1 de mar. de 2012

"Se não há Cristo, não há Deus"


                Néfi, após citar as palavras do discurso de seu irmão Jacó, sobre o Plano de Salvação, disse que se deleitava em comprovar a seu povo que sem a vinda de Cristo, todos os homens pereceriam. Então ele afirma: "Porque se não há Cristo não há Deus, e se não há Deus não existimos, porque não poderia ter havido criação" (2 Néfi 11:7). É uma declaração forte, especialmente para os que não são cristãos. Ponderei como Néfi chegou a essa conclusão e escrevi o que se segue.

                Muitos no mundo acreditam em um Deus Supremo. Alguns crêem que há um "Grande Espírito" que criou todas as coisas (Alma 18:4, 22:11), não obstante pensam que tudo que fazem é certo (Alma 18:5). Outros acreditam em muitos deuses (Juízes 2:12), sendo alguns deles mais poderosos que outros (I Reis 20:23) ou um deles o principal (Jeremias 11:13). Outros são agnósticos e outros ateus (Alma 30:36-37). Há ainda aqueles que acreditam em um Deus bondoso, perfeito e que é seu Pai Eterno - mas negam Cristo, dizendo que "não é razoável que venha alguém como um Cristo; se vier e ele for Filho de Deus, o Pai do céu e da Terra, conforme anunciado, porque não aparecerá a nós, assim como àqueles que [estiveram] em Jerusalém?" (Helamã 16:18).
                É evidente que para compreender a afirmação de Néfi deve-se ter na mente e no coração tudo o que ele escreveu ou fez com que fosse escrito em seus dois livros (1 Néfi e 2 Néfi) - afinal sua frase "se não há Cristo, não há Deus" é a conclusão de um pensamento que foi forjado dês do inicio e seu registro. Deve-se ler com sinceridade e desejo de aprender as coisas de Deus, deve-se mergulhar nas escrituras com coração sincero e real intenção. Não obstante, uma leitura secular (porém profunda) dos livros de Néfi já é suficiente, ao menos para provar, porque, para Néfi, sem Cristo não pode haver Deus.
1.       A existência de Deus. Deus vive. Esse conhecimento Néfi recebeu de seu pai Leí, que disse: "existe um Deus e ele criou todas as coisas, tanto os céus como a Terra e tudo que neles há, tanto as coisas que agem como as que recebem a ação." Leí também incutiu em seus filhos que "se não existe Deus, nós também não existimos nem a Terra; pois não poderia ter havido criação nem para agir nem para receber a ação; portanto, todas as coisas teriam desaparecido" (2 Néfi 2:13-14). Néfi não dependeu do testemunho de seu pai. Ele buscou aprender sobre Deus e seus mistérios. Ele contou: "E aconteceu que eu, Néfi, sendo muito jovem, embora de grande estatura, e tendo também grande desejo de saber dos mistérios de Deus, clamei, portanto, ao Senhor; e eis que ele me visitou e enterneceu meu coração, de maneira que acreditei em todas as palavras que meu pai dissera; por esta razão não me revoltei contra ele, como meus irmãos." (1 Néfi 2:16) Néfi aprendeu que o Deus de seu pai Leí não apenas era um ser real, glorioso e poderoso - sentado em um trono e rodeado de luz e anjos (1 Néfi 1:8) - mas que era Seu Pai Celestial que "criou a Terra para que fosse habitada; e criou seus filhos para que a habitassem" (1 Néfi 17:36), e que Ele amava "os que o tomam por Deus" (1 Néfi 17:40). A fé e confiança de Néfi em Deus era tão grande que ele realizava milagres pelo poder que havia recebido de Deus (1 Néfi 4, 1 Néfi 16-18), de fato ele disse: "Se Deus me tivesse ordenado que fizesse todas as coisas, poderia fazê-las. Se ele me ordenasse que dissesse a esta água: Converte-te em terra, ela se converteria; e se eu o dissesse, assim seria feito" (1 Néfi 17:50)
2.       O caráter de Deus. Néfi não apenas acreditava em um Ser Superior, mas entendia os atributos deste Ser. Ele aprendera algo muito importante sobre a condescendência de Deus (1 Néfi 11:16-22). Ele disse: "sei que Deus ama seus filhos" (1 Néfi 11:17). Depois ele registrou as palavras de seu profeta favorito: "Pois pode uma mulher esquecer o filho que está amamentando e deixar de sentir compaixão do filho de suas entranhas? Sim, pode esquecer; eu, porém, não te esquecerei, ó casa de Israel. Eis que te tenho gravada nas palmas de minhas mãos; teus muros estão continuamente diante de mim." (1 Néfi 21:15-16)
3.       O Plano de Salvação. Por amar seus filhos, Deus lhes dá mandamentos e faz com eles convênios (1 Néfi 17:40). Esses mandamentos e convênios permitem que os filhos de Deus recebem alegria nesta vida e felicidade eterna no mundo vindouro. O Plano de Salvação foi dado a Leí através de simbolismo - a famosa "Visão da Árvore da Vida" (1 Néfi 8) [1]. Néfi também teve essa visão e aprendeu o significado dos símbolos (1 Néfi 11-15). Ele aprendeu que a Árvore da Vida "é o amor de Deus, que se derrama nos corações dos filhos dos homens; é, portanto, a mais desejável de todas as coisas" (1 Néfi 11:22). Deus colocou Adão e Eva na Terra. Eles escolheram iniciar a mortalidade, em um evento que chamados de Queda, que tornou todos os homens decaídos.  "A queda veio em razão da transgressão [de Adão e Eva]; e porque os homens se tornaram decaídos, foram afastados da presença do Senhor (2 Néfi 9:6). Essa Queda fazia parte do Plano de Deus, porque se "Adão não houvesse transgredido, não teria caído, mas permanecido no jardim do Éden. E todas as coisas que foram criadas deveriam ter permanecido no mesmo estado em que estavam depois de haverem sido criadas; e deveriam permanecer para sempre e não ter fim. E [Adão e Eva] não teriam tido filhos; portanto teriam permanecido num estado de inocência, não sentindo alegria, por não conhecerem a miséria; não fazendo o bem, por não conhecerem o pecado. Mas eis que todas as coisas foram feitas pela sabedoria daquele que tudo conhece. Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria." (2 Néfi 2:22-25). A Queda de Adão e Eva trouxe a morte física ao mundo e também o pecado (porque Adão e Eva passaram a conhecer o mal). Mas felizmente o Messias veio "na plenitude dos tempos para redimir da queda os filhos dos homens. E porque foram redimidos da queda tornam-se livres para sempre, distinguindo o bem do mal; para agirem por si mesmos e não para receberem a ação, salvo se for pelo castigo da lei no grande e último dia, segundo os mandamentos dados por Deus. Portanto os homens são livres segundo a carne; e todas as coisas de que necessitam lhes são dadas. E são livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo; pois ele procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio" (2 Néfi 2:26-27). O Salvador Jesus Cristo é o Messias porque veio ao mundo e entregou sua vida para salvá-lo, conforte todos os profetas pregaram. O Sacrifício de Cristo chama-se Expiação. O irmão de Néfi explicou: "E ele [Jesus Cristo] vem ao mundo para salvar todos os homens, se eles derem ouvidos a sua voz; pois eis que ele sofre as dores dos homens, sim, as dores de toda criatura vivente, tanto homens como mulheres e crianças, que pertencem à família de Adão. E ele sofre isto para que todos os homens ressuscitem [ou seja, vençam a morte física], para que todos compareçam diante dele no grande dia do julgamento. E ordena a todos os homens que se arrependam e sejam batizados em seu nome, tendo perfeita fé no Santo de Israel, pois do contrário não poderão ser salvos no reino de Deus. E se não se arrependerem, não acreditarem em seu nome, não forem batizados em seu nome nem perseverarem até o fim, serão condenados, pois o Senhor Deus, o Santo de Israel, disse-o. Ele deu, portanto, uma lei (...)" (2Néfi 9:21-25). A expiação proporciona dois dons: um incondicional (que é a ressurreição), e outro condicional (que é o perdão, a remissão dos pecados, a santificação) Quando o Plano de Deus é considerado vemos "quão grandes são os convênios do Senhor e quão grande é sua condescendência para com os filhos dos homens" (2 Néfi 9:53). Na realidade, sentimo-nos amimados e felizes, porque percebemos que somos livres para agir por nós mesmos - para escolher o caminho da vida eterna. O que temos que fazer? Tão somente nós reconciliarmos com Deus, com a vontade de Deus (cumprindo suas leis) e lembrar que é somente pelo poder expiatório de Cristo que seremos salvos (2 Néfi 10:23-25). "Possa Deus, portanto, levantar-vos da morte pelo poder da ressurreição e também da morte eterna (que é o pecado), pelo poder da expiação, a fim de que sejais recebidos no eterno reino de Deus para louvá-lo pela graça divina" (2 Néfi 2:25). Expliquei brevemente sobre o plano de salvação na seguinte postagem: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/04/resumo-do-plano-eterno-de-deus.html (Ver também http://lucasmormon.blogspot.com/2010/05/expiacao.html)
4.       Oposição. Néfi sabia que havia uma oposição ao bem e ao justo. Essa oposição, no caso de Néfi, se manifestava no seio de sua própria família. Seus irmãos procuram em diversas ocasiões matá-lo. A oposição ao bem e a verdade é um prova de que existe um Deus e um Salvador: "Porque é necessário que haja uma oposição em todas as coisas. Se assim não fosse (...) não haveria retidão, nem iniqüidade, nem santidade, nem miséria, nem bem, nem mal. Portanto é preciso que todas as coisas sejam reunidas em uma; pois se fossem um só corpo, deveriam permanecer como mortas, não tendo vida nem morte, nem corrupção nem incorrupção, nem felicidade nem miséria, nem sensibilidade nem insensibilidade. Portanto teriam sido criadas em vão; portanto não haveria propósito na sua criação. Portanto isso destruiria a sabedoria de Deus e seus eternos propósitos, assim como o poder e a misericórdia e a justiça de Deus. E se disserdes que não há lei, direis também que não há pecado. E se disserdes que não há pecado, direis também que não há retidão. E não havendo retidão não há felicidade. E não havendo retidão nem felicidade não haverá castigo nem miséria. E se estas coisas não existem, não existe Deus. E se não existe Deus, nós também não existimos nem a terra; pois não poderia ter havido criação, nem para agir nem para receber a ação; portanto, todas as coisas inevitavelmente teriam desaparecido" (2 Néfi 2:11-13). A realidade da oposição nos faz perceber a necessidade de buscarmos Deus e o poder expiatório de Jesus Cristo. Néfi fez isso. De maneira poética ele disse:  "Eis que minha alma se deleita nas coisas do Senhor; e meu coração medita continuamente nas coisas que vi e ouvi. Não obstante, apesar da grande bondade do Senhor, mostrando-me suas grandes e maravilhosas obras, meu coração exclama: Oh! Que homem miserável sou! Sim, meu coração se entristece por causa de minha carne; minha alma se angustia por causa de minhas iniqüidades. Estou cercado por causa das tentações e pecados que tão facilmente me envolvem!  E quando desejo alegrar-me, meu coração geme por causa de meus pecados; não obstante, sei em quem confiei. Meu Deus tem sido meu apoio; guiou-me através de minhas aflições no deserto e salvou-me das águas do grande abismo. Encheu-me com seu amor até consumir-me a carne. Confundiu meus inimigos, fazendo-os tremer diante de mim. Eis que ele ouviu meu clamor durante o dia, e deu-me conhecimento por meio de visões, durante a noite. Durante o dia eu ousadamente lhe dirigi fervorosa oração; sim, elevei minha voz; e anjos desceram e serviram-me. E sobre as asas de seu Espírito meu corpo foi arrebatado até montanhas muito altas. E meus olhos contemplaram grandes coisas, sim, demasiadamente grandes para o homem; fui, portanto, proibido de escrevê-las. Oh! Então se vi coisas tão grandes, e se o Senhor, em sua benevolência para com os filhos dos homens, visitou os homens com tanta misericórdia, por que, pois, deveria meu coração chorar e minha alma padecer no vale da tristeza e minha carne definhar e minhas forças diminuírem por causa de minhas aflições? E por que eu cederia ao pecado por causa de minha carne? Sim, por que sucumbiria a tentações, para que o maligno tivesse lugar em meu coração a fim de destruir minha paz e afligir minha alma? Por que estou irado por causa de meu inimigo? Desperta, minha alma! Não te deixes abater pelo pecado. Regozija-te, ó meu coração, e já não dês lugar ao inimigo de minha alma. Não te ires outra vez por causa de meus inimigos. Não enfraqueças minhas forças por causa de minhas aflições. Regozija-te, ó meu coração; e clama ao Senhor, dizendo: