiramente o sucesso de um missionário. Porque a colheita pertence ao Senhor (Alma 26: 7 – mais sobre esse assunto será tratado no capítulo 12), e as pessoas tem a liberdade de aceitar ou recusar a verdade.

A próxima razão do porque é difícil o trabalho missionário é porque precisamos adquirir os atributos de Cristo, para servos bons exemplos. Quando, logo no início de seu serviço missionário entre os lamanitas, Amon e seus irmãos estavam a caminho da Terra da Primeira Herança, no deserto, ficaram deprimidos e estavam para voltar (Alma 26:27). Quando pensamos em Amon e seus irmãos lembramos de seu sucesso, pensamos neles como homens fortes que sabiam o que estavam fazendo. Realmente isso é verdade, mas ao estimarmos eles como grandes heróis, podemos supor que não tinham imperfeições, ou que não desanimaram. Na realidade Amon e seus irmãos estavam a ponto de voltar para casa, desistindo da grande obra.
E voltariam talvez porque o deserto – com os rigores climáticos, a alimentação escassa e a pouca água – era bem diferente da agradável capital Zaraenla, e da confortável casa real. Talvez porque seu rei e pai morrera , e estavam preocupados com a família. Talvez porque ficaram assustados com a tremenda tarefa que tinham empreendido, e se sentiram sobrecarregados. Talvez porque lembraram que muitos esforços já haviam sido feitos para reconduzir os lamanitas – e todos, aparentemente haviam sido vãos.
Mas o Senhor os “confortou e disse: Ide para o meio de vossos irmãos, os lamanitas, e suportai com paciência vossas aflições; e eu farei com que tenhais êxito.” (Alma 26:27)
O Senhor também disse: “sereis pacientes nos sofrimentos e aflições , para dar-lhes bons exemplos em mim; e farei de vós instrumentos em minhas mãos para a salvação de muitas almas” (Mosias 17:11)
Quando o Senhor disse a Amon e a seus irmãos isso eles “encheram-se de coragem” (Alma 17:12) Mas essa coragem seria provada muitas e muitas vezes entre os lamanitas: Amon e seus irmãos foram “rechaçados, escarnecidos e cuspidos e esbofeteados; e [foram] apedrejados, e amarrados com fortes cordas e lançados na prisão (...) E [padeceram] toda espécie de sofrimentos; e tudo isso para que talvez [pudessem] ser o instrumento da salvação de algumas almas (...)” (Alma 26:29-30).
Não há sucesso na missão, sem passarmos por provas de fogo. A fé, a integridade, a diligência, a obediência, a caridade e tudo mais são testados ao máximo. Essa é uma prova da misericórdia de Deus, por que as aflições são para nosso bem (D&C 122:7-9).
Ao sermos provados, e passarmos bem nas provações, nos assemelhamos mais a Cristo . Parece que se não formos afligidos não poderemos ser “bons exemplos” aos não-membros, e não poderemos ser eficazes instrumentos nas mãos de Deus.
As adversidades físicas, sociais, familiares, financeiras, mentais e espirituais podem ser esperadas por todos aqueles que embarcam no serviço de Deus.
“Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus sofra agravos, padecendo injustamente (...) Porque para isso sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais suas pisadas.” (I Pedro 2: 19 e 21, itálicos adicionados)
“Por isso sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não esta presa. Portanto tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna.” (II Timóteo 1:9-10, itálicos adicionados)
Pedro e Paulo, que foram mencionados acima, entendiam que o sofrimento faz parte da condição mortal. A perseguição, a injustiça, a maldade dos homens acomete todos os discípulos de Cristo neste estado telestial: “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Timóteo 3:12)
Lembro que na minha missão o Élder Russell M. Nelson, que nos foi visitar ensinou: “Se vocês não estão sendo perseguidos se arrependam!” Ele quis dizer que Satanás não precisa perseguir os que estão do lado dele –portanto se não estamos sendo perseguidos ou afligidos algo esta errado, e precisa mudar.
Contudo, embora soframos no trabalho missionário temos a promessa do aparo celeste. Todos as aflições não podem nos separar de Deus (Romanos 8: 31, 35-39). Na verdade nos levam mais para perto Dele (Romanos 8: 18, 28).
Vemos isso na missão de Amon e seus irmãos. Foi apenas depois de terem “seus sofrimentos” e ”suas dores e suas aflições” que tiveram a “incomensurável alegria” (Alma 28:8). Foi apenas depois de ficarem deprimidos, que o Senhor os visitou, os consolou e lhes prometeu que teriam êxito (Alma 17:10-11; 26:27)

A outra razão de dificuldade, no caso de serviço missionário de tempo integral, é que estamos longe de casa. A cultura dos lamanitas era diferente das dos nefitas e vários aspectos. As diferenças incluíam: (1) a forma de se vestir – os lamanitas andavam nus exceto por uma curta faixa de pele ao redor dos lombos (Enos 1:20), raspavam a cabeça (Alma 2:5) e se tingiam de vermelho (Alma 3:4). (2) A alimentação talvez fosse bem diferente – pois alguns comiam carne crua (Enos 1:20). (3) A forma de obter lucro ou sucesso era outra (Alma 18:7). (4) A maneira de trabalhar – se é que trabalhavam! – era diferente (Mosias 9:12). (5) A cultura era outra – festas, eventos, organização política, etc (por exemplo, Alma 20:9). E também as (6) tradições e a religião eram diferentes das dos nefitas (Alma 18:5). E havia ainda outras diferenças que os registros não mencionam por não ser esse o propósito do livro.
Os contrastes entre os povos podem ser uma adversidade. Aprender outra língua e/ou adaptar-se as circunstâncias de um povo leva tempo e é difícil. Mas o Senhor prometeu ajudar seus servos. Ele ajudou Amon e seus irmãos. Lembrem-se de que Amon e seus irmãos eram nefitas – inimigos mortais dos lamanitas – mas mesmo assim – com todas as diferenças – herdadas pela História – eles tiveram sucesso – porque não consideravam os lamanitas como inimigos, mas sim, ao contrário, como “irmãos dos nefitas”. Ao amarmos o povo que servimos as dificuldades culturais, sociais e políticas são amenizadas, e até desaparecem.