O' Senhor, eu te louvarei para sempre! Sim, minha alma se regozijará em ti, meu Deus e rocha de minha salvação. Ó Senhor, redimirás minha alma? Livrar-me-ás das mãos de meus inimigos? Far-me-ás tremer à vista do pecado? Que as portas do inferno estejam constantemente fechadas diante de mim, porque meu coração está quebrantado e contrito o meu espírito. O' Senhor, não me feches as portas da tua justiça, para que eu ande na senda do vale profundo, para que eu seja firme no caminho plano. Ó Senhor, rodeia-me com o manto da tua justiça! Ó Senhor, prepara um caminho para a minha fuga diante de meus inimigos! Endireita a minha vereda diante de mim. Não ponhas em meu caminho uma pedra de tropeço, mas limpa-o e não obstruas o meu caminho, mas sim os caminhos de meus inimigos. Ó Senhor, confiei em ti e em ti confiarei sempre. Não porei minha confiança no braço de carne, pois sei que aquele que confia no braço de carne é maldito. Sim, maldito é aquele que confia no homem, ou seja, que faz de carne o seu braço. Sim, sei que Deus dará com liberalidade ao que pedir. Sim, meu Deus dar-me-á se eu não pedir impropriamente; portanto levantarei minha voz a ti; sim, clamarei a ti, meu Deus, rocha de minha retidão. Eis que minha voz eternamente ascenderá a ti, minha rocha e meu Eterno Deus. Amém" (2 Néfi 4:16-35). (ver também: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/05/busca-arbitrio-e-justica-de-deus.html)
5.       As testemunhas. Néfi explicou que Deus estabelece sua palavra por pelo menos três testemunhas. "Não obstante, Deus envia mais testemunhas e ele confirma todas as suas palavras" (1 Néfi 1:3). Assim uma das maiores provas da existência de Deus é a declaração de vários profetas do passado e da modernidade (Alma 30:44). Essas testemunhas especiais conhecem o Salvador. Néfi viu seu Redentor, assim como seu irmão Jacó e o profeta Isaías (1 Néfi 11:2-3). Graças ao testemunho dos profetas podemos adquirir nosso próprio testemunho, invocar o nome do Senhor e ser salvos (Romanos 10:13-17, D&C 46:13-14). (Ver também: http://lucasmormon.blogspot.com/2012/01/o-que-e-um-apostolo.html, http://lucasmormon.blogspot.com/2010/05/o-dom-de-crer-e-saber-que-jesus-e-o.html)
6.       A lei de Moisés e outros símbolos. Néfi declarou: "Eis que minha alma se regozija em confirmar a meu povo a veracidade da vinda de Cristo; pois para este fim foi dada a lei de Moisés; e todas as coisas que foram dadas por Deus aos homens, desde o começo do mundo, são símbolos dele" (2 Néfi 11:4). O próprio Salvador disse: "E eis que todas as coisas têm sua semelhança e todas as coisas são criadas e feitas para prestar testemunho de mim, tanto as coisas materiais como as coisas que são espirituais; coisas que estão acima nos céus e coisas que estão na Terra e coisas que estão dentro da terra e coisas que estão embaixo da terra, tanto acima como abaixo: todas as coisas prestam testemunho de mim." (Moisés 6:63). Abinádi explicou a um grup ode sacerdotes iníquos: "E agora, dissestes que a salvação se alcança pela lei de Moisés. Digo-vos que ainda é preciso que guardeis a lei de Moisés; mas digo-vos que chegará o tempo em que não mais será necessário guardar a lei de Moisés. E digo-vos mais ainda, que a salvação não se alcança somente pela lei; e, se não fosse pela expiação que o próprio Deus fará pelos pecados e iniqüidades dos de seu povo, eles inevitavelmente pereceriam, apesar da lei de Moisés. E agora vos digo que foi necessário dar uma lei aos filhos de Israel, sim, uma lei muito severa; porque eram um povo obstinado, rápido para cometer iniqüidades e vagaroso para lembrar-se do Senhor seu Deus. Portanto uma lei lhes foi dada, sim, uma lei de ritos e de ordenanças, uma lei que deveriam observar rigorosamente, dia a dia, para conservarem viva a lembrança de Deus e de seu dever para com ele. Mas eis que vos digo que todas essas coisas eram símbolos de coisas futuras. Ora, entendiam eles a lei? Digo-vos que não; nem todos entendiam a lei; e isso por causa da dureza de seus corações; porque não compreendiam que ninguém poderia ser salvo, a não ser pela redenção de Deus. Pois eis que não lhes profetizou Moisés acerca da vinda do Messias e que Deus redimiria o seu povo? Sim, e mesmo todos os profetas que profetizaram desde o princípio do mundo - não falaram eles mais ou menos a respeito destas coisas? Não disseram eles que o próprio Deus desceria entre os filhos dos homens e tomaria a forma de homem e andaria com grande poder sobre a face da terra? Sim, e não disseram também que ele proporcionaria a ressurreição aos mortos e que ele próprio seria oprimido e afligido?" (Mosias 13:26-35). (Ver também http://lucasmormon.blogspot.com/2010/04/moises-659-60-nascer-de-novo.html e http://lucasmormon.blogspot.com/2010/11/hermeneutica-teologica.html)
7.       O Espírito Santo. Néfi aprendeu por experiência própria que Deus concede um dom a todos os que buscarem com fervor: "Pois aquele que procurar diligentemente, achará; e os mistérios de Deus ser-lhe-ão desvendados pelo poder do Espírito Santo, tanto agora como no passado e tanto no passado como no futuro; portanto, o caminho do Senhor é um círculo eterno" (1 Néfi 10:19). Mais tarde em seu registro ele adverte: " Portanto, agora que vos disse estas palavras, se não as compreenderdes será porque não pedis nem bateis; de modo que não sereis levados para a luz, mas perecereis na escuridão. Pois eis que vos digo novamente que se entrardes pelo caminho e receberdes o Espírito Santo, ele vos mostrará todas as coisas que deveis fazer." O Espírito Santo. O Senhor explicou: "E esta é minha doutrina e é a doutrina que o Pai me deu; e dou testemunho do Pai e o Pai dá testemunho de mim e o Espírito Santo dá testemunho do Pai e de mim; e eu dou testemunho de que o Pai ordena a todos os homens, em todos os lugares, que se arrependam e creiam em mim." (3 Néfi 11:32). (Ver também: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/12/o-mais-importante-conhecimento.html, http://lucasmormon.blogspot.com/2010/10/1-nefi-222-espirito-de-revelacao.html, e http://lucasmormon.blogspot.com/2010/07/revelacao.html)

Conclusão.
                Para Néfi não há como conceber a existência de um Ser Superior - que é Nosso Pai Celestial, sem pensar que exista alguma poder, algum caminho, para que o homem decaído seja redimido, e possa voltar a presença do Pai. Para alguém que entende a realidade da Queda, os perigos das tentações do diabo e as consequências do mal - tristeza, dor e ignorância - um poder expiatório não é apenas desejável, é vital! Por isso sem um Salvador Deus não existe - pelo menos, não um Deus bondoso, não um Pai Celestial - pois um pai terreno, ainda que imperfeito, cuida, protege e guia seus filhos. Como, pois, um Pai Perfeito e Glorificado, ignoraria seus filhos, deixando-os apodrecer em desespero? Como diz a escritura: Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? (Mateus 7:11). E como esta registrado em Lucas 11:13: "Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?"
                Existe um Deus. Néfi sabia disso, e eu sei também. Existe um Cristo. Néfi sabia disso, e eu sei também. Se alguém prega que não há Cristo, esta pessoa não acredita em Deus - não em um Deus pessoal, bondoso - que é um Pai no pleno sentido da palavra. Para àqueles que desafiam as escrituras, e negam a Cristo, ou para àqueles que são fracos na fé, tímidos na esperança e inertes nas boas obras, convido-os a examinar as escrituras pois elas testificam de Cristo (João 5:39, 2 Néfi 33:10-11). O Espírito esta pronto a testificar a nós, tão longo nos dispormos a ouvir e aprender.
                Jesus Cristo é o Filho de Deus. Ele é Deus. Ele é nosso Deus. Ele morreu por nós.


[1] Nesta Visão, Leí esta seguindo um homem, em um escuro e triste deserto. Após caminhar por muitas horas nas trevas, ele começa a orar ao Senhor para que tenha compaixão de sua alma, segundo as ternas e infinitas misericórdias de Deus. Ele vê então um campo largo e espaçoso e uma bela árvore. Ele se aproxima da árvore e come do seu branco fruto. Ele então sente a alma encher se imensa alegria e começa a desejar que sua família também coma deste fruto. Ao olhar ao redor ele vê sua família. Ele acena e grita. Parte de sua família aceita ir comer do fruto. Outra parte não. Leí repara que para se chegar a árvore há um caminho estreito e apertado. Uma barra de ferro acompanha o caminho. Do outro lado, em oposição a árvore, há um grande e espaçosos edifício. Há multidões espalhadas pelo campo. Muitos se esforçam para chegar ao edifício, que parece estar flutuando no ar. Outros avançam com esforço, continuamente agarradas à barra de ferro, até que chegam, prostram-se e comem do fruto preciso da Árvore da Vida. Há obstáculos a serem superados, todavia, antes de se provar do fruto. Um rio feroz margeia o caminho - e quem cai no rio se afoga. Há também um "névoa de escuridão", que cega os olhos das pessoas. O relato contém ainda outros detalhes, como o empenho dos que estão no grande edifício de zombar dos que chegam na árvore, e a vergonha que alguns que experimentaram do fruto sentem devido a zombaria do que apontam o dedo do outro lado do rio. Néfi explicou o significado do sonho. Ele disse que a árvore da vida é um símbolo do amor de Deus. Disse que o edifício simboliza o mundo de iniquidades. O caminho estreito e apertado não os convênios, a barra de ferro é a palavra de Deus. A névoa são as tentações, o rio é o inferno. A conclusão é de que estamos numa jornada. Há uma oposição, podemos escolher comer da árvore da vida ou entrar no grande e espaçoso edifício. Escolher comer do fruto requer coragem. O caminho é estreito e apertado, mas segue em linha reta. Haverá grande oposição, mas a recompensa vale qualquer sacrifício. Escolher entrar ou permanecer no edifício é uma decisão ruim a longo prazo, pois o edifício cairá, e grande será sua queda. Essas pessoas desfrutam de um riso temporário, e seu divorcio com a felicidade tem prazo certo.

23 de fev. de 2012

O que é reverência? Qual sua importância?


                Reverência é o "profundo respeito pelas coisas sagradas" (GEE "Reverência"). O Presidente David O. McKay disse que a “reverência é o respeito profundo mesclado ao amor” (Conference Report, abril de 1967, p. 86). O Élder L. Tom Perry ensinou que “a reverência emana de nossa admiração e respeito pela Deidade".
                O presidente McKay também ensinou: "A maior manifestação da espiritualidade
é a reverência; de fato, a reverência é a espiritualidade. (...) A reverência abrange a consideração, a deferência, a honra e a estima. Sem um certo grau de reverência, portanto, não há cortesia, gentileza nem consideração pelos sentimentos ou direitos alheios. A reverência é a virtude fundamental na religião. É um dos “sinais de força; a irreverência, um dos indicadores mais seguros de fraqueza. Nenhum homem se erguerá a posições elevadas”, afirmou alguém, “se zombar de coisas sagradas. As grandes lealdades da vida”, continua ele, “precisam ser tratadas com reverência ou serão renegadas nos dias de tribulação” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: David O. McKay, capítulo 4 - "Elementos da Adoração", pg. 33)
                Um hino da primária ensina que “reverência é mais que sentar bem quietinho." (“Reverência É Amor”, Músicas para Crianças, p. 12.). Assim como outras virtudes cristãs, a reverência deve ser praticada. A verdadeira reverência leva a ação justa, as boas obras. Na realidade a reverência é a maneira pela qual as obras de um justo são realizadas.
                 Nas escrituras há muitos exemplo de reverência. Gosto particularmente de três exemplos do Livro de Mórmon. O primeiro esta em Mosias. O Rei Benjamim estava discursando a seu povo. Em certo momento os nefitas suplicam pela "remissão de [seus] pecados." E o Rei Benjamim diz: "E permitiu ele que pedísseis em vão? Não; ele derramou sobre vós o seu Espírito e fez com que se enchessem de alegria os vossos corações e fez com que se fechassem as vossas bocas para que não vos pudésseis exprimir, tão grande era a vossa alegria." (Mosias 4:20). Quando recebemos o Espírito Santo e a remissão de nossos pecados, quando nosso desejos justos sã o atendidos, e quando recebemos uma alegria tal que não conseguimos exprimir verbalmente, podemos ter certeza que cultivamos uma atitude reverente.
                Algumas pessoas se perguntam porque não recebem revelação, ou porque isso é tão esporádico e raro em sua vida. Algumas lembram com alegria do passado, quando os missionários que as batizaram as visitavam, ou quando estavam servindo ao Senhor no campo missionário - elas lembram dessas ocasiões com amor e gratidão, recordando que havia uma efusão do Espírito Santo em suas vidas. Todavia, ao refletirem sobre o presente, ou seja, onde encontram-se hoje, elas desanimam, pois percebem que vivem aquém do que já viveram. Elas confessam a si mesmo e aos outros que já não sentem o que sentiam, e não experimentam o que experimentavam. Se essas pessoas refletirem bem, perceberão que o que lhes falta hoje é reverência. Porque se elas tivessem profundo respeito pelas coisas sagradas (como haviam tido no passado), orariam sempre de modo sincero, sublime e fervoroso; leriam as escrituras diariamente com anelo pelo verdadeiro e justo; serviriam ao próximo com todo vigor de uma alma penitente; frequentariam o Templo e honrariam seus convênios; e se arrependeriam e evitariam todo mal e pecado. E nesse esforço receberiam revelação. O Presidente Packer ensinou que "a reverência convida a revelação" (“A Reverência Convida à Revelação”, A Liahona,janeiro de 1992, p. 23.)
                O segundo exemplo que gosto de mencionar quando falo sobre reverência é o de Morôni. Ele defendia o respeito pelas coisas sagradas, se necessário com a espada. "E aconteceu que rasgou sua túnica e, pegando um pedaço dela, nele escreveu: Em lembrança de nosso Deus, nossa religião e nossa liberdade e nossa paz, nossas esposas e nossos filhos - e amarrou-o na ponta de um mastro. E ele colocou seu capacete e sua couraça e seus escudos e cingiu os lombos com sua armadura; e pegou o mastro em cuja ponta se achava a túnica rasgada (a que ele chamou estandarte da liberdade); e inclinou-se até o solo e orou fervorosamente a seu Deus, a fim de que as bênçãos da liberdade repousassem sobre seus irmãos enquanto restasse um grupo de cristãos para habitar a terra" (Alma 46:12-13). Nessa oração ele derramou a alma a Deus (Alma 46:17). Esse é o tipo de atitude de um homem reverente. Morôni "era um homem de perfeita compreensão" (...) Sim, um homem cujo coração transbordava de gratidão a seu Deus pelos muitos privilégios e bênçãos que concedia a seu povo; um homem que trabalhava infatigavelmente pelo bem-estar e segurança do povo. Sim, e ele era um homem firme na fé em Cristo; e havia prestado juramento de defender seu povo, seus direitos e seu país e sua religião, mesmo com a própria vida." (Alma 48:11-13)
                E o grande ensinamento é que "se todos os homens tivessem sido e fossem e pudessem sempre ser como Morôni, eis que os próprios poderes do inferno teriam sido abalados para sempre; sim, o diabo nunca teria poder sobre os corações dos filhos dos homens" (Alma 48:17). Em outras palavras se todos buscassem a atitude de reverência e respeito - a perfeita compreensão de Morôni, que o levava a orar com tanta devoção e a lutar para honrar suas promessas - então o demônio não teria poder algum sobre o mundo.
                O terceiro exemplo do Livro de Mórmon vem da visita do Senhor para os nefitas. Naquela sublime aparição, Ele orou "e as coisas que disse em sua oração não podem ser escritas e a multidão que o ouviu deu testemunho. E desta forma testemunham: Os olhos jamais viram e os ouvidos jamais ouviram, até agora, coisas tão grandes e maravilhosas como as que vimos e ouvimos Jesus dizer ao Pai; E não há língua que possa expressar nem homem que possa escrever nem podem os corações dos homens conceber coisas tão grandes e maravilhosas como as que vimos e ouvimos Jesus dizer; e ninguém pode calcular a extraordinária alegria que nos encheu a alma na ocasião em que o vimos orar por nós ao Pai. E aconteceu que, após haver terminado a sua oração ao Pai, Jesus se levantou; mas tão grande era o júbilo da multidão, que ficaram prostrados" (3 Néfi 17:15-18).
                Fico triste quando vejo as pessoas (principalmente entre os santos) usando o nome do Senhor em vão, vestindo-se de modo inapropriado, desrespeitando a natureza, desprezando as escrituras, fazendo piadas com relação ao sacerdócio e a Igreja e profanando tudo que é bom. Essas pessoas não sabem, não entendem. Se ao menos elas sentissem, por um momento, o que sentiram aqueles nefitas. Se ao menos elas ouvissem um pouco da oração do Senhor.
                A melhor maneira de ensinar sobre reverência é pelo exemplo. Os pais devem ser um exemplo para os filhos. Reverência não é melancolia. Não é tristeza, fraqueza ou inatividade. Reverência é vigor, entendimento e amor.  Se quisermos ensinar sobre reverência precisamos ser ativos na fé, buscar uma compreensão perfeita sobre o sagrado e ter caridade para com todos os homens. Se tivermos essa atitude, receberemos o privilégio de nos prostramos diante do Senhor, bem antes da ocasião em que "todo joelho se dobrará e toda língua confessará".

10 de fev. de 2012

Mandamento em conflito no Jardim


Porque o Senhor deu dois mandamentos a Adão se ele não poderia cumprir os dois? - tendo em mente que Deus nunca dá ordens sem preparar um caminho para o cumprimento dessa ordem (1 Néfi 3:7)?

                É uma boa pergunta. E merece uma boa resposta. E essa resposta exige a compreensão correta de algumas cosias que aconteceram no Éden. O que eu falar aqui precisa ser verificado nas escrituras. Recomendo 2 Néfi 2, Alma 42, Gênesis 1-2, Moisés 4 e os manuais da Igreja.
               
               O Senhor deu o mandamento a Adão de crescer e multiplicar. Ele só poderia cumprir esse mandamento se exercesse seu arbítrio e comesse do fruto da árvore do bem e do mal. Eva deveria fazer o mesmo, porque não haveria família humana sem uma mulher para gerar filhos.
                Não comer do fruto proibido era um mandamento? Sim. Ter filhos era um mandamento? Sim. Havia possibilidade de cumprir os dois mandamentos simultaneamente e de imediato? Não. Porquê? "Porque é necessário que haja uma oposição em todas as coisas." E também (preste atenção): "Para conseguir seus eternos propósitos com relação ao homem, depois de haver criado nossos primeiros pais (...) era necessária uma oposição; e até mesmo o fruto proibido em oposição à árvore da vida, sendo um doce e outro amargo. O Senhor Deus deixou, portanto, que o homem agisse por si mesmo; e o homem não poderia agir por si mesmo a menos que fosse atraído por um ou por outro." (Isto esta em 2 Néfi, vai lá procurar em qual versículo...) Ou seja, se não houvesse oposição já no Jardim Adão e Eva não poderiam exercer seu arbítrio. A Árvore do bem e do mal estava em oposição a árvore da Vida. A primeira concedia mortalidade e a segunda imortalidade. A primeira fora expressamente proibida, a segunda fora expressamente permitida por Deus. A primeira significava sair do Jardim e ter filhos, mas transgredir contra Deus; a segunda significava permanecer no Jardim, e desobedecer o mandamento de ter filhos (que era o mais importante do ponto de vista eterno).
                Como sabemos, Adão e Eva escolheram comer do fruto proibido. Por causa disso Deus não demorou e "expulsou o homem e colocou, ao oriente do jardim do Éden, querubins e uma espada flamejante, que se voltava para todos os lados a fim de guardar a árvore da vida". "Porque eis que, se Adão houvesse estendido imediatamente a mão e comido da árvore da vida [depois de ter comido do fruto proibido e se tornado mortal], teria vivido eternamente, de acordo com a palavra de Deus, não tendo tempo para o arrependimento; sim, e também a palavra de Deus teria sido vã e estaria frustrado o grande plano de salvação". Não vou adentrar nos importantes temas e doutrinas da Queda, pro que sua pergunta tem haver com um suporto "conflito" entre mandamentos. Mas não há conflito algum. Entenda que "não era conveniente que o homem fosse resgatado dessa morte física, porque isso destruiria o grande plano de felicidade." E é por isso que " foi concedido um tempo ao homem para que se arrependesse, sim, um período probatório, um tempo para arrepender-se e servir a Deus" Isto esta em Alma 42, procure os versículos por você mesmo). O homem deve cumprir o mandamento de comer da árvore da Vida e de tornar-se um ser imortal e eterno. E Deus vai sim SEMPRE preparar um caminho para que suas ordens possam ser cumpridas. Mas foi dado um tempo - porque se estendêssemos a mão agora e comecemos do fruto da Árvore da Vida seria condenação em vez de bênção! Assim, os mandamentos que pareciam ser contraditórios - não o são - são complementares - mas se posicionados devidamente.
                Finalmente explico que Adão cumpriu os dois mandamentos (mas em ocasiões distintas). Ele iniciou a mortalidade e, mais tarde, curvado pela idade, recebeu a certeza de sua exaltação (D&C 107). Ele entrou para vida eterna, e comeu do fruto da árvore da Vida. E nós podemos seguir nosso pai Adão e cumprir esse mandamento também: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus." (Apocalipse 2:7).
                A sua pergunta também abriu uma possibilidade para que eu mencionasse algo sobre os mandamentos de Deus. Em "grau de importância" o mandamento de não comer um fruto era significamente menos importante que o de iniciar a mortalidade. Comer do fruto da Árvore do Conhecimento tinha como consequência uma transgressão. E deixar de ter filhos era um pecado. (Explique isso em uma postagem antiga: http://lucasmormon.blogspot.com/2010/12/niveis-de-desobediencia.html)
               
                Os princípios eternos são baseados na luz e verdade de Deus - e não mudam. A Eterna Justiça possui leis que ordenam e regulam todas as coisas. Os mandamentos de Deus são leis alicerçadas na verdade e justiça, que são proferidas por Deus à nós. Embora o evangelho seja simples, e não necessite de muitas sistematizações e nomenclaturas, às vezes é proveitoso dividir e subdividir idéias, sem fugir da pureza da verdade - para compreender pontos doutrinários novos. É o caso dos mandamentos.
                Há basicamente três espécies de leis de Deus: mandamentos, conselhos e regras[1]. Todas as leis de Deus tem a mesma fonte (Deus) e o mesmo resultado: aqueles que as obedecem são abençoados, e os que as desobedecem são amaldiçoados. Essas espécies de leis, contudo, diferem (1) no grau ou intensidade de bênção e condenação e na (2)  mutabilidade. Por exemplo: não matar é um mandamento, não chegar em casa depois das onze da noite é um conselho e não perder o companheiro de missão de vista é uma regra. Os mandamentos são leis muito mais rígidas que os conselhos e regras - rígidas no sentido que é mais difícil que mudem - embora, como demonstrarei há mandamentos temporais e finitos. O mandamento sobre o batismo é o mesmo dês de Adão - não mudou.
                O conselho de colocar o computador num lugar público da casa, para evitar a pornografia, certamente é valioso e trará bênçãos. Alguns, que são sábios, encaram os conselhos de Deus como mandamentos. Estes desenvolvem o dom da obediência e evitam assim a desculpa, que vem pela racionalização, de que "tal lei não é um mandamento, é um conselho". Uma vez, uma moça da Igreja, tendo sido ensinada por seus líderes e por seus pais que não deveria namorar antes dos dezesseis anos conscientemente ignorou essa lei dizendo, primeiro, a si mesma e, depois, aos outros: isso é somente um conselho - não é um mandamento!" Ela viveu para perceber que fora tola.
                As regras fazem parte de um conjunto peculiar de leis de Deus. Elas são criadas e feitas para conduzir uma pessoa ou grupo a um maior nível de espiritualidade - muitas vezes porque essa pessoa espiritualmente fraca, são espiritualmente dependentes ou há circunstancias especiais que justificam estritas diretrizes. Assim vemos que os israelitas da época de Moisés precisavam de regras bem especificas: "E agora vos digo que foi necessário dar uma lei aos filhos de Israel, sim, uma lei muito severa; porque eram um povo obstinado, rápido para cometer iniqüidades e vagaroso para lembrar-se do Senhor seu Deus.  Portanto uma lei lhes foi dada, sim, uma lei de ritos e de ordenanças, uma lei que deveriam observar rigorosamente, dia a dia, para conservarem viva a lembrança de Deus e de seu dever para com ele" (Mosias 13:29-30).
                Os missionários de tempo integral de hoje possuem um conjunto de regras não porque são espiritualmente fracos, mas por segurança, padronização e eficiência. Se todos, porém, estivessem no mesmo elevado patamar espiritual não precisariam de muitas regras - viveriam pelos princípios.
                No caso dos nefitas a lei de Moisés tornou-se espiritualmente morta: "a lei tornou-se morta para nós e somos vivificados em Cristo por causa de nossa fé; contudo, guardamos a lei por causa dos mandamentos" (2 Néfi 25:25). Ou seja, porque Deus ainda não revogara as regras da lei de Moisés ele tinham que cumpri o mandamento de obediência, e portanto seguir os ritos e peculiaridades dos israelitas.
                Ainda podemos considerar as regras que um pai dá à seus filhos. Não devem chegar em casa tarde da noite. Tais regras não vinculariam filhos de terceiros. Mas quando um profeta fala que não deve-se chegar em casa tarde - o status dessa lei passa a ser geral, universal. Passa, no caso, a ser um conselho ou mandamento. Sem dúvida, hoje é um mandamento, pois Deus disse: "recolhei-vos cedo, para que não vos canseis; levantai-vos cedo, para que vosso corpo e vossa mente sejam fortalecidos" (D&C 88:124).
                Ao analisar os mandamentos de Deus dado à seus filhos, nas escrituras e na atualidade, podemos classificá-los quanto a sua temporalidade e quanto a sua destinação. O critério temporalidade refere-se ao "tempo" em que o mandamento se mantenha em vigor. E o critério destino, tem haver com o público que deve cumprir a determinada lei. Assim podemos dilatá-los em quatro: quanto a temporalidade, em finitos e infinitos; quanto a destinação, em universais e individuais. Devo, porém, fazer uma advertência, antes de expor mais detalhadamente essa classificação. O evangelho é simples. O Senhor resumiu todos os seus mandamentos em apenas dois. Se estes dois mandamentos forem vividos, toda lei, todo dom, toda bênção, todo espírito, toda fé, todo milagre - tudo que é bom, estará a nosso alcance e será nosso privilégio. Se tão somente amarmos a Deus de todo coração e ao próximo como a nós mesmos cresceremos até o entendimento perfeito de Deus e seus mandamentos não nos serão pesados.
                Os mandamentos finitos são aqueles que são limitados por tempo e espaço, e são ensinados pelo poder do Espírito Santo. Esse poder se manifesta por meio de sonhos, visões, ministração de anjos, pelos ensinamentos dos profetas e dos missionários de Deus. Na verdade o contato com a palavra de Deus pelo verdadeiro penitente é suficiente para que o Espírito ensine os mandamentos finitos. Um exemplo desse mandamento é a Palavra de Sabedoria. Tal lei foi dada especificamente para nossa época - onde surgiriam homens conspiradores e maus (D&C 89). Embora a Palavra de Sabedoria tenha princípios eternos em seu cerne, não é um mandamento infinito - pois na época de Adão, Noé, Moisés, Morôni e Paulo não era proibido, por exemplo, beber vinho.
                Mandamentos infinitos são aquelas leis de Deus que não são limitadas por tempo e espaço. São, na realidade, descrições dos princípios eternos da verdade - que nunca mudam. Esses mandamentos não necessitam ser ensinados pelo poder do Espírito Santo, eles são inatos, vindo como um conhecimento a priori - pela Luz de Cristo - que todo homem que vem ao mundo possuem. Assim, embora o poder do Espírito Santo amplie o entendimento sobre esses mandamentos, todos os homens, independentemente da cultura que tenha herdado, sociedade em que viva e religião que siga sabe que não deve matar. Vemos isso, por exemplo, no caso do rei Lamôni. Ele sabia que não era certo matar, mas racionalizou (devido as tradições de seu povo que lhe haviam sido transmitidas) que poderia matar seus servos que não conseguissem cumprir suas ordens. Quando soube dos feitos de Amon, um grande missionário do Senhor, começou a "temer muito, com medo de haver procedido mal ao matar seus servos" (Alma 18:5). A luz de Cristo, que ele possuía dês de que nasceu começou a prepará-lo para o poder do Espírito Santo. O mesmo acontece quando os missionários de hoje pregam: as pessoas que os ouvem a primeira vez sentem um espírito familiar, como se já tivessem ouvido aquelas palavras antes - como se tudo aquilo fizesse sentido e que realmente era algo para se saber mais. Por mais que tenham pecado e racionalizado - justificando a prática desses erros - e lutando contra a luz - quando a verdade chega, há tremor - e esse desconforto espiritual abre as portas para o arrependimento.
                Mandamentos individuais são aquelas leis válidas para uma pessoa ou grupo peculiar. Esses mandamentos são ensinados pelos dons do Espírito Santo, especialmente o dom do Espírito Santo - que é a companhia constante do terceiro membro da Trindade. São mandamentos particulares, são pessoais. O mandamento de traduzir o Livro de Mórmon, por exemplo, foi dado à Joseph Smith apenas. O de construir a arca somente para Noé. E o de tirar os filhos de Israel do Egito tão somente para Moisés.
                Um missionário que é chamado para servir em determinada região do mundo deve cumprir o mandamento de proclamar o evangelho naquele local. Após fazê-lo deverá retornar a sua casa, tendo terminado de cumprir a ordem especifica de Deus. Embora esse missionário deva continuar a viver os princípios que pregou e a de servir com afinco onde quer que esteja - o mandamento ímpar e intransmissível de ir pregar em certo lugar se findou.
                E ainda podemos considerar um mandamento mais pessoal, dado na bênção patriarcal. Por exemplo, o Senhor pode ordenar a um de seus filhos, através do patriarca, que preste seu testemunho em todas as reuniões de jejum e testemunho na Igreja. Esse é um mandamento particular que não vincula os outros.
                Aqueles que se preparam para a glória celestial recebem linha sobre linha, mandamento sobre mandamento. A medida que se aproximam de Cristo ser-lhes-á exigido cumprirem novos e superiores mandamentos, que não são dados aqueles que não se qualificaram para recebê-los. Por exemplo, a Lei da Consagração é um mandamento celestial dado por Deus, quando Ele julga oportuno. É um lei reservada apenas aqueles que desejam viver no Reino Celestial, por isso é individual. Todavia, a quem muito é dado, muito é exigido - e o que peca contra luz maior, recebe condenação maior.
                Os mandamentos universais são aqueles, como o nome sugere, validos para todos os homens. São mandamentos gerais que inclui todas as ordenanças, leis e convênios necessários para salvação. Um exemplo, é o batismo. Todos os homens, de todos os lugares, devem ser batizados. Até mesmo Cristo foi batizado mostrando-nos quão estreito é o caminho.
                Esses mandamentos são ensinados e aceitos pelo poder do Espírito Santo. Eles são simples e não são muitos, podendo ser enumerados facilmente: ter fé, se arrepender, ser batizado, receber o dom do Espírito Santo e perseverar até o fim. Incluso em perseverar até o fim podemos encontrar os mandamentos de se receber o sacerdócio (somente os homens), de ir ao Templo e fazer convênios lá, de casar-se para toda eternidade e o de prosseguir no caminho que conduz a salvação, tomando sobre nós o nome de Cristo e banqueteando-nos com a palavra Dele. De fato, todos os mandamentos universais podem ser resumidos em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. A obediência aos profetas, a oração e a vigia são maneiras de se receber revelação e viver de toda palavra que sai da boca de Deus.
                O cumprimento dos mandamentos universais eleva o fiel a condição de receber outros mandamentos - tais como os mandamentos individuais descritos anteriormente.  


[1] Muitas vezes nas escrituras mandamentos, leis, conselhos e regras são expressões sinônimas. Mandamentos em sentido amplo incluem os conselhos e regras. E regras em sentido estrito apenas se referem aos indicativos normativos dados com especificidade a uma pessoa ou grupo.